sábado, 13 de março de 2021

Sábados à tarde com livros e sem chá nem bolinho

 


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Estou a escrever isto para o meu Eu futuro para lhe lembrar que tudo o que tomava por garantido acabou de mudar. Não faz muito tempo que me preocupava com a quantidade de livros não lidos e, por ironia do destino, quando encerraram as livrarias e a venda de livros em supermercados, passei à fase de que afinal o "armazenamento" de livros na estante fazia todo o sentido em alturas como estas. Como se alguma vez na vida imaginasse que iria ser como o pão para a boca e um bem escasso!


Aquilo que me vem à cabeça poderá soar a exagero, mas lembra-te de que quem gosta de livros as ideias surgem donde menos se espera e as comparações estranhas não superam os tempos distópicos que vivemos, em 2020-2021, em que os encontros do Clube de Leitura Livros & Cª têm de ser online através da plataforma Zoom. É um facto que dá para colocar a conversa em dia e falar dos livros que lemos no mês anterior. Mas recordo-te que há diferenças assinaláveis que, aos poucos, se tornam cada vez mais notórias. Estou a referir-me à presença do outro, ao olhar, à expressão e à forma como a pessoa sorri ou até os gestos. Depois há, ainda, a descontração, a companhia de um chá, de um café, e de um bolo. Nada disto tem sido possível e tentamos manter o contato à distância, esperando que em breve seja possível, pelo menos, estar fisicamente (pois acredito que tão depressa não há chazinho nem bolinho para ninguém).


Há pouco tempo li, algures na vastidão da internet, que a fadiga pandémica se começa a sentir. Talvez seja isso, ou talvez esteja a ficar saturada dos ecrãs, mas não me tirem os livros, nem as conversas que nos aquecem a alma; não me tirem, ainda, a foto com a pilha de livros, pois eu tenho esta pancada e gosto de ver muitos livros alinhados e ordenados - é que quando é para conversar é a sério e, no clube, as leituras são como as conversas e as cerejas, acabamos a falar pelos cotovelos e a mostrar todos os livros que lemos.


Ao meu Eu futuro digo que sábados à tarde é com livros, chá, bolo e companhia. E isso é liberdade!


 


 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo, de Charlie Mackesy

 


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Sinopse: aqui


Opinião: 


Este livro é uma edição da Suma de Letras  e considero que é o livro mais bonito que recebi até hoje. A editora esmerou-se nesta edição, pois a capa e as ilustrações são simplesmente maravilhosas. 


Charlie Mackesy é ilustrador e cartoonista inglês, com trabalhos exibidos em galerias de Londres e Nova York. O autor, numa entrevista, descreveu o livro como «uma pequena novela gráfica, feita de ilustrações e diálogos, com uma paisagem em fundo». No entanto, antes de ser um livro ilustrado foi apenas uma ilustração partilhada pelo autor no seu Instagram. Começou, assim, por ser algo pequeno para depois fazer «uma enorme diferença».



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Esta fábula é sobre um rapaz, curioso, que encontra uma toupeira e os passeios que fazem. Pelo caminho vão se juntando a eles a raposa e depois um cavalo. As aventuras dos quatro amigos iniciam-se na Primavera, em que cai neve e a seguir o sol brilha, sendo que eles passam o tempo juntos a contemplar a Natureza.


As personagens são todas diferentes: a toupeira é mais extrovertida, sempre pronta a dizer o que pensa e sem conseguir resistir a um bolo (como eu); a raposa mais introspetiva e observadora, mas sempre presente e pronta para falar só quando acredita acrescentar valor; e o cavalo é mais sábio, o maior mas também o mais delicado. 


Como podemos ler logo na introdução, Charlie Mackesy refere que: «É surpreendente eu ter escrito um livro porque não sou grande coisa a lê-los. A verdade é que preciso de imagens, elas são como ilhas, lugares onde chegar num mar de palavras».


Ora, é precisamente nas imagens e nas palavras que encontramos a beleza deste livro. Com palavras simples, é certo, mas que nos recordam a beleza e o valor da vida.


Um livro que é uma pequena obra de arte, para ler, pensar e divertir os mais novos e os mais crescidos. Podemos ler,  folhear, sem seguir qualquer ordem, e apreciar as ilustrações, já que o poder de observação desempenha, aqui, um papel tão importante quanto os o pensamentos e as reflexões sobre a vida, a esperança, a motivação, a coragem, a bondade e o amor.


 


Classificação: 5*


Oferta da editora para opinião

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Terra Alta, de Javier Cercas

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Já há muito tempo que vi um vídeo da Tatiana Feltrini a dizer maravilhas deste autor. Para quem não conhece, ela é uma conhecida booktuber brasileira e lê muitos clássicos. Embora não tenha sido este o livro que ela recomendou, resolvi dar uma oportunidade e fui surpreendida.
A história inicia-de com um crime horrível e macabro num lugar pacífico, onde todos se conhecem, chamado Terra Alta, pois os donos das Gráficas Adell, aparecem mortos, barbaramente assassinados.
Melchor Marín, jovem polícia, irá revelar o desenrolar da investigação ao mesmo tempo que conta o seu passado obscuro.
Este livro lê-se de uma assentada porque a escrita e a narrativa assim o permitem, no entanto o final deixou, na minha opinião, um travo amargo a realidade.
Gostei bastante deste policial e vou querer ler mais deste autor, tendo em mente que este não é o seu estilo habitual.
Alguém já leu algum livro do autor ?


 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Manifesto anti-leitura


Este texto é brilhante e intemporal mas fico triste quando ouço estas palavras e penso na proibição de venda dos livros 😞. E não me venham falar em comprar online quando nem as livrarias nem as bibliotecas estão abertas... e quando deviamos questionar o porquê de tanta preocupação em confinar os livros.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

O casal do lado, de Shari Lapena

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Anne e Marco vão jantar com os vizinhos do lado. A vizinha Cynthia pediu a Anne que não levasse a filha Cora, a bebé de seis meses, e os pais decidem ir pois combinaram levar o intercomunicador e ir alternadamente, de meia em meia hora, ver como está a filha. A certa altura a bebé é raptada e a polícia tem de resolver o caso mais rapidamente possível. 


A história neste livro revela o pior pesadelo para os pais. Enquanto mãe, li com alguma apreensão, mas, tal como na vida real, nem tudo é o que parece.
É um livro que se lê bem, mas que não trouxe grandes surpresas.