sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O que dizem os teus livros ? (10)

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A citação  "Nada é por acaso", que a Roberta do blogue Flames utiliza numa das redes sociais, é a prova real de que a distância só não é curta para quem não está destinado a cruzar-se. E, neste caso, o destino assim o quis e decidiu apresentá-la ao Mundo como: metade italiana e metade portuguesa. Por esse motivo (ou porque os seus olhos estão treinados para uma análise psicológica), não me atrevo a descrevê-la através de palavras comuns. Teria de a caraterizar como a pessoa mais próxima de um ser etéreo e delicado, dotado de um encantamento qualquer, o que, pela razão atrás invocada, poderá vir a ser mal interpretado... Adiante, "entremos na espessura", ou melhor na conversa:


 


Desde que idade tens uma paixão por livros? 


R:Não sei. Desde cedo. Os meus pais liam-me histórias quando era pequena, depois a minha tia começou a ler-me os livros de “Uma Aventura”. Sempre li, mas é uma paixão que aumenta de ano para ano.


 


Qual o tipo de livro que costumas ler?


R: É mais fácil dizer o que não gosto de ler. Confesso que os meus géneros preferidos são os policiais, os romances históricos e os clássicos da literatura inglesa, mas por causa do blogue e do canal cada vez leio mais coisas diversificadas.


 


O que gostas mais durante  a leitura? 


R:A leitura é a única coisa que me faz fugir da realidade e esquecer os problemas. Essa é a coisa de que mais gosto: o facto de entrarmos num outro “mundo”. Consigo embrenhar-me e esquecer tudo à minha volta. Recentemente descobri que o desporto tem o mesmo efeito em mim, mas a leitura continua a ser a minha maior paixão.


 


Quais os fatores que influenciam a escolha de um livro? 


R: Hoje é mais difícil porque felizmente, graças ao FLAMES e ao canal, acabo por ler imensos livros e conhecer autores que se calhar nunca me chamariam a atenção. Por isso mesmo, neste momento, o que me influencia mais na escolha de um livro é o autor. Tento ir “atrás” de autores que já conheço e que sei que não me irão desiludir.


 


Descreve sentimentos que só um leitor entende. 


R: Não sei… talvez aquela sensação de querer muito chegar ao fim de um bom livro para saber o final, mas ao mesmo tempo não querer continuar porque senão acaba... acho que é daquelas sensações que a maioria dos leitores sente…


 


As histórias, por vezes, têm uma enorme carga emocional. Já alguma vez choraste ou riste? Se sim, quais foram os livros em que isso aconteceu? 


R:Sim já. Estranhamente é mais fácil eu rir do que chorar com um livro. Lembro-me que chorei imenso com o livro “A Monster Calls”. Ri bastante sempre que apareceria o Fermin no livro “A sombra do vento” e também ri em algumas partes de “A amiga genial”. Não tem nada de extraordinário, mas houve uma parte em que desatei às gargalhadas.


 


O que dizem os teus livros? 


R: Dizem que sou uma pessoa que gosta de explorar vários géneros, mas que tem claramente os seus autores preferidos que se repetem e que gosto de manter. E dizem também que devia gastar menos dinheiro a comprar livros


 


 



 


 


 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Desafio ou problema?! | A minha vida é um livro!!!

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Acho que descobri o início da história e como esta surgiu n´ As crónicas de um café mal tirado. Tudo começou(nevoeiro)... num dia frio de Inverno, o primeiro dia do ano de 2017. Os donos do café estavam sentados à lareira e resolveram celebrar o segundo aniversário do seu estaminé. No entanto, tiveram de pedir opinião à mula, porque esta tinha sempre ideias muito originais e divertidas! E ela aceitou, toda feliz, mas, quando pensou melhor, sentiu um frio que a impediu de continuar. Teve, portanto, de pedir ajuda à Magda e, com pena dela, disse-lhe: "Coragem m´lher"; e, ao mesmo tempo, entregou um papel cheio de rabiscos, no qual se lia:


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Estas eram as regras para ganhar um café grátis, o que, com o frio, iria cair mesmo bem, pensou a Magda. Mas, 81 livros depois, como tinha tido muito trabalho durante o ano todo, visitou a nova vizinha no bairro, a Edite, e entregou-lhe o papel, como se de uma missão se tratasse, e esboçou o seu melhor sorriso maquiavélico: ahahahah!!!


Mas a história continua....


 


A pobre da Edite, que escrevia muito sobre um gato, andava preocupada com os ciúmes evidenciados pelo bichano, pelo que disse mal da sua vida. Nada corria bem! Não podia desvendar o plano meticuloso que traçara para  a viagem de Théo. E, embora considerasse que os gatos são muito bons para afastar energias negativas, lembrou-se que já não podia fazer férias, em Setembro, na quinta da avó por esta estar amaldiçoada. Era amaldiçoada porque nesse local, onde  as luzes de setembro pairavam, brilhava toda a luz que não podemos ver. Bem, a avó Maria nunca se importou com essa situação. Fosse o que fosse, para ela era tudo muito bonito! Era admirável esta sua capacidade de ver tudo de uma forma positiva, tal qual a Pollyanna ! E era ainda mais impressionante as palavras que utilizava. Dizia que a luz tingia de verde a quinta e que a Anne dos cabelos ruivos pedia à cerejeira, chamada princesa da neve, que na primavera explodisse em flor.


A avó Maria era ainda louca por compras e estava sempre pronta a regatear um bom desconto. Uma vez até dissera: "ai, os filhos da mãe , usurários, mesquinhos e somíticos!",  quando se zangara por não descontarem nem um cêntimo.Nunca a tinha ouvido praguejar. Ela era doce e simpática e costumava repetir a felicidade é um chá contigo. E  era!!! Com saudades a cair no rosto, a neta lembrava-se de todos os detalhes e de todos os verões em que, na quinta da avó Maria, foi furiosamente feliz. Ali respirava-se o ar puro e a agitação dos aldeãos, cujos rostos enrugados mantinham estampada a expressão de como é bom trabalhar! Era, no entanto, uma vida demasiado dura, tão dura que o centenário que fugiu pela janela e desapareceu nunca mais apareceu! Deve ter imaginado que somos todos idiotas! Mas não a avó Maria, porque na sua sabedoria, algo pontiguada, dissera que o sino da islândia estaria escondido no campanário da igreja! Era mais um dos mitos urbanos e boatos! Que triste cena, e pensar que a avó Maria sabia mais do que dizia e que o centenário possuía mesmo esse sino, porém, era apenas uma cópia do simbolo tradicional da Islândia! Oh, meu Deus, onde será que ele estará? Era tão velhinho e deveria ter cem anos ou mesmo mais.Toda a gente sabia que a avó Maria não correspondia à sua paixão assolapada e, se a tivessem obrigado a casar, era mulher para entrar n´a loja dos suicídios. Não que ela se fosse matar, credo! Era o nome que dava à farmácia do bisavó, dado que, segundo ela, os remédios criavam mais doenças do que as que curavam.


A avó Maria tinha destas singularidades e um sentido crítico apurado. Costumava, ainda, criticar os jovens estudantes que passeavam os livros, só porque tinham juventude e esperança  de vir a ter um emprego bem remunerado. Referindo-se a eles como a geração mil euros da preguiça, nunca aceitou o destino da neta, nem a submissão às letras por causa de um gato. Ainda se escrevesses o livro dos baltimore!, dizia ela já perto do fim, agora só pensas em ser a miúda online como se isso pusesse pão na mesa! 


Logo, logo, não se lembrava do que tinha dito. A sua memória estava já a falhar e a neta folheava o álbum de verão para avivar as memórias da avó, um autêntico manifesto de como ser interessante. Numa das fotos, viam-se homens, em trajes de caça, todos contentes porque mataram a cotovia. Nessa época soou como mau presságio, mas estavam enganados, porque a minha mãe já estava em teu ventre


A desumanização só ocorreu depois, quando as pessoas de idade ficaram sozinhas. Os mais novos emigraram ou foram para as cidades. 


Nesse álbum, existiam, ainda, fotografias do bisavô, farmacêutico de profissão, e a avó Maria contava que ele gostava de criar remédios especiais e que acreditava na fórmula eu sou deus; e nem o projeto rosie o convenceu que procedia como um autêntico louco! Toda a sua vida procurou curar a avó Maria da sua doença de pele, em forma de rosácea, e fazia-a experimentar tudo e mais alguma coisa.


Estou para aqui a narrar tudo sobre a avó Maria mas o diário de edith tem o relato de tudo o que a avó lhe contou sobre o bisavó. Esse diário foi-lhe dado pela amiga genial e ela considerou essa dádiva como o melhor presente de todos. Nele escreveu a história de três gerações, com letra miúdinha, e na adolescência escreveu sobre o amor em tempos de cólera. Sentiu muita raiva da maestra por esta a impedir de namorar com o pianista mais lindo à face da terra, porém, encarou esse maldito karma como se fosse a avó Maria e acredita que ela agora sorri algures, superando qualquer sorriso maléfico da Magda...


Quem é que vinga quem?! Buahahahahahah...


 


Bem, agora é a minha vez de passar o papel à: 


Sara, se bem que, em jeito de desabafo, poderá não aceitar;


Patrícia, que irá dedicar toda a sua atenção aos melhores livros;


Ana, pelo sorriso que consegue arrancar;


Sandra dado que gosta de desafios;


Maria cujas memórias são baseadas na vida.


 


A todas muito obrigada, e espero que aceitem o repto !


 


 

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O que dizem os teus livros? (9)

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 Hoje, vamos conhecer a Patrícia do blogue Ler por aí. É um blogue que acompanho e fiquei surpreendida, porque não é fácil descobrir muito mais sobre a Patrícia.Enigmática e com um sentido crítico apurado diz não querer parcerias, uma vez que gosta de dar opinião apenas sobre aquilo que gosta.No último post deixa "votos de fantásticas leituras em 2017 e um pedido especial: Leiam escritores portugueses, desafiem-se, leiam livros diferentes dos que fazem parte da vossa estante, arrisquem. Ou então não. Mas leiam. Leiam sempre".


 


Desde que idade tens uma paixão por livros? 


P:Desde sempre. Não me conheço sem esta paixão, e a verdade é que aprendi a ler pela pura vontade de mergulhar nos livros. Os meus pais sempre estimularam este vício bom e relembro com alguma saudade os Natais da minha infância e a pilha de livros que, no final do dia 25, prometia muitos dias de felicidade. 


 


Qual o tipo de livro que costumas ler?


P:Leio (quase) tudo. Tenho um fraquinho pela fantasia, para dizer a verdade, mas cada vez mais gosto de variar o tipo de livro que leio. Gosto de livros que me desafiem de alguma forma, seja pela imaginação ou pela crueza da realidade. Gosto de livros que obriguem a pensar, que me façam questionar o que me rodeia.


 


O que gostas mais durante  a leitura? 


P:Da promessa que cada livro não lido contém. Da fuga que proporcionam e de que tanto necessito às vezes. Da sabedoria. Das possibilidades. Durante as horas que mergulho num livro posso ser tudo. Acima de tudo isso, ser diferente.


 


Quais os fatores que influenciam a escolha de um livro? 


P:Já escolhi livros pelo título, pela capa, pela sinopse, porque me recomendaram, porque é de um autor que já li, porque é de um autor que nunca li.  Enfim, não sou muito leal às razões que me levam a escolher um livro.


Mas nos últimos anos o facto de ser um livro de escritor Português é decisivo.  Comecei a descobrir o quão bem se escreve por cá muito tarde e sinto que tenho que ganhar terreno ao tempo que não tenho. Para mim é importante ler os nossos escritores, conhecer a nossa literatura. E tenho-me divertido imenso à conta desta decisão.


 


Descreve sentimentos que só um leitor entende. 


P:O Natal está a aproximar-se e já estou a preparar-me para a desilusão de abrir um presente e não ser um livro. Todas as pessoas que dizem que não nos oferecem livros porque “já tens muitos” ou “Não sei qual te hei-de dar, tens tudo” não têm a noção, pois não? Nunca teremos demasiados livros (se há conceito que não existe é este “demasiados livros”), não temos nem perto de todos os livros que gostávamos de ter e há algo maravilhosos chamado “talão de troca”. E oferecer um livro (pode ser de bolso ou em segunda mão, ficam ao mesmo preço da caixa de chocolates) a um leitor é uma prova de amor. 


 


As histórias, por vezes, têm uma enorme carga emocional. Já alguma vez choraste ou riste? Se sim, quais foram os livros em que isso aconteceu? 


P:Sou um bocado pedra, confesso. Mas já chorei e já me ri no mesmo livro até. Aconteceu, por exemplo no “A máquina de fazer espanhóis” do Valter Hugo Mãe. E ri imenso no “As viúvas de dom Rufia” ou no “Os demónios de Álvaro Cobra” ambos do Carlos Campaniço.


 


O que dizem os teus livros? 


P:Alguns perguntam porque estão esquecidos na estante J, outros porque estão tão riscados, com as páginas dobradas (a esses digo-lhes que isso são provas de amor) e outros reclamam pelos vizinhos que têm. Mas no fim de contas, a minha estante é uma festa, com toda a gente misturada


 



 


 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Línguas-de-gato | A literatura do poucochinho na tenra idade # 16

Tenho 70 anos, em anos de gato, e começo o ano de 2017 a desesperar com a nova habitante cá de casa. A dona nada faz, nada diz e eu é que tenho de dar o exemplo?! A gaiata Pipoca é de uma infantilidade brutal, mas todos gostam do seu ar fofinho. Ela entrou em alta no ano 2017 e eu não! Fujo? Não fujo? Estou aqui a delinear uma estratégia e a melhor forma de me evadir quando a porta for aberta. Ainda me lembro que, na véspera de Ano Novo, a Pipoca fez cocó na sala! Zangaram-se (a meu ver, muito pouco) e ela ficou na varanda. Estava prestes a celebrar a minha vitória com um miau especial, quando começaram a falar em formação latrinária. Bem, isso não é tudo. Foram mais longe. Demasiado. Porque vão colocar a gaiata na minha salinha?! Parece que irá aprender comigo (rsrsrsrsrsfufufufu).Humpf, não concordo nada. É que isto da literatura em tenra idade tem de ser gradual. O poucochinho crescimento inteletual da gaiata Pipoca é apenas equiparado ao comentário do PM: nem faz nem aumenta um poucochinho?! Raios e coriscos, o meu país é um cubículo sanitário partilhado?!

sábado, 31 de dezembro de 2016

Primeiro desejo para 2017 : que NADA FALTE!

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Esta é a frase de inspiração para o ano 2017! Mas, às vezes, a imaginação falha e não ocorre nada. Então surge uma espécie de vazio e não há palavras que preencham o ecrã... 


Assim, o meu desejo, para o Novo Ano, é que nada falte: nem saúde, nem paciência, nem amigos, nem dinheiro, e nem mesmo inspiração.


Se nada faltar, teremos o necessário para o Brainstorm. E o que é o Brainstorm, além de imaginação e de escrita torrencial?



O brainstorming (literalmente: "tempestade cerebral" em inglês) ou tempestade de ideias, mais que uma técnica de dinâmica de grupo, é uma atividade desenvolvida para explorar a potencialidade criativa de um indivíduo ou de um grupo - criatividade em equipe - colocando-a a serviço de objetivos pré-determinados (aqui).



 


Para mim, o Brainstorm de 2016 foi profícuo e especial. Consegui extravazar os pensamentos que me enchem a cabeça. E é terapêutico, acreditem!