terça-feira, 17 de abril de 2018

Jane Eyre, de Charlotte Bronttë

 


 


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Jane Eye, numa tarde fria e húmida de novembro, lê no assento da janela por detrás das cortinas vermelhas em Gateshead, a casa dos seus parentes, os Reeds. É assim que o romance começa, ou seja, com esta cena e com o conflito provocatório do primo, John Reed. John é a imagem do filho mimado, violento e malcriado. Jane é  a orfã pobre, de aparência modesta, que não se intimida perante as ameças de John e os castigos da tia. Perante isto, com 10 anos de idade, Jane não tem amigos. Os livros são o seu único refúgio e alimentam a sua imaginação. Desde o início do romance até ao final, Jane lê vários livros. Ela acredita que isso lhe trará a educação que permitirá a independência e uma melhoria da sua posição na sociedade. E com toda a razão. Será em Lowood que ela aprenderá a desenhar e uma profissão que lhe permitirá ganhar o seu sustento sem ajudas de ninguém. É ou não uma mulher insubmissa e muito à frente do seu tempo?


Ao contrário da vida calma de Jane, Edward Farfaix Rochester teve uma vida desregrada, apaixonando-se por várias mulheres. Assim, quando ele conhece Jane, planea mudar o seu estilo de vida, mas terá muito que penar até conseguir os seus intentos.


Embora já conhecesse a história voltei a ficar surpreendida, sobretudo com a resiliência de Jane, uma simples mulher, que acaba por aceitar o amor na adversidade, mais uma vez demonstrando a sua coragem e determinação.


Esta leitura despertou alguns sentimentos novos. Lembro-me da primeira leitura, de sentir indignação com as atitudes da tia e do primo e de sentir muita tristeza pela maneira como ocorreu a morte da sua melhor amiga [quem leu sabe a que me estou a referir]. Já na releitura, senti várias vezes um sentimento de irritação. Na verdade, já não me recordava bem de Mr. Rochester e não o achei lá muito romântico.


Jane é, para mim, uma personagem que fica na memória. O que a torna forte são os seus princípios e, embora ela não se considere bonita, são estes, as suas qualidades inteletuais e a força interior que a tornam encantadora ao longo de toda a história.

E vocês, qual foi a personagem que gostaram mais?

 

15 comentários:

HD disse...

Também conheço vagamente a história, mas não há nada como ler a obra... :-)

editepf disse...

Arejar faz bem

editepf disse...

Concordo 100% 

Chic'Ana disse...

Não li a obra, tenho de ler =)
Beijinhos

Bárbara Ferreira disse...

Posso votar na Bertha? :D

editepf disse...

Eu deixo.
Olha, li o "Vasto Mar de Sargaços" à procura de um sinal que me fizesse gostar dela e não encontrei nadinha. 

editepf disse...

Fazes bem. 
Beijinhos

Bárbara Ferreira disse...

Eu mesmo antes de ler esse gostava :) acho interessante a ideia da mulher que, por algum motivo, foi trancada, afastada da sociedade... supostamente é louca (ou terá enlouquecido), vem de longe (e o "estrangeiro" assusta sempre - há um momento em que Jane a vê e fala, na manhã seguinte, da cor de pele da "criatura" que viu), e lançou toda a ideia da "louca no sótão". Acho-a mais icónica e acima de tudo mais interessante que os outros :D

editepf disse...

okay, percebo a admiração que tens por esse personagem. Eu tenho uma teoria, mas ainda estou a pensar muito bem nela. 
beijinhos

Bárbara Ferreira disse...

Conta! :)

editepf disse...

Aqui só entre nós, acho que Charlotte é a Jane Eyre e o Mr Rochester o professor Heger. Então, a solução que a Charlotte imaginou, para que pudessem ficar juntos, seria a mulher ser considerada louca, já que não havia o divórcio. Mesmo no campo da imaginação os seus princípios não lhe permitiriam aceitar esta solução. Só a morte da mulher «louca» (tal como Jane).
É uma teoria que faz sentido para mim.O que achas? A imaginação dos escritores baseiam-se na realidade.

Bárbara Ferreira disse...

Sabes, tive de pesquisar o professor Heger. Sei que (consta) as três irmãs se basearam bastante nas suas experiências de vida (talvez menos a Emily - pelo menos espero, tendo em conta o teor do único livro que publicou!), também a Anne, no Agnes Grey, fala de ser governanta - emprego que todas as três tiveram. Ainda não li o Wildfell Hall, mas gostei bastante do Agnes Grey, leitura mais ligeira e agradável que Jane Eyre, para mim. Esse tipo de projecção faz, para mim, todo o sentido! Arranjar um escape para que, pelo menos na ficção, ficassem juntos. Que se sabe da esposa do professor Heger?



Curiosamente, Charlotte escreveu um livro chamado "The Professor". Seria baseado no mesmo senhor?

editepf disse...

É, o livro "The Professor" é baseado na vida real de Charlotte. Ainda não li esse, mas quero muito ler. 
Eu fiz um post sobre o amor proibido de Charlotte pelo Professor Heger https://olivropensamento.blogs.sapo.pt/o-amor-proibido-de-charlotte-bronte-100907, onde estão excertos das suas cartas. 
Não acho que Jane seja inconsistente. Acho que ela  foge de Rochester por ser contra os seus princípios ficar com ele depois de saber a verdade. 
Aqui encontro mais um elo para a  vida real de Charlotte, dado que teve de regressar a casa (provavelmente quando descobriu que estava verdadeiramente apaixonada por um homem casado). Esta parte da vida dela é também transposta para o livro. O St. John é o amigo do pai (com quem mais tarde acaba por casar) e as duas primas (baseadas nas irmãs).
Resumindo, o que é ficção no livro, parece-me, é a mulher louca e, no fim, ficar com o amor da vida dela.
Existem estudos da obra que fazem esta comparação dos personagens com as pessoas reais. A isto, juntei a  minha teoria de que Charlotte ficcionou a parte com o happy end possível. Se calhar é mesmo uma teoria, mas, depois de ler o tom de desespero nas cartas para o professor, fiquei a pensar nisto.
O que achas?

Bárbara Ferreira disse...

Eu acho que faz todo o sentido :) acho que a ideia de Jane ser baseada nela já me tinha sido transmitida de alguma maneira; criar o final feliz que não teve parece-me totalmente plausível! Acho tão interessante descobrir mais sobre a vida dos autores exactamente por estes motivos :D

editepf disse...

É mesmo importante saber mais para perceber porque escrevem sobre determinado assunto. Eu gosto de fazer isso depois de ler e muitas vezes só associo certas frases depois de algum tempo.