quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Um estranho lugar para morrer, de Derek B. Miller # 35

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Autor: Derek B. Miller


Ano:2014

N.º de Páginas: 303

Editora: Asa

 

Sinopse: Sheldon, um judeu americano, parece ter chegado ao fim da linha. É viúvo, tem 80 anos, e revela sinais de demência. A filha, preocupada, decide levá-lo para Oslo, onde vive com o marido. Um dia, quando o deixa sozinho no apartamento, Sheldon ouve ruídos na escada. Percebe que é uma vizinha a ser perseguida, a tentar proteger desesperadamente um filho pequeno. A mulher acaba por ser morta selvaticamente. Mas o octogenário consegue, in extremis, esconder a criança dos perseguidores. É o ponto de partida de um romance onde tudo nos surpreende. Aos poucos, juntamos as peças do puzzle. Sheldon é afinal um exveterano da Guerra da Coreia, que há décadas vive num secreto inferno, a tentar expiar um crime involuntário. Num último esforço para se redimir, assume como missão salvar o filho da vizinha. Numa terra desconhecida para ambos, começa uma fuga épica, que os levará aos confins da Noruega – e uma perseguição implacável,movida por um gangue kosovar. Um estranho lugar para morrer, considerado o melhor romance do ano por uma série de publicações, desafia qualquer definição. O ritmo e a tensão absolutamente sufocantes remetem para o thriller moderno, do mais fino recorte escandinavo. Mas o autor, um ativista do desarmamento e dos direitos humanos, usa a dramática epopeia de Sheldon para pôr a nu a violência latente na cultura ocidental.


 




Opinião: Li este livro com muita expetativa, afinal foi considerado o melhor thriller moderno, e fiquei à espera da minha cenoura. O Sheldon é um personagem interessante, tem 80 anos, é viúvo, revela sinais de demência e ajuda uma criança a fugir dos assassinos da mãe, que é sua vizinha. Depois acompanhamos esta fuga e a sua história nos tempos da guerra na Coreia, com crimes por desvendar, com conversas com pessoas que afinal já morreram.

Gostei das críticas às políticas de emigração e à sociedade norueguesa. Gostei da descrição do gangue Kosovar, da chefe da polícia local e do próprio Sheldon. Os personagens estão muito bem caraterizados, contudo, a cenoura não apareceu. Onde está o mistério?! No final da história fiquei triste, pois acho que um bocadinho de Agatha Christie seria essencial.

 


Não era hora para estar a pensar naquilo, mas como é que as autoridades podiam pôr a segurança e o bem-estar do povo norueguês -os que são cidadãos e votam e lutaram pela democracia- a seguir ao dos estrangeiros? Uma vida pacífica não devia ser conseguida à custa dos emigrantes, claro, mas também não devia ser relegada para segundo plano.(...) Como é que podemos ser tão totalmente otimistas em relação ao mundo, apenas sessenta anos depois de termos sido ocupados pelos nazis? (pág.144).

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O meu nome é Lucy Barton, de Elisabeth Strout # 34

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Autora: Elisabeth Strout


Ano:2016

N.º de Páginas: 173

Editora: Alfaguara

 

SinopseLucy Barton está numa cama de hospital, a recuperar lentamente de uma cirurgia que deveria ter sido simples. As visitas do marido e das filhas são escassas e pouco aproveitadas por Lucy. A monotonia dos dias de hospital é quebrada pela inesperada visita da mãe, que fica cinco dias sentada à sua cabeceira. Mãe e filha já não se falavam há anos, tantos quantos os que Lucy passou sem visitar a casa onde cresceu e os que a mãe passou sem a visitar em Nova Iorque, nem sequer para conhecer as netas. Reunidas, as duas trocam novidades e cochichos sobre os vizinhos de infância de Lucy, mas por baixo da superfícies plácida da conversa de circunstância pulsam a tensão e a carência que marcaram a vida de Lucy: a infância de pobreza e privação no Illinois, a vontade de ser escritora e a desconfortável sensação de não pertencer a lado nenhum, a fuga para Nova Iorque e a desintegração silenciosa do casamento, apesar da presença luminosa das filhas. Com um passado que ainda a atormenta e o presente em risco iminente de implosão, Lucy Barton tem de focar para ver mais longe e para voltar a pôr-se de pé. Mais do que uma história de mãe e filha, este é um romance sobre as distâncias por vezes insuperáveis entre pessoas que deveriam estar próximas, sobre o peso dos não-ditos no seio das relações mais íntimas e sobre a solidão que todos sentimos alguma vez na vida. A entrelaçar esta narrativa está a voz da própria Lucy: tão observadora, sábia e profundamente humana como a da escritora que lhe dá forma.




 




Opinião : Este livro foi-me oferecido pela Marta como prenda de aniversário. Fiquei em pulgas e muito feliz. Quem é que não gosta de receber um livro? A justificação para esta oferta foi a de que se tratava de uma história da relação entre uma mãe e a filha, o que, quando se tem uma filha adolescente, é relativamente conturbada. Mas quando comecei a ler, verifiquei que a relação de Lucy com a mãe é algo diferente. Não trata da adolescência, mas da filha já adulta e da mãe que não vê desde o seu casamento. No entanto, ela volta a estar com ela ali no hospital, muitos anos depois . É uma conversa entre as duas mas ambas escondem os sentimentos e os pensamentos. Ainda assim, a Lucy fica contente só de poder conversar com a mãe, mesmo sobre pessoas que não voltou a ver. E, nestas conversas, achei muito divertido os nomes que elas colocam nas enfermeiras, tais como a Tosta (magrinha e de seco trato), a Dor de Dentes (sempre desolada) e a Criança Séria (uma índia que ambas gostaram).


Lucy ora conversa com a mãe, ora pensa no seu casamento, nas filhas, e depois volta às memórias do passado, do tempo em que tinha 5 anos e ficava trancada na carrinha, para os pais irem trabalhar e os irmãos estudar. Nesta parte, não sei se compreendi bem ou se a Lucy terá imaginado, há um grande trauma e um segredo que ela não ousa revelar. 


Este livro prende. É preciso ler com calma, pois a escrita é simples mas os avanços e recuos na história podem prejudicar a compreensão das memórias de Lucy, umas reais, outras não sabemos se imaginárias, mas que são reveladores de um sofrimento que admite ter sido necessário para se tornar no que é.


 



Mas quando vejo outras pessoas andarem com autoconfiança pela rua, como se estivessem completamente livres de terror, percebo que não sei como são os outros. Uma grande parte da vida parece especulação (pág. 17).



 


 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Línguas-de-gato | My way, your way, aqui há gato! # 19

Entre dores e agonias, a minha dona precisa muito de mim. Dou-lhe o conforto necessário com a minha presença e ela dá-me miminhos com muita paciência. Sou um gato de estimação, mas poderia ser livre. A recompensa reside nestes momentos, em que os humanos sentem um calor, uma amizade e um carinho especial. Nada mal para um gato, não é? Pois, a minha dona tem andado um bocadinho mal. Diz que é um problema nas costas. Não sei muito bem, mas a mim quando estico todo o meu corpo sabe mesmo  bem. Já a minha dona, não. Começa logo a gemer e deita-se com uma cara triste. Eu mio e enrosco-me perto dos pés dela, procurando dar-lhe algum tipo de conforto. Porém, não tem sido fácil. Será que o fim está próximo e encaro o desafio final? my way, é uma forma de dizer que faço à minha maneira, e faço tudo direitinho sem "trampa". Com algum cuidado, procuro sempre estar por perto. Aninhado. Sentado. Acordado ou a dormir. Passo às vezes ao largo, como a esquadra russa navega ao largo de Leixões. Mas sempre imprimindo a convicção de que aqui há gato, que sou eu ou talvez não!

domingo, 22 de janeiro de 2017

Adoro desafios e mistérios | # 1

Ainda não sei bem o que me espera... É tudo novo para mim, mas nem tudo é o que parece e sem tentar é que não sabemos, certo?! Em todo caso, nada como experimentar coisas novas e novos desafios. Estou, por isso, entusiasmada nas iniciativas/projetos de outros blogues, tais como:


2017 Reading Challenge


Clube dos Clássicos Vivos


Projeto Poupança 2017


Livro Secreto


Conversas Livrásticas


 


Desejem-me boa sorte!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O que dizem os teus livros afinal?

 



 


Passaram, apenas, sete dias desde a última entrevista e já estou a sentir saudades de compilar todas as respostas desformatadas, de alterar os meus acentos e vírgulas, e até dos malfadados gif´s (que demoram eternidades a abrir!). Parece estranho o que estou a dizer, não é? Eu explico. O trabalho em causa, foi amplamente compensado pelo entusiasmo, pelo imediato acolhimento e pela enorme simpatia. Todos os participantes estão de parabéns, em especial por me aturarem durante cerca de dois meses. O meu muito e muito obrigada MalikSandraAna, Maria, Sara, MartaMagdaCláudiaPatríciaRoberta e Rui. Foram todos maravilhosos. 


 


Como já referi anteriormente, o leitor é muito importante e, com esta rubrica, pretendia provar que as experiências e vivências influenciam sempre a leitura, senão vejam estas respostas:


 


- Um leitor pega num livro como quem entra num quarto de solteiro e fecha a porta;


- Há muito mais vida do que o que me rodeia;


- O laço que se cria entre o leitor e o livro é algo único;


- Quando entramos num livro o resto do mundo cai na ravina;


- Sempre quis livros mais do que qualquer brinquedo;


- Já me aconteceu ler um livro porque ele me "chama";


- O sentimento de perda quando se temina um bom livro;


- Gosto de encontrar-me nas palavras dos outros;


- Oferecer um livro a um leitor é uma prova de amor;


- A leitura é a única coisa que me faz fugir da realidade e esquecer os problemas;


- Ler é viajar e perder-se no nosso labirinto de emoções.


 


Os teus livros dizem afinal que é bom sentir-se transportado para um outro mundo (6*), onde não faz mal chorar (9*) e em que é sempre bom rir (8*), e sentir o cheiro do papel (3*). Dizem que gostam de seguir as recomendações de alguém ou de amigos (6*) e de olhar primeiro para a sinopse (7*). Dizem que preferem que o livro "agarre" (7*), que faça refletir (5*) e entrar nesse mundo (5*), diferente e tão cheio de imaginação (9*). Dizem que há muito mais, porque desde a infância (11*) que essa paixão vos motiva e leva a que leiam, em média, cinquenta livros por ano. Se uns preferem comprar (9*), outros preferem pedir emprestado (6*) ou ir à biblioteca (2*). Dizem ainda que possuem gostos variados (3*), mas que, em geral, preferem os romances, os policiais ou os clássicos, sobretudo de Eça de Queirós (2*). 


Tirando os que nada revelam e os mais tímidos (2*), os livros dizem muito. Assim, na estante ou não, eles revelam um pouco de nós. Escrever em blogues (11*) ou escrever livros (3*) é dar uso à imaginação transmitida pela leitura. É o que dizem os teus livros...


 


(*entre parêntesis o número de entrevistados que fez a referência)