segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Línguas-de-gato | I believe I can fly!!! #18

Já vos tinha dito que nem sempre corre tudo a bom vento felino e não estava a mentir. Aliás, a vida de um gato só é aparentemente muito pacífica. Ou então não. Li no outro dia que o gato riscas é mais para o bipolar. Na realidade, já fui assim e todos os gatos jovens passam por fases menos agradáveis para os humanos. Mas, neste momento, estou a miar, precisamente, a propósito da Pipoca. É que a minha dona anda fascinada com ela. É Pipoca isto, Pipoca aquilo, enfim, só fala na Pipoca. Hum...agora ía uma pipoca ou duas e, se forem docinhas, bem que marchavam agora num instantinho! Onde é que eu ía? Ah, a Pipoca tem dado que falar a propósito de uma separação. Ups, estou a ficar velho, baralhado e corrigo. A nossa Pipoca tem dado que falar a propósito de uma operação. O  raio da gaiata resolveu dar um passeiozito em cima da grade da varanda e caiu de uma altura de dois andares. Acho que partiu uma pata em dois sítios e agora está na clínica veterinária.  Eh, eu não sei se foi bem assim; se calhar estão a fazer um filme e a  Pipoca ainda está inteira, sã e salva. E por falar em filme, no outro dia fiquei a pensar no pobre Mr. No Ears. Coitadinho. Ficou deficiente. Sem ninguém. E alguém resolveu raptá-lo!!! E, como se isso não bastasse, todo o julgamento descambou numa conversa de doidos.Pena que o Sherlookgato more em Inglaterra! Se bem que se o mandassem para cá... tenho a certeza que a barreira da língua seria um impedimento, porque os humanos não percebem nada de gatês! Ou mesmo que percebessem, poderia muito bem acontecer a dita conversa de doidos passar a uma conversa à la  Marcelo. Hello?!... Mr. President.... Congratulations... Base das Lajes.??? Yes. Very good!!!  Fly, Mr. Presidente? Yes you Trump! E Pronto! Do síndrome de "Peter Pan" cairiamos na conversa maliciosa, inteligente e divertida.... 


 


 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Flores, de Afonso Cruz # 33

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Autor: Afonso Cruz

Ano:2015

N.º de Páginas: 275

Editora: Companhia das Letras

 

Sinopse: Um homem sofre desmesuradamente com as notícias que lê nos jornais, com todas as tragédias humanas a que assiste. Um dia depara-se com o facto de não se lembrar do seu primeiro beijo, dos jogos de bola nas ruas da aldeia ou de ver uma mulher nua. Outro homem, seu vizinho, passa bem com as desgraças do mundo, mas perde a cabeça quando vê um chapéu pousado no lugar errado. Contudo, talvez por se lembrar bem da magia do primeiro beijo - e constatar o quanto a sua vida se afastou dela - decide ajudar o vizinho a recuperar todas as memórias perdidas. Uma história inquietante sobre a memória e o que resta de nós quando a perdemos. 


Opinião: "Viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, é aquilo que não fazemos todos os dias", eis uma citação que diz muito com tão pouco. Para começar, já passaram alguns anos (não sei quantos) desde que li um livro que me tocasse. Mas aconteceu com esta leitura. A riqueza das palavras é temperada pela sua súbtil simplicidade e, talvez por ser possível "tocar" cada uma dessa palavras, sentimos algo especial.

"Altitude", a meu ver, é aquela em que  sabemos que as nuvens estão lá mas não as podemos apalpar; em que sonhamos mas a realidade esmaga o peito como pedras. Assim sendo, numa história que começa com a morte do pai do narrador, em que se fale em separação e em perda da memória do vizinho, a maestria nas palavras arrebata-nos por completo. Ou seja, comentar muito mais seria estragar o que está muito bem feito.

 



Fui presa três vezes por causa das palavras. Podia esconder coisas incríveis em palavras tão banais que até me dava dores de estômago. Dizer sapatos ou pão ou sol poderia conter tantos significados. Ou simplesmente sardinha. Um peixe tem muitos nutrientes, não sei nomeá-los a todos, mas com as palavras acontece o mesmo. Têm óleos, vitaminas, proteínas, são a sua maneira de ser muito mais do que aquilo que são. Têm espinhas, quem é que nunca encontrou palavras com espinhas? Nadam, todas elas. Podemos olhar para uma frase e percebemos que aquilo é um mar, uma maneira de ser feroz, de navegar, de viajar, de ter peixes, de ter lágrimas. Eu acreditava que as frases eram armas capazes de mudar, de lutar, de resistir. Armas capazes de disparar um futuro (pág. 90).





 

 


 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O que dizem os teus livros? | A última entrevista

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Hoje, vamos terminar a rubrica "O que dizem os teus livros" com o Rui Sousa. Convicto de que os seus sonhos se irão realizar, ele é escritor, nas horas vagas, e no facebook, na página Onemanbook, vende o que escreve. É, leram bem. Os livros são escritos, colados, cortados, cozidos e vendidos pelo próprio.A paixão pela escrita, aliada ao gosto pela leitura, é a sua forma de estar e demonstrar uma certa rebeldia perante as regras impostas pela sociedade. Sem amarras, e de livre e espontânea vontade, aceitou responder às perguntas, que se seguem: 


 


Desde que idade tens uma paixão por livros? 


R:Desde muito novo. Apaixonei-me por eles quando descobri que eles eram capazes de me entender, o que na altura era coisa rara pois nem eu me entendia a mim próprio.


 


Qual o tipo de livro que costumas ler?


R: Gosto de livros que me empurrem, que me provoquem e me obriguem a lutar ou a dançar ou a amar com eles. Preciso de me sentir desafiado. 


 


O que gostas mais durante  a leitura? 


R:Quando o livro me transporta para bem longe da banalidade e dos lugares comuns do meu dia-a-dia.


 


Quais os fatores que influenciam a escolha de um livro? 


R: Normalmente escolho um livro baseado no livro anterior que li. Procuro um autor com referências semelhantes ao anterior. Não ligo a capas nem a top's nem a toda essa teia de enganos que apenas serve para manter o sistema a funcionar.


 


Descreve sentimentos que só um leitor entende. 


 R: Para mim um bom livro é um espelho. Não me refiro ao espelho no sentido narcisista, refiro-me ao facto de nós nunca sermos capazes de nos olharmos a nós próprios nos olhos. É algo que me obriga a encarar a minha realidade através das palavras e a ver para além dos muros da minha ignorância. Ler é viajar e perder-se no nosso labirinto de emoções.


 


As histórias, por vezes, têm uma enorme carga emocional. Já alguma vez choraste ou riste? Se sim, quais foram os livros em que isso aconteceu? 


R: Se isso não acontece durante a leitura então não vale a pena ler nada.A primeira vez que chorei foi a ler o Fernando Pessoa, na minha adolescência, e isso, para o bem e para o mal, fez de mim aquilo   que hoje sou.


 


O que dizem os teus livros? 


R:Os meus livros, aqueles que mexem mesmo comigo, tal como as pessoas que realmente admiro, dizem sempre aquilo que lhes apetece.


 



 


 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Línguas-de-gato | Surpresas e enganos # 17

Olá, sou nova por aqui. Isto é giro!!! Olá!!! Hãaaa, Olá!!! Está aí alguém? Miau?! Talvez se clicar deste lado. Tac Tac Tac...Olá!!! Aiiii, depressa. Tenho de desligar. Onde é que é? Vem aí o gato mal disposto e não posso falar mais. Adeus, gostei de falar um pouco (desliga).


Rsrsrsrsfufufufufufufufuuuuu. Desanda daqui, Pororoca! Já não há respeito nenhum! Quem te disse que podias usar este computador? Mau, miau!!! Chispa daqui!!! Esta gata está louca. Não se pode dar confiança. A mexer nas coisas da minha dona?! Bem, vamos ao que interessa verdadeiramente. Esta semana, passou muito rapidamente. Os humanos têm andado com muito trabalho e não tem parado nem para acender a lareira. Gosto tanto de estar deitadinho no sofá e olhar para o fogo. E só com a sua companhia sinto aquela paz caseira e leve. Por outro lado, eu não quero partilhar um momento desses com a intrometida da gaiata... Acho até que as línguas-de-gato não serão as mesmas! Há sempre uma presença (lá está ela, rsrsrsrsfufu) e fico nervoso e mal disposto! Não consigo dormir, sem ser com um olho aberto e outro fechado. Mas a minha cama, o meu prato e o cantinho no sofá são o meu território! Sem dúvida que tenho de ensinar as regras da casa e é uma pena eu não poder fazer um chichizito (já tentei mas a dona ficou muito aborrecida). É que não estou para ter surpresas tipo ovos kinder que aparecem não se sabe de onde e, embora com brindes, não arrisco a que me saia a fava. Oh, não!  Para cair em erro, como aquela senhora que rezava à estátua do senhor dos aneis julgando tratar-se de Santo António, teria que ser um santo gato. É, não gosto nada nem surpresas nem enganos, mau miau!