quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

O Grande Armazém dos Sonhos, Miye Lee

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A escolha deste livro deve-se muito a ter "ingressado" no mundo dos K-dramas assim como na música coreana. Esse interesse levou-me a experimentar também a culinária do país, pelo que só faltava agora mergulhar nas páginas de um livro de uma autora sul-coreana para completar a minha imersão na cultura coreana.
Penso eu. Óbvio que gostaria imenso de visitar o país, mas isso é outra história. 
As expetativas que tinha do livro "O Grande Armazém dos Sonhos" eram muito elevadas.
Encontrei uma história encantadora de uma cidade misteriosa dentro do subconsciente humano, onde sonhos são vendidos para todos os gostos e os pagamentos são efectuados consoante as emoções dos clientes que os adquirem.
A autora apresenta um armazém extraordinário, onde cada andar é especializado em diferentes tipos de sonhos, desde pequenos prazeres da vida até aqueles que se destinam a ultrapassar traumas.
Penny é uma nova funcionária do armazém de DallerGurt, onde irá conhecer personagens inesquecíveis e descobrir o poder transformador dos sonhos.
Gostei bastante desta narrativa inspiradora e reconfortante, pois leva-nos a um mundo onírico misterioso em que os sonhos podem influenciar as vidas dos personagens e, por vezes, terem um Déjà-vu.É uma leitura aprazível, ideal para fazer uma pausa da realidade, e a história simples e bonita fez-me sonhar e reflectir.
Quem já leu? 

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Pele de Homem, Hubert e Zanzim

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Nós, as mulheres da nossa família, temos um grande segredo. Possuímos uma pele de homem. Chamamos-lhe Lorenzo. Uma vez vestida, ninguém duvidará de que és um rapaz.”


A obra "Pele de Homem", recentemente publicada pela editora A Seita, é uma obra que procura explorar questões de identidade de género e sexualidade, situada na Itália renascentista.
Na história, Bianca é uma jovem noiva destinada a um casamento arranjado, que descobre um segredo ancestral de sua família: a habilidade de transformar-se em homem através de uma "pele de homem".
A abordagem do autor, Hubert, parece tentar desafiar os estereótipos de género, mas na minha opinião contem clichés e simplificações.
No geral, "Pele de Homem" pode desapontar aqueles que esperam uma exploração mais profunda e significativa das questões de género e sexualidade.
Gostei das ilustrações e da premissa intrigante, no entanto, a execução da história e principalmente o seu final não me encheram as medidas.

Já leram? O que acharam?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Canibal, Masaaki Ninomiya (Vol.I)

 


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Este mangá foi uma recomendação do Hugo geek.over.booked quando estive no encontro de Inverno da saraentrepalavras e é praticamente a minha estreia no género. E não dei 5 ⭐️ por ser novata (confesso que tive alguma dificuldade em ler os quadradinhos pela ordem certa).
A história suscita o interesse desde o início e desenrola-se de forma inesperada uma vez que à partida sabemos que o canibalismo é o tema principal e não contamos com uma investigação. Eu não contava.
Daigo Agawa é polícia em Kuge, uma aldeia remota, para onde vai viver com a esposa e a filha pequena.
O tema central de que falei, a morte de uma idosa aldeã e o desaparecimento do anterior colega da polícia são os ingredientes que introduzem mistério q.b. nesta história.
Este é o volume I e agora preciso do próximo porque li rapidamente e não sei nem o que irá acontecer a seguir nem qual é o papel da família Goto.
Gostei muito, que venha já o próximo.


Ainda não saiu pois não?

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

O livro dos homens sem luz, João Tordo

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"O Livro dos Homens Sem Luz" é uma coleção de quatro contos interligados, cada um sobre a vida de personagens que enfrentam a escuridão e o desespero.
No primeiro conto, "Diários de Londres", conhecemos David, um homem que perdeu a sua família num incêndio e é contratado para seguir pessoas e registar as suas vidas num diário.
Em "Soterrados" um casal é soterrado durante o ataque alemão em Londres enquanto lidam com os seus próprios traumas.
O terceiro conto, "Insónia", mergulha na mente de um estudante atormentado pela insónia e pelo seu vizinho.
Por fim, em "Brighton", descobrimos o desfecho da história do casal soterrado.
Os contos estão entrelaçados e os temas abordasod como a solidão, o medo e a transformação foram inspirados em escritores como Kafka, Paul Auster, Edgar Allan Poe e Melville.
Este não foi o primeiro livro que li de João Tordo, comecei por ler os mais recentes e este nada tem a ver com a sua actual escrita. E, embora não aprecie livros de contos, até gostei por ser diferente.



quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

O lugar das árvores tristes, Lénia Rufino

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Isabel vive numa pequena aldeia no Alentejo onde todos se conhecem e todos sabem da vida uns dos outros. O seu passatempo favorito consiste em passear pelo cemitério e tentar saber algo mais sobre as histórias das pessoas que já partiram. Porém, quando se depara com a campa de Eulália e faz perguntas a sua atenção desperta uma vez que é uma mulher que todos parecem não querer falar.
Esta é a premissa da história e o que me cativou desde o início foi a existência de um segredo familiar. A curiosidade e a estrutura da narrativa assim como a escrita da autora contribuiram para  que esta leitura fosse fácil e fluída. Gostei imenso disso.
Por outro lado, gostei, ainda,  da forma como a autora aborda questões relacionadas com a própria natureza humana, onde o lado mau e os podres da sociedade vêem ao de cima. Ou quase, porque a impunidade é o que sabemos hoje em dia.
Em relação às personagens foram bem desenvolvidas mas a riqueza desta história reside, na minha opinião, nas suas emoções, na injustiça que vivem e num mistério no passado.
Quanto ao final, tive a oportunidade de conhecer a autora recentemente e claro que quis saber se o final em aberto daria origem a um novo livro. Mas não.
Também fiquei a saber um detalhe que me passou despercebido e é claro que só contarei por mensagem se tiverem lido o livro primeiro.
No geral, é um livro tocante e inspirador  que se lê num ápice e que recomendo.
Já leram?