terça-feira, 24 de junho de 2025

 Uma Catastrófica Visita ao Zoo, de Joël Dicker 

 



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Tinha de o ler. É Dicker, claro. E surpreendeu-me. 

 

Uma visita ao zoo, um desastre, anos de silêncio… e uma criança que, já adulta, decide contar tudo. 

Gostei muito da leveza e do humor da narrativa, assim como da forma como o autor trata temas importantes como democracia, inclusão e diversidade. 

Sei que o autor escreveu esta história com a intenção de ser lida por adultos a crianças ou jovens, e a mensagem funciona bem nesse registo. 

 

Agora, a minha reflexão. 

 

No formato em que o livro está, creio que a ideia do Joël é, na verdade, mais para os adultos lerem (ou confirmarem se leem) estas histórias e mensagens — um convite à reflexão e à empatia que talvez nem todos exercitam tão frequentemente. 

E essa perspetiva vai mesmo ao encontro da ideia de José Saramago, que defendia que os adultos deveriam ler livros infantis por si mesmos, para reaprender valores simples e essenciais. Como ele escreveu: 

 

“E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar ? ". 

 

Em resumo, sinto que fui um pouco enganada aqui. Porquê? Porque este livro não corresponde ao estilo habitual do Joël, que costuma ser mais direto. Ao longo da leitura, deparei-me com um tom de ironia divertida e subtil que me levou a questionar quem será, afinal, o público-alvo desta obra. A mensagem parece estar escrita de forma a captar a atenção dos mais novos, mas ao mesmo tempo provoca uma reflexão profunda nos adultos, quase como um convite para estes olharem para si próprios através dos olhos das crianças. 

É um livro que nos desafia a pensar, a sorrir com cumplicidade e a dar voz às pequenas vozes — aquelas que tantas vezes são ignoradas, mas que, na realidade, têm muito a dizer e, por vezes, até têm mais razão do que os adultos.

 Já conheciam este lado do Joël Dicker?

3 comentários:

Inês disse...

Li e também gostei

editepf disse...

Eu também, só que sou um bocado sensível ao tom de ironia nada habitual no Joël e fiquei um pouco de pé atrás quanto a isso. Parece-me que a mensagem é mais para os adultos do que propriamente para as crianças. O que achaste? 

Inês disse...

Parece-me que pretende agradar a público de todas as idades