domingo, 22 de janeiro de 2017

Adoro desafios e mistérios | # 1

Ainda não sei bem o que me espera... É tudo novo para mim, mas nem tudo é o que parece e sem tentar é que não sabemos, certo?! Em todo caso, nada como experimentar coisas novas e novos desafios. Estou, por isso, entusiasmada nas iniciativas/projetos de outros blogues, tais como:


2017 Reading Challenge


Clube dos Clássicos Vivos


Projeto Poupança 2017


Livro Secreto


Conversas Livrásticas


 


Desejem-me boa sorte!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O que dizem os teus livros afinal?

 



 


Passaram, apenas, sete dias desde a última entrevista e já estou a sentir saudades de compilar todas as respostas desformatadas, de alterar os meus acentos e vírgulas, e até dos malfadados gif´s (que demoram eternidades a abrir!). Parece estranho o que estou a dizer, não é? Eu explico. O trabalho em causa, foi amplamente compensado pelo entusiasmo, pelo imediato acolhimento e pela enorme simpatia. Todos os participantes estão de parabéns, em especial por me aturarem durante cerca de dois meses. O meu muito e muito obrigada MalikSandraAna, Maria, Sara, MartaMagdaCláudiaPatríciaRoberta e Rui. Foram todos maravilhosos. 


 


Como já referi anteriormente, o leitor é muito importante e, com esta rubrica, pretendia provar que as experiências e vivências influenciam sempre a leitura, senão vejam estas respostas:


 


- Um leitor pega num livro como quem entra num quarto de solteiro e fecha a porta;


- Há muito mais vida do que o que me rodeia;


- O laço que se cria entre o leitor e o livro é algo único;


- Quando entramos num livro o resto do mundo cai na ravina;


- Sempre quis livros mais do que qualquer brinquedo;


- Já me aconteceu ler um livro porque ele me "chama";


- O sentimento de perda quando se temina um bom livro;


- Gosto de encontrar-me nas palavras dos outros;


- Oferecer um livro a um leitor é uma prova de amor;


- A leitura é a única coisa que me faz fugir da realidade e esquecer os problemas;


- Ler é viajar e perder-se no nosso labirinto de emoções.


 


Os teus livros dizem afinal que é bom sentir-se transportado para um outro mundo (6*), onde não faz mal chorar (9*) e em que é sempre bom rir (8*), e sentir o cheiro do papel (3*). Dizem que gostam de seguir as recomendações de alguém ou de amigos (6*) e de olhar primeiro para a sinopse (7*). Dizem que preferem que o livro "agarre" (7*), que faça refletir (5*) e entrar nesse mundo (5*), diferente e tão cheio de imaginação (9*). Dizem que há muito mais, porque desde a infância (11*) que essa paixão vos motiva e leva a que leiam, em média, cinquenta livros por ano. Se uns preferem comprar (9*), outros preferem pedir emprestado (6*) ou ir à biblioteca (2*). Dizem ainda que possuem gostos variados (3*), mas que, em geral, preferem os romances, os policiais ou os clássicos, sobretudo de Eça de Queirós (2*). 


Tirando os que nada revelam e os mais tímidos (2*), os livros dizem muito. Assim, na estante ou não, eles revelam um pouco de nós. Escrever em blogues (11*) ou escrever livros (3*) é dar uso à imaginação transmitida pela leitura. É o que dizem os teus livros...


 


(*entre parêntesis o número de entrevistados que fez a referência)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Línguas-de-gato | I believe I can fly!!! #18

Já vos tinha dito que nem sempre corre tudo a bom vento felino e não estava a mentir. Aliás, a vida de um gato só é aparentemente muito pacífica. Ou então não. Li no outro dia que o gato riscas é mais para o bipolar. Na realidade, já fui assim e todos os gatos jovens passam por fases menos agradáveis para os humanos. Mas, neste momento, estou a miar, precisamente, a propósito da Pipoca. É que a minha dona anda fascinada com ela. É Pipoca isto, Pipoca aquilo, enfim, só fala na Pipoca. Hum...agora ía uma pipoca ou duas e, se forem docinhas, bem que marchavam agora num instantinho! Onde é que eu ía? Ah, a Pipoca tem dado que falar a propósito de uma separação. Ups, estou a ficar velho, baralhado e corrigo. A nossa Pipoca tem dado que falar a propósito de uma operação. O  raio da gaiata resolveu dar um passeiozito em cima da grade da varanda e caiu de uma altura de dois andares. Acho que partiu uma pata em dois sítios e agora está na clínica veterinária.  Eh, eu não sei se foi bem assim; se calhar estão a fazer um filme e a  Pipoca ainda está inteira, sã e salva. E por falar em filme, no outro dia fiquei a pensar no pobre Mr. No Ears. Coitadinho. Ficou deficiente. Sem ninguém. E alguém resolveu raptá-lo!!! E, como se isso não bastasse, todo o julgamento descambou numa conversa de doidos.Pena que o Sherlookgato more em Inglaterra! Se bem que se o mandassem para cá... tenho a certeza que a barreira da língua seria um impedimento, porque os humanos não percebem nada de gatês! Ou mesmo que percebessem, poderia muito bem acontecer a dita conversa de doidos passar a uma conversa à la  Marcelo. Hello?!... Mr. President.... Congratulations... Base das Lajes.??? Yes. Very good!!!  Fly, Mr. Presidente? Yes you Trump! E Pronto! Do síndrome de "Peter Pan" cairiamos na conversa maliciosa, inteligente e divertida.... 


 


 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Flores, de Afonso Cruz # 33

Flores.jpg




Autor: Afonso Cruz

Ano:2015

N.º de Páginas: 275

Editora: Companhia das Letras

 

Sinopse: Um homem sofre desmesuradamente com as notícias que lê nos jornais, com todas as tragédias humanas a que assiste. Um dia depara-se com o facto de não se lembrar do seu primeiro beijo, dos jogos de bola nas ruas da aldeia ou de ver uma mulher nua. Outro homem, seu vizinho, passa bem com as desgraças do mundo, mas perde a cabeça quando vê um chapéu pousado no lugar errado. Contudo, talvez por se lembrar bem da magia do primeiro beijo - e constatar o quanto a sua vida se afastou dela - decide ajudar o vizinho a recuperar todas as memórias perdidas. Uma história inquietante sobre a memória e o que resta de nós quando a perdemos. 


Opinião: "Viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, é aquilo que não fazemos todos os dias", eis uma citação que diz muito com tão pouco. Para começar, já passaram alguns anos (não sei quantos) desde que li um livro que me tocasse. Mas aconteceu com esta leitura. A riqueza das palavras é temperada pela sua súbtil simplicidade e, talvez por ser possível "tocar" cada uma dessa palavras, sentimos algo especial.

"Altitude", a meu ver, é aquela em que  sabemos que as nuvens estão lá mas não as podemos apalpar; em que sonhamos mas a realidade esmaga o peito como pedras. Assim sendo, numa história que começa com a morte do pai do narrador, em que se fale em separação e em perda da memória do vizinho, a maestria nas palavras arrebata-nos por completo. Ou seja, comentar muito mais seria estragar o que está muito bem feito.

 



Fui presa três vezes por causa das palavras. Podia esconder coisas incríveis em palavras tão banais que até me dava dores de estômago. Dizer sapatos ou pão ou sol poderia conter tantos significados. Ou simplesmente sardinha. Um peixe tem muitos nutrientes, não sei nomeá-los a todos, mas com as palavras acontece o mesmo. Têm óleos, vitaminas, proteínas, são a sua maneira de ser muito mais do que aquilo que são. Têm espinhas, quem é que nunca encontrou palavras com espinhas? Nadam, todas elas. Podemos olhar para uma frase e percebemos que aquilo é um mar, uma maneira de ser feroz, de navegar, de viajar, de ter peixes, de ter lágrimas. Eu acreditava que as frases eram armas capazes de mudar, de lutar, de resistir. Armas capazes de disparar um futuro (pág. 90).