quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Adoro desafios e mistérios #2

Ao reler "O Crime do Padre Amaro", de Eça de Queirós, surgiu uma enorme vontade de conhecer os locais que são referidos no romance e resolvi investigar, dando um passeio pelas ruas da cidade. 


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Ao fundo podem ver o castelo, sendo que a sua posição estratégica o torna visível independentemente do local, da cidade, onde estivermos.


Em dias de sol, é um passeio muito agradável. Recomendo.


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Procurei a placa da Travessa da Tipografia e a minha intuição levou-me lá (pronto, admito que tive de recorrer ao telemóvel).


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Eis senão quando, descubro a placa que assinala a casa...


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É esta a casa onde Eça de Queiroz viveu quando chegou a Leiria em 1870. Tinha 25 anos quando assumiu o cargo de Administrador do Concelho de Leiria e, durante um ano, viveu no n.º 13 da Travessa da Tipografia.


No romance é descrita como a casa da D. Augusta Caminha, a quem chamavam São Joaneira, mas o escritor dá-lhe outro nome e outro número, curiosamente o n. º 9 da Rua da Misericórdia. 


 


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E digo curiosamente porque li algures que Eça era muito supersticioso e que não gostava de gatos pretos, pelo que ter de morar no n.º 13 não deve ter sido nada fácil.


Em baixo, está a porta por onde o jovem Eça passou. No entanto, está tudo degradado e sujo, o que é de lamentar.


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Ao lado da Torre Sineira, foi construída a casa do sineiro, local onde ocorriam os encontros amorosos de Amaro e Amélia. 


 


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 Por fim, a Sé de Leiria.


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* fotografias tiradas com telemóvel.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós #36


 


 


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Autor: Eça de Queirós


Ano:1993

N.º de Páginas: 487

Editora: Círculo de Leitores

 

Sinopse: "O Crime do Padre Amaro" destaca-se, na obra queirosiana, como um dos títulos que maior controvérsia e incómodo provocou, quer no plano artístico quer no plano moral, desde logo pela forma desassombrada como retrata um certo lado mais obscuro da classe clerical. Este romance viu a luz do dia num contexto espácio-temporal marcado pela agitação e pelo fascínio intelectual e cultural a que não eram de todo alheios o desabrochar para comportamentos ideológicos de ruptura e uma certa radicalização de posições. Fruto de um longo processo de criação, "O Crime do Padre Amaro" conheceu três versões, sendo a última a que é conhecida do público e que se adopta como texto-base desta edição crítica. Nela podemos testemunhar um profundo sentido da exigência estética e da ética da criação artística, bem como a concepção do romance como instrumento crítico, numa atitude literária que espelha já um progressivo afastamento do naturalismo mais acentuado que caracterizou as versões anteriores. O romance narra a relação amorosa entre a jovem Amélia e o padre Amaro, e pode ser entendido, segundo as palavras do próprio autor, como «uma intriga de clérigos e de beatas tramada e murmurada à sombra de uma velha sé de província portuguesa». 

 

Opinião: Eça de Queirós é um dos meus autores preferidos, pelo que fiquei bastante entusiasmada quando soube que tinha sido escolhido para leitura no Clube dos Clássicos Vivos. Reli este livro com satisfação redobrada, pelo menos até à página 200, uma vez que o escritor descreve vários locais em Leiria. De facto, quando o li pela primeira vez tenho a certeza que me passaram ao lado estes pequenos pormenores, que fazem toda a diferença. Além de a história se desenrolar em Leiria e arredores, este romance é bastante "cru" e realista. Muitos seguiam o sacerdócio sem qualquer vocação e, tal como Amaro Vieira, eram obrigados pelos familiares a seguir esse caminho. Mas, quando Amaro conhece Amélia, todo o seu ser (mais a sua carne) reclama por sentimentos nada próprios para um padre. Além de egoísta, Amaro zelou apenas pelos seus interesses, não olhando a meios para atingir os seus intentos. Esta faceta de Amaro é detestável, pois sob uma aparência de "santo" esconde-se a personagem mais perigosa do enredo. Por outro lado, a doce Amélia emana inocência, confiança e acredita em tudo o que ele lhe diz. Talvez por isso, simpatizei com a Amélia e com o seu noivo João Eduardo. Já todos os outros personagens, desde padres a beatas, são um pouco entediantes; a descrição das conversas é longa e aborrecida, e, pelo meio, as comidas bem regadas com muitos santos à mistura (ou, como refere Eça, o "arsenal beato") fizeram com que o ritmo de leitura se tornasse mais lento e arrastado. Porém, a meu ver, isso muda na casa do Sineiro, local onde vive a voz da "consciência" através da paralítica "Tótó". É nesta parte que a história volta a ser interessante e avança novamente. Não temam, pois não vou revelar o desfecho, nem é isso o que pretendo, sob pena de falar aqui umas verdades e manifestar toda a minha monumental indignação, em especial contra atos, que envolvam mulheres e crianças, perpetuados por quem deveria manifestar bondade, solidariedade e ensinar os bons princípios da fé!

 


O bom católico, como a tua pequena, não se pertence; não tem razão, nem vontade, nem arbítrio, nem sentir próprio; o seu cura pensa, quer, determina, sente por ela. O seu único trabalho neste mundo, que é ao mesmo tempo o seu único direito e o seu único dever, é aceitar esta direção; aceitá-la sem a discutir; obedecer-lhe dê por onde der; se ela contraria as suas ideias, deve pensar que as suas ideias são falsas; se ela fere as suas afeições, deve pensar que as suas afeições são culpadas.





 


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Línguas-de-gato | A bela e o monstro # 21

Mesmo sem ter muita paciência, a qual se encontra prestes a esgotar com tanta peneirice da Pipoca, nos últimos 20 dias tenho-me dedicado mais à minha dona. Eu sei que, nestas alturas, ela precisa de mim. É sempre bom dar atenção quando é preciso. E não estou a miar por miar. Não! A minha dona tem tido uns dias complicadíssimos ou, segundo o meu faro felino indica, está a começar a ficar"velhota". Ui, ela que não me oiça miar isto! Peço que mantenham alguma confidencialidade quanto aquilo que revelo, até porque os animais são os melhores amigos. Quando muito podem revelar o que quiserem sobre a Pipoca. Posso afirmar convictamente que hoje, dia de fazer festinhas aos animais de estimação (e a humanos quando há segundas intenções), encostei a minha pata na Pipoca. Ela é macia, um pouco estranha, muito branca e sem sal, como o pão. No entanto, ela estava a dormir profundamente e não deu por nada, nem sequer que lhe chamei nomes inapropriados, tais como, renhau renhau. Humpf! Tanta conversa miada deu-me uma sede! Já volto...


***Dois dias antes***


Ando muito esquecido, eu sei. A idade vai pesando, estou muito gordo e peso 9 quilos! Fico a pensar que se calhar devia correr um pouco à volta da mesa da sala de jantar? Bem, talvez o faça...quando as coisas estiverem mais calmas por aqui. A minha dona, coitada, andou, primeiro, com uma dor nas costas e, na semana passada, com uma grande dor de dentes. Mas isto, segundo ouvi ela a contar a alguém, não é nada comparado com o esgotamento nervoso causado por problemas do filho na escola. É que há quem não aceite a idade e queira continuar bela, e há quem exiga crianças já adultas, concentradas, que não façam perguntas, que não conversem e que terminem os trabalhos no máximo em 40 minutos. Depois dizem que dar o comprimido da inteligência é culpa dos pais?! Eu pergunto: o monstro é a criança que é apenas uma criança ou é o sistema de educação tal como está? 


***Hoje, dia das festas nos animais de estimação***


Façam muitas festas todos os dias, pois os donos agradecem e depois retribuem. Mas não pensem que não há bela sem monstro: é que eu recebi muitas festinhas e a Pipoca também!!! Não é justo!!!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Línguas-de-gato | O dia dos namorados e a estupidez natural #20

Falam, falam, falam e o que eu oiço, além de blábláblá Wiskas saquetas, é a enorme capacidade de gritar dos humanos. Gritam por tudo e por nada. Doi, gritam. Estão felizes, gritam. Se choram, gritam. Só que há ainda a habilidade de misturar isso tudo numa amálgama de emoções e fico sem saber se estão felizes ou tristes. Na minha opinião, a risota completa, quando assistem a certos vídeos, é de me deixar com os olhos tortos, o pêlo no ar e um certo ar de perplexidade.


 


Os humanos a serem eles mesmos...



 


Os cães no seu melhor...



 


Os gatos a surpreender-vos.....



 No fundo, no fundo, somos diferentes mas iguais. Aliás, todos temos um pouco de estupidez natural. Ups, já disse. E não, não me esqueci. Hoje é dia dos namorados. Mas não deveria ser dia dos namorados todos os dias?