domingo, 9 de fevereiro de 2020

Clube de Leitura em modo "Romance"

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Aproxima-se o dia dos namorados e só porque sim (e não tanto para comemorar a data), resolvi abordar o tema "Romance", no Clube de Leitura, de forma a pensar um pouco sobre a sua origem e o percurso até aos dias de hoje.


Acho que já perceberam que não vou escrever, aqui, sobre os livros da fotografia. Acontece que estes livros (e não só) versam sobre mais do que um género literário (romance e policial, thriller e romance, etc.) pelo que é necessário um enquadramento muito simples e resumido (acho eu).


Começando pela história, já na Idade Média se utilizava o termo “romanço” que designava as línguas usadas pelos povos sob o domínio do Império Romano, bem como as composições de cunho popular e folclórico, escritas em prosa e em verso, que contavam histórias cheias de imaginação, fantasias e aventuras.


No século XVII, surge “Dom Quixote de La Mancha, de Miguel Cervantes, escrito em 1600, e este é considerado o percursor do romance moderno.


Não entrando em detalhes, creio que o romance chegou à modernidade com Balzac, atingindo a plenitude com Proust, Joyce e Faulkner. Certamente não pensaram muito nisso, pois não? Eu confesso que não. Recordo-me de ter estudado alguma coisa pois frequentei a área de humanísticas, mas nada sobre a evolução histórica do romance.


Seguidamente, aflorando os tipos de romance, e atendendo que existem inúmeras classificações/interpretações, cingir-me-ei apenas aos mais conhecidos na história.


No romance psicológico, analisam-se os motivos íntimos das decisões e indecisões humanas. O primeiro exemplo perfeito do género foi: As ligações Perigosas (Les Liaisons Dangereuses, 1782)de Choderlos Laclos. 


Quanto ao romance histórico, possuí a característica a reconstrução dos costumes, da fala e das instituições do passado. O primeiro romance histórico da literatura universal foi Waverley  (1814), de Sir Walter Scott  e o maior de todos os romances históricos foi Guerra e Paz (1869), de Tolstoi.


No romance gótico,  existe, regra geral, um cenário lúgubre e desolado com conventos, castelos assombrados, cemitérios. Poderá ainda abordar o horror, o mistério e torturas. Um dos mais conhecidos (existiram mais) surgiu na Inglaterra, pela Mary Shelley, que escreveu Frankenstein (1818).


No que se refere ao romance realista,  que procura fazer o retrato de uma época e da sociedade, o primeiro romance foi o de Madame Bovary, de Gustave Flaubert, publicado em França, em 1857.


Por último, temos o romance naturalista, com carácter cientificista, de análise social e de valorização do coletivo, indicando-se como exemplo Thérèse Raquin, de Émile Zola, publicado em 1867.


Existem mesmo muitas classificações e poderia continuar indefinidamente. Estou a pensar ainda nos livros de romance de comédia Romântica, de suspense romântico, de fantástico, de Young adult, do romance LGBT e do romance erótico.


O romance comeceu a ter dias menos cor-de-rosa com a ascensão do cinema, ou seja, a partir de meados do século XX. E é então que se intensifica a discussão em torno de uma crise do romance. Fitzgerald foi o primeiro escritor a perceber isso, embora continuasse a acreditar na superioridade deste género literário.


Muitas das vezes já ouvimos alguém dizer que o livro é melhor do que o filme e, na esteira de Fitzgerald, acredito piamente que os livros de romance continuarão a servir-lhes de inspiração mas não deixarão de ter leitores.


 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

A décima ilha, de Diana Marcum

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Sinopse: Aqui


Opinião:  Neste livro, Diana Marcum fala-nos dos Açores, das suas gentes, das comidas, da fome, da emigração, da saudade, da pobreza, sempre maravilhada com o que vai descobrindo. 


Num tom intimista, uma vezes, noutras mais objetivo, até porque é jornalista, Diana experimenta realizar uma entrevista a um grupo de emigrantes açorianos, que vivem na zona rural da Califórnia. Uma terra árida, quente e difícil, mas em que os emigrantes conseguiram prosperar à custa do seu trabalho e esforço, continuando a manter as suas tradições e a  produzir o queijo dos açores. Mas nem tudo foi fácil para eles.


Como apaixonada por histórias, Diana rapidamente simpatiza e faz amizade com os açorianos que aí vivem, contando as suas particularidades com sentido de humor.  


"Perguntei ao rapaz porque estavam todas vestidas de preto. Ele disse-me que eram viúvas, mas que a mais recente perdera o marido há vinte anos e nem sequer gostava dele. Perguntei então ao nosso tradutor qual das viúvas tinha mais namorados. Todos se riram e apontaram para a que era de longe a mais velha"


"A primeira vez que vi um mapa do lugar que viria a ter tanta importância na minha vida foi em toalhas de piquenique. A ilha de Morais era São Jorge, um longo e estreito retângulo no centro da toalha-mapa, a flutuar entre um ananás, um moinho de vento e uma baleia".


Enquanto leitora, senti que fiz uma viagem pelas ilhas dos Açores, ao mesmo tempo que acompanhei a autora enquanto esta faz uma espécie de viagem interior em busca do seu verdadeiro amor. A certa altura alguém diz acertadamente que: "A décima ilha é o que temos dentro da gente. É o que nos resta enquanto tudo desaparece". É isto que o povo pensa. E é isto que Diana tem pela frente.


A Décima Ilha, levou-me a refletir sobre a ida dos emigrantes açorianos para Califórnia, sobre as suas raízes e sobre as suas histórias. Levou-me ainda a gostar do tom intimista, utilizado pela jornalista quando conta as histórias do foro privado e nos brinda com descrições que nos fazem "viajar" num ambiente familiar e calmo. O que fica? A descrição pouco palpável do sentimento de saudade, explicado pela ligação que sentem os emigrantes e também por quem visita um lugar tão bonito como os Açores. Eu, como gosto de viagens, achei fascinante.


Muito obrigada à Cultura Editora por esta viagem inesperada!


 


Classificação: 4/5*


 


 

domingo, 26 de janeiro de 2020

Diz-me que és minha, de Elisabeth Norebäck

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SINOPSE: Aqui


 


OPINIÃO:


Este livro foi-me enviado pela Porto Editora no ano passado, o que desde já agradeço. É com satisfação que o recebo, pois é uma oportunidade para ler mais thrillers e para conhecer novos autores suecos. Em geral, devo dizer que aprecio muito a forma como os suecos escrevem sobre crimes, bem como sobre toda a investigação que se segue.


Apesar dessa minha admiração, cada vez mais constato que nem todos vão de encontro ao que procuro. É claro que o grau de exigência vai aumentado à medida que vou lendo mais e mais livros, sendo que, em cada leitura, espero, no mínimo, alguma originalidade e, sobretudo, um final surpreendente.


Em Diz-Me Que És Minha, Norbäck, após ter sido mãe, decidiu escrever uma história sobre uma mãe que perde uma filha. Então, criou uma personagem cheia de medos, dúvidas e de ataques de ansiedade, ou seja, alguém com que qualquer mãe se poderá identificar. Essa personagem, chamada Stella Widstrand; uma psicoterapeuta, mãe de um rapaz de 13 anos, não esquece o desaparecimento da filha, ocorrido há 20 anos, o que a leva a educar o filho de forma a protegê-lo ao máximo.


Eis senão quando Isabella entra no seu consultório e Stella suspeita que poderá ser a sua filha Alice. E assim se inicia uma história em que tudo é posto em causa, incluindo a sanidade mental, pois, embora nunca tenha sido encontrado o corpo, todos, com exceção de Stella, acreditam que a filha morreu afogada no lago.


Durante a leitura, houve alguns momentos em que senti um certo afastamento relativamente à personagem Stella, pois esta transmitiu-me a ideia de que o mundo gira em torno dela. É certo que, além de Stella, também acompanhei a história, entre 1994 e os dias atuais, sob a perspetiva de Isabella e Kerstin, porém, considero que a dor de perder a filha e o sentimento de culpa não justificam algumas acções ou atitudes de Stella, aliás acreditei que enquanto psicoterapeuta estaria, ela própria, a precisar de tratamento.


"Eu sonhara com este dia. Fantasiara os acontecimentos. como me sentiria, o que diria. Não era suposto ser assim, e a dor supera as minhas piores expetativas".


Com a leitura de Diz-Me Que És Minha, fiquei presa a pensamentos e emoções que me foram sendo transmitidos pela Stella, pela Isabella e pela Kerstin, esperando, com algum nervoso miudinho, que o desfecho fosse a recompensa para tanto desgaste emocional. Embora não me tenha identificado com Stella, nem com qualquer outro personagem, considero tratar-se de um thriller interessante, perturbador, que se lê de uma assentada.


Classificação: 4/5*


 






terça-feira, 21 de janeiro de 2020

O livro com mais visitas

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A opinião sobre este clássico (aqui) tem tido muitas visitas neste blog, o que me deixa muito satisfeita porque independentemente do tempo que já passou (dois anos) ainda há quem leia os meus post´s mais antigos.


Em 2020, vou continuar a ler outros livros do mesmo género literário para o Clube dos Clássicos Vivos e, também, para começar a desocupar a minha estante da "vergonha", com inúmeros livros maravilhosos à espera de serem lidos -  ou não fossem os clássicos de um género intemporal.


 


Sinopse:«Apesar das numerosas semelhanças entre "O Vermelho e o Negro" e "A Cartuxa de Parma", os dois romances são subtilmente diferentes na sua perspectiva erótica e na representação dos protagonistas de Stendhal. A nostalgia de glória napoleónica não abandona Julien quase até ao fim, mas extingue-se em Fabrizio depois da derrota de Waterloo. O autêntico amor não se apodera de Julien a não ser nos seus últimos dias e, ainda que não existam motivos para duvidar da sua sinceridade, tanto ele como Madame de Rênal sabem que não têm futuro, o que constitui um nada negligenciável motivo para intensificar a paixão.» «Julien Sorel nada sabe de si próprio; só é capaz de sentir as paixões depois de as simular e tem um inegável talento para a hipocrisia. E, no entanto, Julien mantém o nosso interesse e, mais do que isso, fascina-nos, não somos capazes de sentir antipatia por ele.» Harold Bloom, "Futuro da Imaginação" «Stendhal faz com que o leitor se sinta orgulhoso de ser seu leitor.» 


Classificação: 4/5*



 

 

 

domingo, 19 de janeiro de 2020

O meu livro secreto

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O Livro secreto já vai na 3.ª edição e continuo a receber e a enviar livros, por correio, todos os meses, graças à organizadora do grupo Magda Pais, do blog Stone Art Books(Aqui).


Como já devem ter percebido, o meu livro, A Sociedade Literária da Tarte  de Casca de Batata, anda a circular por esse país fora e espero que todos estejam a gostar tanto desta história como eu.


 


Sinopse: Londres, 1946. Depois do sucesso estrondoso do seu primeiro livro, a jovem escritora Juliet Ashton procura duas coisas: um assunto para o seu novo livro, e, embora não o admita abertamente, um homem com quem partilhar a vida e o amor pelos livros. É com surpresa que um dia Juliet recebe uma carta de um senhor chamado Dawsey Adams, residente na ilha britânica de Guernsey, a comunicar que tem um livro que outrora pertenceu a Juliet. Curiosa por natureza, Juliet começa a corresponder-se com vários habitantes da ilha. É assim que descobre que Guernsey foi ocupada pelas tropas alemãs durante a segunda Guerra Mundial, e que as pessoas com quem agora se corresponde formavam um clube secreto a que davam o nome de Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata. O que nasceu como um mero álibi para encobrir um inocente jantar de porco assado transformou-se num refúgio semanal, pleno de emoção e sentido, no meio de uma guerra absurda e cruel.


Classificação:5/5*