quarta-feira, 25 de abril de 2018

O 25 de abril já não é o que era.

Onde estavas no 25 de abril de 1974? Ouvimos esta pergunta todos os anos e tenho sempre vontade de responder: Eu, eu estava, com quase 99, 9% de certeza, a dormir no berço. É, portanto, uma pergunta para a qual a resposta óbvia não serve, dado que era uma cidadã de fraldas que comia e dormia (e não contribuiu em nada para a liberdade deste país). Sem pensar muito, acho que atualmente poucos se lembram de ter desfilado pelas ruas de Lisboa na euforia da Liberdade recentemente adquirida. Aqui em casa, apenas o meu marido participou nessa marcha, mas era pequeno. Lembra-se apenas do que lhe contaram. E lá foi no meio da multidão, às cavalitas do avô, com os deditos em V e a gritar «Fachistas».  


Na minha terrinha, ninguém presenciou nada, ainda não existiam televisões, nem estradas alcatroadas, nem eletricidade, já agora. Quarenta e quatro anos depois, poucos se lembram desse dia. Bem, tenho a certeza de que restam dois ou três que podem contar os tempos que viveram na guerra. Para esses fará sentido relembrar este dia. Para a nossa geração, ouvimos contar a história . Para os mais jovens, restam os livros.


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2 comentários:

Happy disse...

E mito importante. Aliás, muito mais importante, o relato dos familiares,
O mu filho tem 21 anos e conhece a história contada vezes e vezes, pelo avô.

editepf disse...

Os familiares podem contar melhor do que qualquer livro ou documentário. É uma memória de vida, um laço familiar e um sentido de orgulho nas nossa raízes.
O teu filho faz bem em ouvir o avó ^-^