Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
Fernando Pessoa, em "Mensagem".
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Isto
domingo, 16 de outubro de 2016
Línguas-de-gato | Mixórdia de palhaçadas # 7
Hoje, foi dia de aniversário. A minha dona levou os filhos para uma festa. Houve brincadeiras, uma Pinhata, música e doces. Eu fiqueiem casa e esperei que regressassem. Depois, quando vieram, tentei pôr a pata auma goma divertida e escorregadia, em forma de minhoca. Daí a um bocado, ouvi o jornalista a falar na televisão. Não sei se percebi bem, pois ainda estava entretido com a minhoca, que era difícil de apanhar. Ao que parece já não se devem usar palhaços nas festas? Acho que há um certo mal-estar generalizado,nos Estados Unidos da América, na Austrália, no Canadá, ou até no Brasil. E dizem que é uma moda que está a gerar polémica! Percebi que as pessoas decidem disfarçar-se de palhaços assassinos, sair à rua, durante a noite, e que depois vão a correr atrás das pessoas que passam. Também há relatos de serem utilizadas facas para assustarem crianças! Acho que não entendi bem. O raio da minhoca distraiu-me um bocado e, quando consegui pô-la na boca, tive de cuspir porque sabia muito mal. O meu paladar felino não se habitou a este tipo de mixórdias. Ah, lembrei-me agora. Estava outra senhora a dizer que “onde é que anda o nosso país, onde é que anda a nossa cultura, onde é que anda os nossos ouvidos, onde é que anda a nossa visão, onde é que anda tudo” eque não quer ouvir “mixórdias musicais”. Bom. Estou um pouco baralhado, se calhar devido ao açúcar da minhoca. Acho que isto refere-se a outro tipo de palhaçadas.Aliás, os palhaços assassinos são perigosos e os países em causa já estão em alerta, até porque se aproxima o Halloween; já em relação às outras palhaçadas, que se tornaram num vírus e que necessitam da vacina contra a gripe D, acho que se tornou no maior disparate musical que ouvi na minha vida. O que é que eu aprendi hoje? Não se metam com palhaços assassinos e, sobretudo, não dêem crédito, não filmem, não passem na televisão, pessoas que, não estando disfarçadas, é como se estivessem. Que mixórdia de palhaçadas!
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
O Prémio Nobel é uma mensagem | A sério? #5
Uns, aplaudem. Outros, nem por isso. O Prémio Nobel da Literatura, atribuído a Bob Dylan, surtiu um efeito Woouuuu de surpresa geral. Também fiquei estupefacta e, apesar de já conhecer Bob Dylan, não me pareceu bem. Quanto às letras poéticas, isso, por si só, não justifica a atribuição de um prémio a alguém que escreveu, quase todas as letras, nos anos 60 e 70. Sei que, nessa época, existiram as revoluções sociais e culturais com os hippies, mais drogas, mais revolução sexual e mais os protestos dos jovens contra os governos. Mas esses foram anos em que eu ainda não tinha nascido. Não vivenciei de perto e parecem uma realidade distante (?). No entanto, na minha cabeça, surge uma pergunta: será que atribuir o Prémio Nobel, a um americano, é uma mensagem política? Suponho que sim.
Tradução | Knockin on Heaven´s Door (1973)
Mãe,tira esse distintivo do meu peito
Eu não o posso mais usar
Está ficando escuro, escuro demais para ver
Sinto-me como se estivesse a bater na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Mãe, põe as minhas armas no chão
Eu não as posso mais disparar
Esta fria nuvem negra está descendo
Sinto-me como se estivesse a bater na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Sinto-me como se estivesse a bater
Eu não o posso mais usar
Está ficando escuro, escuro demais para ver
Sinto-me como se estivesse a bater na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Mãe, põe as minhas armas no chão
Eu não as posso mais disparar
Esta fria nuvem negra está descendo
Sinto-me como se estivesse a bater na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Sinto-me como se estivesse a bater
terça-feira, 11 de outubro de 2016
A inspiração fugidia
Quando não encontro inspiração, procuro viver um dia de cada vez.
Sem pressa. Apenas um dia de cada vez.
Mais rapidamente morria o vento que tentou soprar a fugaz
Dificuldade de concentração. Procuro sonhar um pouco.
Sem pressa. Apenas um sonho de cada vez.
Um dia alcançarei a palavra mais longínqua da memória.
Sem pressa. Apenas uma palavra de cada vez.
Um dia voarei para o mais recôndito infinito do tempo.
Sem pressa. Apenas um voo de cada vez.
Desaparecerei e rastejarei a ilusão daquilo que fui.
Sem pressa. Apenas uma ilusão de cada vez.
Procurei viver sem inspiração, desde quando?!
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
O Diário de Edith, de Patricia Highsmith # 26
Autora: Patricia Highsmith
Ano:1999
N.º de Páginas: 343
Editora: Gradiva
Sinopse: Na sua pequena mas bonita casa da Pensilvânia, onde vive com o filho e um tio senil, Edith observa o dia-a-dia sufocante. Inevitavelmente, insatisfeita com a sua vida, esta mulher oriunda da burguesia começa a apresentar um comportamento invulgar à luz dos padrões de conduta mais comuns. E, assim, refugia-se num diário onde constrói uma vida completamente diferente, acabando até por ajudar a ocultar um crime...
Opinião: O livro em si transmite uma sensação de angústia, a qual provém da necessidade de continuar a trabalhar, a escrever e a ignorar-viver. Assim, ao mesmo tempo que a história nos atrai, em certos aspectos sentimos uma certa necessidade de nos afastarmos daquilo tudo. O que é descrito, sobre Edith, é o dia-a-dia de uma mulher que cuida da casa. No entanto, aproxima-se de uma realidade que é enfadonha e injusta para ela, uma vez que quer apenas escrever e ser reconhecida por isso. Como isso não acontece, ela, no seu diário, cria uma vida diferente, sobretudo, para o filho.Quem a pode censurar, quando Brett não se interessa pela educação do filho nem cuida do tio George? Sinceramente não gostei de Brett e não gostei nada do filho, Cliffie. Serão, provavelmente, o reflexo da sociedade norte-americana dos anos 70, mas eu torci para que ambos tivessem um final infeliz.
Julgo que a escritora teve a intenção de transmitir as consequências daquilo que a sociedade exige às mulheres (qui ça a ela própria). Essa pressão fez com que Edith procurasse o apoio na sua tia Melanie, no seu diário e num mundo só dela, já que o real em nada correspondia às suas expectativas.
É, portanto, um triller psicológico interessante e é, sem dúvida, uma crítica feroz ao "sonho americano".
Citação: "Pensou na injustiça, sentiu a sua noção pessoal de injustiça combinar-se com a louca, complexa injustiça da situação no Vietname, um país onde a corrupção, como toda a gente sabia, era um modo de vida, uma coisa normal"(Pág.341).
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