quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Pensamentos - 2

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- Em tempos de incerteza, todos precisamos de orientação - expliquei, sentido-me muito sábia, nesse momento. Depois argumentei que a autoajuda era a filosofia dos tempos modernos, mencionando Aristóteles e Sócrates, apesar de não ter lido nada deles.



 


Help me! - Marianne Power

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Chove.

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Chove. Que fiz eu da vida?



Fiz o que ela fez de mim...

De pensada, mal vivida...

Triste de quem é assim!




Numa angústia sem remédio

Tenho febre na alma, e, ao ser,

Tenho saudade, entre o tédio,

Só do que nunca quis ter...




Quem eu pudera ter sido,

Que é dele? Entre ódios pequenos

De mim, estou de mim partido.

Se ao menos chovesse menos!

 


 


Fernando Pessoa.


Poesias Inéditas (1930-1935). 


 


Imagem retirada da net.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Hashtag # livros a mais não existe-1

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Este mês comprei três livros com 50 % desconto. Por coincidência (ou não) são livros escritos por mulheres e a única que conheço é Nicole Krauss, em "A História do Amor".  Quando li este livro fiquei encantada com a sua escrita e, depois de uma pesquisa, surpreendou-me o facto de esta ser casada com Jonathan Safran Foer, escritor de "Extraordinariamente Alto Incrivelmente Perto", que tinha lido algum tempo antes. Recordo-me que na altura me interroguei como seria a vida de um casal de escritores, se seriam felizes com os sucessos de cada um ou se isso não traria alguns atritos, tal como acontece com os atores e as atrizes, aliás como acontece em qualquer profissão em que ambos os conjugues trabalhem no mesmo ou lado a lado. São coisas que me passam pela cabeça, é certo, porque a vida é a vida e, quer se queira quer ou não, acontece a todos nós, e também a grandes escritores. 


 


Relativamente aos outros dois livros, não pesquisei nada, mas ouvi falar neles em blogs e nas redes sociais, pelo que espero que não me desapontem. Ainda que assim seja, vale sempre a pena conhecer novas escritoras.


 


Já me disseram que compro livros por comprar, que tenho muitos livros para ler e ainda que, a continuar assim, não vou conseguir ler tudo. Eu sorrio e não respondo.Contudo penso, que os livros e os pensamentos andam sempre juntos, e o que penso é muito simples:



Compro porque sim, porque posso e porque me apetece e sobretudo porque os livros não são interesseiros nem nos abandonam quando mais precisamos.



#livrosamaisnaoexiste

domingo, 27 de janeiro de 2019

1 - Entre livros e fotografias em: as aventuras de uma amadora.

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Sempre fui muito observadora. Em miúda diziam que tinha olhos grandes, o que nem sempre era um elogio. Talvez por ser muito tímida e calada os meus olhos fossem intimidantes, não sei, o que me recordo foi que tinha uma enorme curiosidade por tudo o que me rodeava. E assim que tive a minha primeira máquina fotográfica comecei logo a tirar imensas fotografias. Infelizmente, os rolos e a revelação eram muito caros, pelo que tive de conter (e muito) os meus dotes artísticos recém descobertos. Eram tempos diferentes, sem tecnologias. Podia gostar de fotografia, mas depressa comprendi que tinha livros para ler e matérias para estudar e fui esquecendo o assunto.


 


Tanto a fotografia como os livros ficaram uns tempos relegados para segundo plano. Os estudos avançaram e na faculdade não tinha tempo para mais nada. Depois vieram os tempos em que, apesar de licenciada, era difícil arranjar trabalho, e depois ainda os filhos. Feitas as contas, demorei cerca de 15 anos a retomar onde tinha ficado.


 


Esta introdução já vai longa e o que eu quero transmitir é que de futuro vou fazer o que gosto e sempre com a mente aberta a novas descobertas, seja de uma fotografia a um livro ou a uma paisagem, seja ao que for. Claro que há sempre uma história por detrás, pois sou apenas uma mera amadora e isso nota-se.


 


Por exemplo, quando estava a tirar fotografias ao livro "A Grande Solidão" estava um senhor a fumar um cigarro eletrónico e a olhar para mim. Deve ter pensado que eu era uma maluquinha dos livros, o que até nem é descabido, mas ignorei e continuei.


[Os meus olhos grandes continuam muito ativos].


 


No fim de contas, vamos lá a raciocinar sobre o assunto, é estranho tirar fotografias ou fumar um cigarro eletrónico? O que acham?


 


 


 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

A Grande Solidão - Kristin Hannah

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1974, Alasca.

Uma família decide um novo começo.

O pai, Ernest Allbright regressa da Guerra do Vietnam, mas é um homem diferente.

Com apenas 13 anos, a filha, Leni ou Lenora, está ansiosa por encontrar o seu lugar no mundo.

A mãe, Cora, está disposta a tudo pelo homem que ama, mesmo que isso signifique segui-lo numa aventura no desconhecido. 

 

Kristian Hannah já me consquistou, primeiro com O Rouxinol, agora com esta grande história. As personagens e o cenário estão tão bem construidos que consegui visualizar e sentir tudo.


Na minha humilde opinião, esta capacidade de escrita de Kristin não é fácil de encontrar, uma vez que só alguns conseguem gerar uma envolvência tal que queremos ler tudo de uma assentada. E li - de manhã no carro, antes de ir para o trabalho, depois do almoço, antes de voltar para o trabalho, à tarde, depois de regressar do trabalho, e à noite, depois do jantar feito pelo marido.


Estive totalmente ausente para a vida, alheada de tudo e de todos e, para ser sincera, foi difícil, em certos momentos, deixar o livro fechado. É este o poder das grandes histórias, não acham?


 


É certo que é mais uma história, mas está tão bem contada que demorei algum tempo a pegar noutro livro. Não é que sentisse que precisava de saber mais sobre as personagens, nada disso, apenas fiquei completamente agarrada à Leni. Estive do lado dela, desde os 13 anos até à idade adulta, e entendi todas as dores de crescimento e todos os sentimentos relativamente ao que se passava à sua volta.


 



Leni tinha medo de ficar e tinha medo de sair. Era estranho - estúpido até -, mas muitas vezes sentia-se a única adulta da família, como se fosse o lastro que mantinha o instável barco Albright equilibrado.


 



A Grande Solidão é como chamam ao Alasca, esse lugar que tem tanto de belo como de selvagem e perigoso, e onde as noites não têm fim durante o Inverno.


Sobreviver ao  Inverno é importante e Leni e Cora têm de aprender a viver e a serem fortes, unindo-as o amor incondicional entre mãe e filha. E os verdadeiros amigos alasquianos vão ajudar e trocam bens e alimentos de forma a terem comida suficiente.



 


Este estado, este lugar, não tem igual. É beleza e horror; salvador e destruidor. Aqui, onde a sobrevivência é uma escolha que tem de ser feita e refeita, no lugar mais selvagem da América, na fronteira da civilização, onde a água, em todas as suas formas nos pode matar, aprendemos quem somos. Não quem sonhamos ser, não quem imaginamos ser; não quem fomos criados para ser. Tudo isso será desvastado nos meses de escuridão gelada, quando o gelo nas janelas nos turva a vista, o mundo fica mais pequeno e tropeçamos na verdade da nossa existência. Aprendemos o que devemos fazer para sobreviver.



 


O maior perigo está perto delas e é irritante (muito) e é assustador.


Há paixões que fazem mal.  


Espero que gostem de ler. Histórias como esta são um vício. Que livro, que livro!


Acho que vou querer ler todos os livros desta autora. 


 


 


CLASSIFICAÇÃO:


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