sábado, 16 de dezembro de 2023

Vista Chinesa, Tatiana Salem Levy

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"Se em algum momento parecer que enlouqueci, saibam que ninguém é verdadeiro na lucidez".


Baseado numa história real de uma amiga da autora, o livro "Vista Chinesa" conta a história de Júlia, uma mulher que sofre um terrível ataque enquanto estava a correr no famoso miradouro no Rio de Janeiro, que tem o nome que deu o título ao livro, ou seja, Vista Chinesa.


Após sobreviver ao trauma, anos depois, já mãe, ela relembra os eventos traumáticos, lidando com emoções como dor, raiva, medo e a jornada de superação.


A narrativa é intensa e célere, e a forma como está escrito espelha de forma fiel a jornada emocional em que o trauma domina os pensamentos e ações de quem passou pela situação.


Não é uma leitura fácil, dei por mim a gostar e detestar ao mesmo tempo .


Durante a leitura senti que o sofrimento e a angústia nunca mais acabavam, quando o livro é pequeno, e, depois, que terminou depressa demais...


Gostei bastante por conseguir passar tantos sentimentos contraditórios, merecendo destaque principal a forma como está escrito.


Quem já leu?
Sentiram o mesmo?


 

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Este post não é sobre livros

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A adolescência é um período repleto de descobertas, mudanças e experiências marcantes.
Muitos produtos da Body Shop têm o poder de nos transportar de volta a essa fase.


Lembro-me de como os aromas frescos e frutados das suas linhas de produtos, como o gel de banho de morango ou a loção de manga, eram uma espécie de assinatura da juventude para muitos de nós.


Eles não só cuidavam da nossa pele, mas também se tornaram símbolos de uma época cheia de energia e novidade.


É tão bom voltar a comprar produtos que nos trazem recordações e que cheiram tão bem!


Sou a única, ou concordam comigo? 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Um Dia em Dezembro




terça-feira, 2 de maio de 2023

Ler muito, ou pouco, eis a questão.

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Este é um comentário que urge rebater e ter sempre resposta pronta, mas, para mim, já nem faz mossa. Tomara ter tempo para poder ler e concentração, que, por vezes, também falta...O resto, a rotina, o trabalho, as lides domésticas, os filhos, os problemas, os colegas de trabalho, os amigos, a família, as viagens, as compras, tchiiii tinha muito para contar, só que, ah, e tal, depois não faziam mais nada perante um monólogo que vos "espetava" com todos estes assuntos que me ocupam a cabeça, e pasme-se, NÃO é a ler. 


Ler muito, ou pouco, é, assim, a questão de hoje. 


 


 

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Sublinhar o passado

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Lembrei-me no outro dia do Livro Secreto e dos sublinhados no livro de José Luís Peixoto, Em teu Ventre ( https://olivropensamento.blogs.sapo.pt/uma-peregrinacao-secreta-com-em-teu-128354). Por exemplo, este:



A vontade é a crença num sonho futuro.



 


E foi a propósito das palavras não distorceram mundo, mas a vontade, que fiquei a pensar se no futuro aparecerá outra iniciativa do género...


 

segunda-feira, 3 de abril de 2023

A verdade da mentira

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Sinopse: Anna Andrews tem finalmente aquilo que sempre desejou, ou quase… Ao fim de muitos anos de trabalho árduo, conseguiu enfim tornar-se apresentadora do noticiário da BBC. Mas, porque o acaso se encarrega muitas vezes de desarranjar os sonhos, Anna vê-se novamente como repórter, a cobrir o assassinato de uma mulher em Blackdown, uma pacata vila inglesa onde ela própria viveu a sua infância e adolescência. O inspetor-chefe Jack Harper deixou Londres por um motivo, mas nunca pensou que acabaria a trabalhar em Blackdown, e muito menos como principal suspeito do crime que está a investigar e que, de dia para dia, se reveste de contornos cada vez mais sinistros.




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Opinião:  



Este thriller psicológico supreendeu-me, pois não estava à espera de gostar tanto. É difícil eu não encontrar falhas, mas a leitura foi de tal forma compulsiva que não encontrei nenhuma. Ah, esperem, encontrei, sim, mas não posso revelar! 😄

A história é contada na perspectiva dele (inspector da polícia) e dela (jornalista da BBC) quando estão surge um homicídio de uma mulher em Blackdown, no entanto, ambos poderão estar implicados, porque ambos estão a mentir.

Tudo indica que o assassino é ele, mas ao mesmo tempo ela tem motivos para isso.Quem estará afinal a contar a verdade? Nesta leitura acompanhamos duas versões da história e depois há ainda outra versão: a verdade do assassino.

O caso reveste contornos cada vez mais sinistros à medida que vão aparecendo mais corpos, o que me manteve agarrada à leitura até ao final.O enredo é bom e achamos que descobrimos a verdade mas então percebemos que não, pois ambas as perspectivas são contraditórias.

E querem saber uma coisa? Gostei de tudo menos da "falha" no final. Agora pergunto, será que estarei eu a dizer a verdade?

Quem me conhece sabe que sim, mas para confirmarem vão ter de ler este livro.


Aviso : é viciante e mantém o suspense até ao fim.


 


domingo, 2 de abril de 2023

Sonho

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O sonho é ver formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.


Fernando Pessoa

quinta-feira, 30 de março de 2023

A arte de saber...

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Sinopse: Numa aldeia tranquila aninhada nas montanhas birmanesas, há uma pequena casa de chá de aparência modesta onde o calor é sufocante e os habitantes recebem os forasteiros com um olhar prudente. Julia Win, uma jovem nova-iorquina que acaba de chegar, voltaria de bom grado para casa se uma força inevitável não a mantivesse ali. O seu pai, um famoso advogado de Nova Iorque, desapareceu repentinamente sem deixar rasto. 


Nem a mulher nem a filha fazem ideia de onde ele possa estar... até que encontram uma carta de amor que ele escreveu há mais de quarenta anos para uma mulher birmanesa da qual nunca ouviram falar. A carta começa com estas tristes palavras: «Minha amada Mi Mi, cinco mil oitocentos e sessenta e quatro dias se passaram desde a última vez que ouvi o teu coração bater...». 


Com a intenção de desvendar o mistério e entender o passado do pai, Julia viaja até ao lugar onde ele conhecera aquela mulher. Ali, vai sentir o seu pai mais próximo do que nunca, mas... será capaz de o encontrar? 




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Opinião:  



Julia Win é uma jovem nova-iorquina que viaja até à Birmânia para encontrar o pai que desapareceu repentinamente sem deixar rasto com a intenção de o encontrar e de desvendar o mistério sobre uma mulher no passado do pai.E depois? Depois, há um segredo. A história promete ser mágica e provar como o amor que sobrevive à distância e ao tempo. Será assim?



Eu nunca tinha ouvido falar no livro até ser apresentado pela Carla (livros com asas) no último encontro do Clube de Leitura Livros &C.ª. E foi assim que descobri um livro com o qual senti uma imediata ligação, dado que gosto do que é diferente. O título também só por si chama a atenção, mas um bom mistério sabemos que faz maravilhas.



No início da leitura, senti que a história poderia ter sido escrita por um japonês e que o romance se iria passar junto de amendoeiras em flor.

Não podia estar mais enganada.

As montanhas da Birmânia são o pano de fundo. Os personagens não são simples. Nas suas vidas há de tudo, felicidade, tristeza, coragem e traição.
A história desenrola-se a um ritmo que só o leitor tentará apressar. Tudo tem o seu tempo e a seu tempo tudo se saberá.



Desta leitura retirei que "A arte de saber o bater o coração" reside em todos nós na forma simples como damos valor ao que é verdadeiramente importante: o amor.


terça-feira, 28 de março de 2023

Na conversa da espuma,

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Sei que a vida


que desejo


é ser feliz,


em tempo de acordar.


 


Às vezes a melhor descida


é ensejo


de acertar


o que fiz


no lento caminhar.


 


A entoação dispersa


pelo ar pé-de-vento


entra pelo mar adentro


em elegia à espuma perversa.


 


Bebo tudo num trago


que trouxe


o alento


amargo e doce.


 


As palavras vazias  


envoltas na onda perversa


 significam muito mais,


porque têm o sal dos ais


deixando-se ir na conversa


da espuma, há dias.


 


 

segunda-feira, 27 de março de 2023

A culpa é do título

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Sinopse: Ottessa Moshfegh, uma das mais importantes novas vozes literárias, narra neste romance os esforços de uma jovem mulher para se esquivar aos males do mundo.


Para tal, embarca numa hibernação prolongada, com a ajuda de uma das piores psiquiatras da história da literatura e com as enormes doses de medicamentos por ela prescritos.




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Opinião:  



Outra estreia, quer relativamente à autora quer pelo facto de ter comprado o livro só pelo título. Vou então culpar o título porque induz uma ideia que não corresponde à verdade.


Na minha cabeça, um ano de relaxamento passaria por ler todos os livros que ainda não li! Ou seja, quando comecei a ler que se tratava de uma experiência de hibernação por um ano à custa de vários medicamentos percebi que não se enquadrava no meu ideal livrólico de relaxamento (embora perceba a ideia de que apagar os sentimentos possa ajudar a ultrapassar o sofrimento com a morte de alguém próximo).


A história passa-se desde o ano 2000 até  2001 e a narradora é jovem. Ela tem um apartamento que, por morte dos pais, recebeu como herança assim como dinheiro na conta bancária. Quando é despedida por dormir no serviço resolve que o melhor é dormir durante um ano! Para o conseguir consulta uma psiquiatra que é uma absoluta nulidade, dado que acredita em todos os sintomas que ela lhe vai relatando.A psiquiatra até está bem retratada e acho que poderá ser entendida como uma crítica aos profissionais de saúde que não estão verdadeiramente a ajudar os pacientes ao limitarem-se a prescrever medicamentos.


Nesta história, além da crítica aos profissionais de saúde, passou também a ideia de que as pessoas ricas podem ser deprimidas à vontade porque têm mais hipóteses não fazer nada (o que não deixa de ser verdade).


Não obstante, o facto de não se poder comprar felicidade não significa que não se possa comprar tempo, uma vez que ter tempo para cuidar de si próprio/a é um luxo que é negado à maioria das pessoas que não têm dinheiro e que têm de ir para o trabalho todos os dias, mesmo deprimidas. 


Otessa, provavelmente, pretendia com esta história demonstrar como alguém pode andar sonâmbulo pela vida. Infelizmente, não gostei da pouca evolução da história, nem do tratamento dado à amiga, que também tinha problemas mais do que suficientes.


 No final, fiquei super feliz por ir ler o que me apetecer em absoluto relaxamento.


sexta-feira, 24 de março de 2023

"Prima-ver-ar o teu olhar"

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A Luz invade o teu 


olhar.


Corre suave


o som


do despertar,


da vida,


que continua


aceleradamente.


A cor repousa 


no Instante


em que observas,


transformando os dias


em tempo de amor.


Mas mesmo sem ver


ela volta


para te aquecer,


iluminando os teus dias


em tempos de Primavera.


 

O Clube de Leitura Livros e C.ª

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quinta-feira, 23 de março de 2023

A velhice devia habitar apenas a alma (digo eu)

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Sinopse: Em plena Baixa do Porto há uma rua icónica com uma fiada de prédios, onde os modos tripeiros convivem com a música dos artistas, a sinfonia das obras, a vozearia dos bares e os bandos de turistas curiosos. É numa dessas casas que vive a octogenária Piedade desde que se lembra e onde tem amigas de longa data. Mas o terror instala-se quando - ofuscados pelo potencial deste Porto Antigo - os proprietários e investidores não olham a meios para se livrarem dos velhos inquilinos, que vão resistindo às suas ameaças como podem, mas começam a sentir na pele as represálias.

Neste cenário tenso e desumano desenrola-se a história de Três Mulheres no Beiral, que é também a de uma família reunida por força das circunstâncias, mas dividida por sentimentos e interesses: Piedade, que trata a casa como gente; José Maria, o filho incapaz de se impor e tomar decisões; Madalena, a neta que regressa com a filha ao lugar onde foi criada para reviver episódios marcantes do seu passado; e Eduardo, o neto egocêntrico e conflituoso que sonha ser rico desde criança e a quem a venda da casa só pode agradar.

Com personagens extremamente bem desenhadas num confronto familiar que trará ao de cima segredos que se pensavam esquecidos e enterrados, Susana Piedade mantém a expectativa até ao final neste romance notável e de rara humanidade que foi finalista do Prémio LeYa em 2021.




 



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Opinião:  



Este livro foi a minha estreia com esta autora e a escrita deixou-me rendida. Mas...
A história é bastante plausivel, realista e dura, e um tanto a puxar a melancolia, ou não fosse o tema de fundo a velhice, a solidão, sentimentos e segredos de família.
A personagem principal, Piedade, é uma senhora idosa com a qual criei empatia imediata. Ela vive numa casa na Baixa do Porto e o terror instala-se quando os potenciais investidores fazem ameaças para se livrarem dos inquilinos. A meu ver quando há negócios é sempre assim e o pior é quando a família também quer tirar aproveitamento da situação.
Gostaria muito de ter adorado esta história, mas, e agora passo a explicar, fiquei um tanto deprimida, porque a velhice bem que poderia apenas habitar na alma e porque era bem melhor sermos velhos só por dentro e não por fora. 


Este livro fez-me pensar e sentir e há momentos na vida em que prefiro a ficção à realidade. Este foi um deles.Pronto, tenho dito. Em minha defesa argumento que enquanto leitora transporto muito de mim para as leituras e por isso nem sempre tenho a mesma opinião. 


segunda-feira, 20 de março de 2023

Experiências de quase morte

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«Quando és criança, ninguém te diz: vais morrer. Tens de descobrir isso por ti. Algumas pistas são: a tua mãe a chorar e, depois, a fingir que não estava a chorar; não deixarem os teus irmãos virem visitar-te; a expressão de preocupação, gravidade e um certo fascínio com que os médicos olham para ti; a maneira como as enfermeiras se esforçam por não te olharem nos olhos; familiares que vêm de muito longe para te verem. Quartos de hospital isolados, procedimentos médicos invasivos e grupos de estudantes de Medicina também são sinais claros. Ver ainda: presentes muito bons.»

Uma doença na infância que deveria ter sido fatal, uma fuga em adolescente que quase termina em desastre, um encontro assustador num caminho isolado, um parto arriscado num hospital com falta de pessoal - estes são apenas quatro dos dezassete encontros com a morte que Maggie O’Farrell, autora multipremiada e uma das vozes mais interessantes da literatura atual, relata na primeira pessoa. São histórias verdadeiras e fascinantes que impressionam, comovem, arrepiam e, sobretudo, nos fazem recordar que devemos parar, respirar fundo e ouvir o bater do coração.




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Opinião:  



Já há muito tempo que queria ler este livro de não ficção, mas só recentemente consegui encontrar o livro na Biblioteca Municipal. Neste conjunto de 17 pequenos textos a autora conta momentos em que a sua vida esteve em risco sempre associado a uma parte do corpo ( coração, cabeça, pescoço, etc). São momentos de alguma preocupação, no entanto, não senti que me estivesse a preocupar muito. Talvez porque a escrita desta autora é simplesmente maravilhosa e cativante. Talvez porque cada história está muito bem contada. Ou talvez porque só me apercebi de que se tratava de não ficção depois de pesquisar sobre o livro e a autora. São muitos talvez, é certo, e creio que a vida também é assim, um conjunto de talvez em que esperamos sobreviver ao dia a dia, aos problemas, mas talvez ainda não seja hoje o dia em que estava destinado a morrer.


Deixo a nota das dúvidas que assolaram o meu pensamento (se bem que que gostei imenso de ler).





quinta-feira, 16 de março de 2023

Thriller "à moda" dos nórdicos

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Sinopse:


Os inspetores Peter Lindgren e Manfred Olsson enfrentam um crime chocante: uma jovem mulher foi decapitada numa casa de classe alta nos subúrbios de Estocolmo. Um crime que se torna mais perturbador pela semelhança com um assassínio por resolver, dez anos antes. Só que, desta vez, a polícia tem um suspeito.
Jesper Orre é o carismático e controverso diretor executivo de uma famosa cadeia de lojas, e o dono da casa onde a mulher foi assassinada. Nada no seu perfil, contudo, nem mesmo a fama de playboy, sugere que possa ter cometido um crime semelhante. Além de que ninguém sabe onde ele está.
Na busca por um motivo e pelo paradeiro do seu suspeito, os inspetores recorrem a Hanne Lagerlind-Schön, uma brilhante psicóloga comportamental presa a uma reforma e a um casamento infeliz. Mas eles não são os únicos que o procuram. Dois meses antes, Emma Bohman, uma funcionária de Jesper, envolveu-se numa relação secreta com o seu diretor. E tão depressa nasceu o caso amoroso entre ambos, como terminou, quando ele a deixou, sem qualquer explicação. e Emma, devastada e confusa, não descansará até o encontrar e obter respostas às suas perguntas.
Numa busca paralela pelo mesmo homem, Emma e a polícia estão destinados a cruzar caminhos até descobrirem o que realmente aconteceu.



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Opinião:  


 


Mais uma estreia com uma autora que não conhecia: Camilla Grebe. Os nórdicos estão sempre a surpreender com novos thrillers/policiais e acho que o fazem muito bem.

Como não podia deixar de existe crime e detetives com problemas, e a história é contada sob  três pontos de vista, o que enriquece bastante a leitura. Aliás, o enredo está muito bem conseguido, só não gostei muito de ter advinhado final.

É uma ótima leitura para intercalar com outras, "mais pesadas" , ou que demoram imenso para terminar, porque, não sendo uma história propriamente "levezinha",  por causa do sangue, como dirão os mais sensíveis,  é um thriller "à moda" dos nórdicos que prende a atenção.


 


segunda-feira, 13 de março de 2023

Ainda bem que não gostamos dos mesmos bolos!

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Sinopse:


Os irmãos Byron e Benedetta não se veem há oito anos, mas a súbita morte da mãe obriga-os sentarem-se finalmente à mesma mesa. Eleanor deixou-lhes um bolo no congelador com a críptica instrução de que o deverão partilhar «na altura certa».
Para além do bolo, uma homenagem às origens caribenhas da família, há ainda uma longa gravação áudio que abre com uma revelação impensável: Byron e Benedetta têm uma irmã.
Este, porém, é apenas o primeiro dos muitos segredos que a mãe quer agora, depois de morta, revelar, na esperança de emendar alguns erros do passado.



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Opinião:  


Este é o livro de estreia desta autora e, apesar de ter gostado da escrita simples e fluída, não fiquei fã dos personagens que vão sendo introduzidos, rapidamente, ao longo da história, em capítulos demasiado curtos, entre o passado e presente.


O bolo negro é um bolo feito com rum e frutos secos e a receita passa de geração em geração. Uma ligação familiar que dá sabor ao enredo.

Nesta história familiar,  que decorre entre as Caraíbas, passando pelo Reino Unido e pelos EUA, existem segredos e um mistério relacionado com um crime, mas, na minha opinião, surgem demasiados personagens, muitos recomeços e desencontros que são pouco credíveis. Uma miscelânea, que não confere qualquer densidade à história em si, uma vez que não há um aprofundamento.


Fazendo, aqui, uma analogia, é como se houvesse necessidade de juntar mais um ingrediente, depois mais outro, e mais outro, "batendo bem", e surgisse uma história sobre vários temas (racismo, amizade, liberdade e multiculturalismo).

Vou mais longe, ainda, e atrevo-me a dizer que este "bolo" saiu algo queimado - mas se calhar é culpa minha, porque, enquanto leitora, interpretei a receita à minha maneira.


Ainda bem que não gostamos todos dos mesmos bolos, digo livros!