quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Maestra, de L.S. Hilton, # 30


Autora: L.S.Hilton

Ano:2016

N.º de Páginas: 303

Editora:EditorialPresença

 

Sinopse: Durante o dia, Judith Rashleigh trabalha numa prestigiada leiloeira de Londres. Ambiciona uma carreira no mundo da arte e, apesar das origens humildes, tornou-se uma mulher sofisticada. Para fazer face às despesas, aceita trabalhar durante a noite como acompanhante num dos bares da capital. Mas depressa o sonho de uma vida luxuosa se desmorona. Desesperada, acompanha um dos clientes do bar numa viagem. Após um acontecimento que marca o seu destino,Judith envereda por um caminho violento e tortuoso. Assistimos à ascensão deuma mulher à margem da lei e da moral, segura do seu rumo. Mais do que possível, será a redenção desejável?

 

Opinião: Quando comecei a ler este livro não gostei, porque é demasiado, porque contem muitas cenas explícitas de sexo e porque a história em si não oferece nada de novo.Porém, resisti ao primeiro impulso e continuei a ler. A vontade de saber o porquê de ser considerado o “Triller mais chocante do ano 2016” e de “não deixar indiferentes os leitores de Millennium de Stieg Larsson” levou a que continuasse à procura de algo que confirmasse esta publicidade. Como se costuma dizer “A curiosidade matou o gato,” mas, aqui, o que eu julgava um golpe publicitário, resvalou para a incredulidade e a certeza de que o livro descreve bem uma verdadeira psicopata, com direito à impunidade e total ausência de emoções. E por isso, continuo a odiar a personagem principal. E sim, confirmo que é um trillher chocante, onde a realidade, crua e nua, se mistura com descriçõesde várias cidades europeias, como Roma e a Rivieira Francesa, e com tudo o que o dinheiro pode comprar (#Sóquenão).

 

Citação:”E para vivermos rodeados das coisas certas, temos de estar rodeados das pessoas que as possuem” (pág. 32);

“Uma parte do meu cérebro reflectia no facto de que assistir a um homicídio era estranhamente mais chocante do que cometê-lo” (pág. 278).

 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Miminho de Natal quase, quase a terminar


Está a aproximar-se o dia 9 de dezembro, altura em que termina o passatempo para concorrer ao sorteio da Agenda Livro Fernando Pessoa 2017. O resultado será anunciado no dia 10 de dezembro, por isso fiquem atentos. 
Boa Sorte a todos!



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O que dizem os teus livros (5)











A  Sara doblogue Desabafos Agridoces  é uma rapariga doce e simpática, mas ...(há sempre um mas!) a sua citação preferida,"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine", revela um lado menos"soft" e rebelde. Talvez por essa razão, embora de uma maneira simpática -e em nada cítrica-, ela aceitou participar no desafio, e acabou por revelar.... Querem saber? Então leiam:


Desde que idade tens uma paixão por livros? 

S: Desde que me lembro. Quando era bebé costumava ficar sentada a folhear revistas e os livrosde culinária da minha mãe durante tempos infinitos, sem nunca me cansar. Sempre quis livros mais do que qualquer outro brinquedo.  Foi algo que sempre causou alguma estranheza visto ninguém em casa ter particular interesse em leituras. A sensação que causou o momento em que despejei em cima da mesa as compras que trouxe da minha primeira Feira do livro...Basicamente não me lembro de nenhuma altura da vida em que os livros não estivessem presentes.

 

Qual o tipo de livro que costumas ler?

S: Leio de tudo um pouco – excepto coisas lamechas, séries, a maior parte dos bestsellers, autoajuda...

 

O que gostas mais durante  a leitura? 

S: Talvez quando noto que aquilo que estou a ler faz sentido para os dias de hoje, especialmente se estiver a ler um livro de idade provecta – se bem que preferia que isto não acontecesse quando leio distópias. É curioso ver como as pessoas quase não mudaram com o passar dos séculos. Também depende do tipo de livro e do autor.Sempre há aquelas características que gostamos de encontrar nos livros de autores queridos e que nos deixam felizes.

 

Quais os fatores que influenciam a escolha de um livro? 

S: Livros mais baratos tendem a ter prioridade porque o orçamento é apertado e os livros novos são caros demais (bancas com livros a menos de 5 euros...Nunca morram), autores que conheço e gosto ou que tenho na minha lista para conhecer também têm prioridade. Leio quase sempre a sinopse. 

 

Descreve sentimentos que só um leitor entende. 

S: “Preciso de uma estante nova”;

“Vou comprar estes três livros e não pensar que ainda a semana passada comprei outros três”;

“Tenho a certeza que o filme não vai ser tão como o livro”;

“Não, hoje não vai dar para sairmos...já tenho um encontrado marcado. Sim, é com um tipo…O nome dele é Darcy. Estou a tentar que a nossa relação passe do terceiro capítulo”;
 “Como assim muito tempo? Só estive duas horas nesta livraria e nem deu para ver nada com calma!”.

 

As histórias, porvezes, têm uma enorme carga emocional. Já alguma vez choraste ou riste? Se sim,quais foram os livros em que isso aconteceu? 

S: Coisas da Jane Austen ou do Eça fazem-me rir...Em relação a chorar: as três vezes que li a Rapariga que Roubava livros, uma parte ou outra do Memorial do Convento…

 

O que dizem os teus livros? 

S: Provavelmente que devia limpar-lhes o pó mais vezes…

 

 

***

Depois da entrevista,fiquei curiosa para saber a resposta ao desafio. Sara, gostaria que pensasses um pouco sobre a frase de Harper Lee"A única coisa que não respeita a regra da maioria é a consciência de cada um”. Concordas?
S:Sim, em teoria. É que para que a nossa consciência seja a única coisa a não respeitar essa regra primeiro temos de aprender a pensar por nós mesmos. Boa parte das pessoas não fazem isso: acreditam em tudoo que lêem nas redes ou no que políticos racistas lhes dizem (choremos juntos Atticus), ou seja, a sua consciência já está moldada para seguir outros. Alguns talvez nem se dão conta disso, afinal o que os tipos no poder querem é que sejamos todos uns carneiros. Talvez seja porque é o caminho mais fácil:não respeitar a regra da maioria tem sempre consequências. Se fores ao cinema com 4 amigos e foste a única que detestou o filme o teu cérebro vai arranjar maneira de adaptares a tua opinião às dos outros, talvez pensando que filme até não era assim tão mau…Andamos desesperados por aprovação. As consequências podem ir das mais simples como não seres a pessoa mais popular do escritório até ao aprisionamento e à morte. Se lemos num livro que 90% de uma populaçãoapoiava um político que hoje sabemos que foi muito mau, claro que íamos quererestar nos restantes 10%. Ter uma consciência individual é muito importante, mas não é um direito sempre garantido. Se esses 10% estiverem em fila contra uma parede e tu sabes que vai chegar a tua vez, o que vais fazer?

 




Muito obrigada, do fundo do .







 



domingo, 4 de dezembro de 2016

Línguas-de-gato | A Teoria de Tudo e de Nada # 13

Vocês já ouviram a expressão de que “Gatos quietos possuem mentes barulhentas”? Ah, não? Pois, são os humanos e não os gatos, dizem, mas eu acho que também se aplica. Eu, por mim falo, na minha língua miada e ronronada, sou um gato que passo o dia quietinho e estou sempre a pensar sobre isto, aquilo, a comida, o barulho, a luz, se devoatacar o peixe que está em cima da mesa, se devo investigar melhor a árvore de Natal, ou até se devo meter conversa com as pessoas da televisão; enfim, estou sempre, sempre com ideias, algumas boas, outras nem queiram saber. Mas informo (para quem queira ler isto) que qualquer miadela não transmite a minha sabedoria, o que é pena, pois seria importante estabelecer uma comunicação mais eficaz com os humanos.

Portanto,estou aqui a pensar, neste exato momento, porque raio a minha dona se lembrou de me tosquiar o pêlo em novembro?! Está frio e a chover e eu ando pela casa (por sinal quentinha) com o aspeto de um leão enjaulado! Não, não estou a ser exagerado. Sou um gato persa e o humano da bata deixou apenas o pêlo na cabeça e no rabo. Humpf, ainda, por cima sedaram-me para não o arranhar! Não estou para isto, e estou quietinho, porque penso, porque estou triste, eporque, porque, tenho frio…Tenham dó do miau, e se me entendem saberiam que estou a miar por isto! Ok, não vou miar mais! Vou experimentar enviar pensamentos..............................................................................................................................................................Nada???

Humpf, percebo bem o que sente Stephen Hawking, pois, tal como ele, estou preso ao meu corpo.Ah, é isso! Lembrei-me agora que a frase inicial é dele. E se eu pedisse o sintetizador de voz para experimentar? Well, not so fast?! Pois, ele está internado em Roma para a realização de exames e não é o momento próprio para lhe pedir o quer que seja. Portanto, o Hawking foi lá avisar que os asteróides pesados, existentes no espaço, são uma perigosa ameaça e, depois, obrigaram-no a fazer exames médicos! Éuma conclusão lógica, porém, não é uma hipótese verdadeira, porque sou eu que estou aqui a pensar, lembram-se?

Outra coisa que me despertou a atenção. Em 1949, George Orwell alertava (mais um alerta) para os perigos de um mundo onde os cidadãos estão sob vigilância constante, e, na semana passada, no Reino Unido, foi aprovada uma lei que põe em risco a privacidade dos cidadãos (só não é necessário fazê-lo de forma secreta).

Resumindo e baralhando, estes dois alertas passam mais ou menos despercebidos (exceto para este gato, claro) e fiquei com a impressão que os humanos só conhecem a Teoria de Nada. Estarei eu a exagerar, a alertar ou a miar?




 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Dois poemas de «Guião de Caronte»

 

 



Bato à porta de nada ensurdecido e bronco,
forrado a lama seca ou sarro destes anos
que mais que tudo me vestiram de tonto,´
dos que limpam os carros com a baba que lhes cai
sobre a cinza do fato; bato à porta do nada
sem dizer ui nem ai mas apenas grunhindo
de olho embaciado sem o cristal da lágrima,
bato à porta com braços, pernas, bocas e dentes,
mas sem saber no fundo, mas sem saber de caras
se deveras lhe bato quando lhe bato assim,
no nada dessa porta, ou ela bate em mim.


Pedro Tamen, em Foro das Letras, Janeiro de 1998