segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

A décima ilha, de Diana Marcum

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Sinopse: Aqui


Opinião:  Neste livro, Diana Marcum fala-nos dos Açores, das suas gentes, das comidas, da fome, da emigração, da saudade, da pobreza, sempre maravilhada com o que vai descobrindo. 


Num tom intimista, uma vezes, noutras mais objetivo, até porque é jornalista, Diana experimenta realizar uma entrevista a um grupo de emigrantes açorianos, que vivem na zona rural da Califórnia. Uma terra árida, quente e difícil, mas em que os emigrantes conseguiram prosperar à custa do seu trabalho e esforço, continuando a manter as suas tradições e a  produzir o queijo dos açores. Mas nem tudo foi fácil para eles.


Como apaixonada por histórias, Diana rapidamente simpatiza e faz amizade com os açorianos que aí vivem, contando as suas particularidades com sentido de humor.  


"Perguntei ao rapaz porque estavam todas vestidas de preto. Ele disse-me que eram viúvas, mas que a mais recente perdera o marido há vinte anos e nem sequer gostava dele. Perguntei então ao nosso tradutor qual das viúvas tinha mais namorados. Todos se riram e apontaram para a que era de longe a mais velha"


"A primeira vez que vi um mapa do lugar que viria a ter tanta importância na minha vida foi em toalhas de piquenique. A ilha de Morais era São Jorge, um longo e estreito retângulo no centro da toalha-mapa, a flutuar entre um ananás, um moinho de vento e uma baleia".


Enquanto leitora, senti que fiz uma viagem pelas ilhas dos Açores, ao mesmo tempo que acompanhei a autora enquanto esta faz uma espécie de viagem interior em busca do seu verdadeiro amor. A certa altura alguém diz acertadamente que: "A décima ilha é o que temos dentro da gente. É o que nos resta enquanto tudo desaparece". É isto que o povo pensa. E é isto que Diana tem pela frente.


A Décima Ilha, levou-me a refletir sobre a ida dos emigrantes açorianos para Califórnia, sobre as suas raízes e sobre as suas histórias. Levou-me ainda a gostar do tom intimista, utilizado pela jornalista quando conta as histórias do foro privado e nos brinda com descrições que nos fazem "viajar" num ambiente familiar e calmo. O que fica? A descrição pouco palpável do sentimento de saudade, explicado pela ligação que sentem os emigrantes e também por quem visita um lugar tão bonito como os Açores. Eu, como gosto de viagens, achei fascinante.


Muito obrigada à Cultura Editora por esta viagem inesperada!


 


Classificação: 4/5*


 


 

domingo, 26 de janeiro de 2020

Diz-me que és minha, de Elisabeth Norebäck

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SINOPSE: Aqui


 


OPINIÃO:


Este livro foi-me enviado pela Porto Editora no ano passado, o que desde já agradeço. É com satisfação que o recebo, pois é uma oportunidade para ler mais thrillers e para conhecer novos autores suecos. Em geral, devo dizer que aprecio muito a forma como os suecos escrevem sobre crimes, bem como sobre toda a investigação que se segue.


Apesar dessa minha admiração, cada vez mais constato que nem todos vão de encontro ao que procuro. É claro que o grau de exigência vai aumentado à medida que vou lendo mais e mais livros, sendo que, em cada leitura, espero, no mínimo, alguma originalidade e, sobretudo, um final surpreendente.


Em Diz-Me Que És Minha, Norbäck, após ter sido mãe, decidiu escrever uma história sobre uma mãe que perde uma filha. Então, criou uma personagem cheia de medos, dúvidas e de ataques de ansiedade, ou seja, alguém com que qualquer mãe se poderá identificar. Essa personagem, chamada Stella Widstrand; uma psicoterapeuta, mãe de um rapaz de 13 anos, não esquece o desaparecimento da filha, ocorrido há 20 anos, o que a leva a educar o filho de forma a protegê-lo ao máximo.


Eis senão quando Isabella entra no seu consultório e Stella suspeita que poderá ser a sua filha Alice. E assim se inicia uma história em que tudo é posto em causa, incluindo a sanidade mental, pois, embora nunca tenha sido encontrado o corpo, todos, com exceção de Stella, acreditam que a filha morreu afogada no lago.


Durante a leitura, houve alguns momentos em que senti um certo afastamento relativamente à personagem Stella, pois esta transmitiu-me a ideia de que o mundo gira em torno dela. É certo que, além de Stella, também acompanhei a história, entre 1994 e os dias atuais, sob a perspetiva de Isabella e Kerstin, porém, considero que a dor de perder a filha e o sentimento de culpa não justificam algumas acções ou atitudes de Stella, aliás acreditei que enquanto psicoterapeuta estaria, ela própria, a precisar de tratamento.


"Eu sonhara com este dia. Fantasiara os acontecimentos. como me sentiria, o que diria. Não era suposto ser assim, e a dor supera as minhas piores expetativas".


Com a leitura de Diz-Me Que És Minha, fiquei presa a pensamentos e emoções que me foram sendo transmitidos pela Stella, pela Isabella e pela Kerstin, esperando, com algum nervoso miudinho, que o desfecho fosse a recompensa para tanto desgaste emocional. Embora não me tenha identificado com Stella, nem com qualquer outro personagem, considero tratar-se de um thriller interessante, perturbador, que se lê de uma assentada.


Classificação: 4/5*


 






terça-feira, 21 de janeiro de 2020

O livro com mais visitas

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A opinião sobre este clássico (aqui) tem tido muitas visitas neste blog, o que me deixa muito satisfeita porque independentemente do tempo que já passou (dois anos) ainda há quem leia os meus post´s mais antigos.


Em 2020, vou continuar a ler outros livros do mesmo género literário para o Clube dos Clássicos Vivos e, também, para começar a desocupar a minha estante da "vergonha", com inúmeros livros maravilhosos à espera de serem lidos -  ou não fossem os clássicos de um género intemporal.


 


Sinopse:«Apesar das numerosas semelhanças entre "O Vermelho e o Negro" e "A Cartuxa de Parma", os dois romances são subtilmente diferentes na sua perspectiva erótica e na representação dos protagonistas de Stendhal. A nostalgia de glória napoleónica não abandona Julien quase até ao fim, mas extingue-se em Fabrizio depois da derrota de Waterloo. O autêntico amor não se apodera de Julien a não ser nos seus últimos dias e, ainda que não existam motivos para duvidar da sua sinceridade, tanto ele como Madame de Rênal sabem que não têm futuro, o que constitui um nada negligenciável motivo para intensificar a paixão.» «Julien Sorel nada sabe de si próprio; só é capaz de sentir as paixões depois de as simular e tem um inegável talento para a hipocrisia. E, no entanto, Julien mantém o nosso interesse e, mais do que isso, fascina-nos, não somos capazes de sentir antipatia por ele.» Harold Bloom, "Futuro da Imaginação" «Stendhal faz com que o leitor se sinta orgulhoso de ser seu leitor.» 


Classificação: 4/5*



 

 

 

domingo, 19 de janeiro de 2020

O meu livro secreto

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O Livro secreto já vai na 3.ª edição e continuo a receber e a enviar livros, por correio, todos os meses, graças à organizadora do grupo Magda Pais, do blog Stone Art Books(Aqui).


Como já devem ter percebido, o meu livro, A Sociedade Literária da Tarte  de Casca de Batata, anda a circular por esse país fora e espero que todos estejam a gostar tanto desta história como eu.


 


Sinopse: Londres, 1946. Depois do sucesso estrondoso do seu primeiro livro, a jovem escritora Juliet Ashton procura duas coisas: um assunto para o seu novo livro, e, embora não o admita abertamente, um homem com quem partilhar a vida e o amor pelos livros. É com surpresa que um dia Juliet recebe uma carta de um senhor chamado Dawsey Adams, residente na ilha britânica de Guernsey, a comunicar que tem um livro que outrora pertenceu a Juliet. Curiosa por natureza, Juliet começa a corresponder-se com vários habitantes da ilha. É assim que descobre que Guernsey foi ocupada pelas tropas alemãs durante a segunda Guerra Mundial, e que as pessoas com quem agora se corresponde formavam um clube secreto a que davam o nome de Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata. O que nasceu como um mero álibi para encobrir um inocente jantar de porco assado transformou-se num refúgio semanal, pleno de emoção e sentido, no meio de uma guerra absurda e cruel.


Classificação:5/5*







 


 







 

sábado, 11 de janeiro de 2020

Obrigada

Hoje é o Dia Internacional do Obrigado, um dia que começou por ser divulgado nas redes sociais como se tratasse de uma invenção recente. Pois não é. Eu acredito que a ideia surgiu há milénios. Desde Buda a Jesus Cristo, todas as religiões focam a questão da necessidade de sentirmos que temos motivos para sermos felizes. Tudo começa na mente, na forma de pensar. Dizer obrigada faz-nos sentir melhor e ao mesmo tempo  a perceber a importância das coisas que nos rodeiam. É quase como voltar a ser criança. Tudo volta a ser maravilhoso e com espanto verificamos que a andamos a olhar para o sítio errado.