
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Expresso_Paris-Granville
Depois de terminar a leitura de O Expresso de Paris, fiquei a pensar na imagem com que a autora nos presenteia no final — uma locomotiva a atravessar uma estação, a destruir uma parede e a ficar pendurada sobre a rua, como se o tempo tivesse parado ali, naquele segundo. A autora oferece-nos alguns pormenores históricos nas últimas páginas, é verdade, mas confesso: sou curiosa. E aquela fotografia, tão real, tão absurda, tão assustadora, não me saiu da cabeça. Fui investigar.
O acidente aconteceu a 22 de outubro de 1895, na estação de Montparnasse, em Paris. Um comboio vinha de Granville com um ligeiro atraso. O maquinista, ansioso por compensar os minutos perdidos, acelerou demasiado. Ao chegar à estação, não conseguiu travar. A composição passou pela plataforma, rompeu as barreiras de segurança, atravessou a parede e... caiu. Literalmente. A locomotiva número 721 ficou pendurada na fachada do edifício e caiu de uma altura de cerca de 10 metros até à rua, matando uma única pessoa: uma senhora que vendia jornais na via pública, no pior lugar possível, no pior momento possível. A fotografia do desastre tornou-se famosa — reproduzida em jornais, postais e até em obras de arte. Foi retirada com recurso a um guincho e à força de 14 homens. Um episódio tão surreal que parece ficção, mas foi real. E tornou-se símbolo de um tempo em que o progresso era veloz, mas nem sempre seguro.
É fascinante ver como um romance pode abrir caminho à curiosidade, ao espanto e à descoberta. E como uma imagem, mesmo antiga, mesmo a preto e branco, diz tanto sem palavras que nos prende e torna impossível ignorar. Cada história guarda um fragmento do mundo, uma verdade que só se revela a quem tem a paciência de ir além do visível. E é nessa busca que a leitura se torna uma viagem sem fim.
2 comentários:
Muito interessante, fiquei curiosa com o livro. Da autora, só conheço mesmo o filme de «O quarto de Jack»
Gostei ainda mais do livro depois de saber estas curiosidades.
Obrigada pela Partilha
Bom Domingo!
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