quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

A Última Ceia, de Nuno Nepomuceno

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Os apreciadores da beleza, da cor e da estética, adoram rodear-se de obras de pintores famosos em cada canto da casa. No seu mundo, o da arte, é importante  o conhecimento de todos os traços, pormenores, pinceladas e técnicas do artista. Ademais, os apreciadores e ou compradores, geralmente, têm um sentido apurado e, por vezes, encontram obras em sítios inesperadamente fáceis. Apreciar a Arte é uma arte, passo o pleonasmo, e, sabendo que a beleza tem um preço, há quem esteja disposto a pagar qualquer preço por uma obra ainda que a mesma tenha sido furtada de um Museu ou até de uma Igreja.


 


Sabendo que existe esse mundo paralelo do crime, o autor inspirou-se em alguns factos verídicos, como o roubo da Mona Lisa, no Louvre, em 1911, e a história d' A Última Ceia começa com o roubo da cópia da A Última Ceia  [ que corresponde à pintura original sobre a parede realizada por Leonardo da Vinci,  entre 1494 a 1498, no refeitório do Convento de Santa Maria Delle Grazie, em Milão, Itália].


O ladrão deixa uma mensagem "Obrigado pela pobre segurança. Vemo-nos dentro de um ano" e, ainda, um poema muito enigmático.


 






Gostei da premissa da história, mas não apreciei o romance entre a Sofia Conti, uma jovem portuguesa, e Giancarlo Baresi, um italiano de caráter duvidoso, dado que foi, a meu ver, algo precipitado (o facto de, no início, não ter gostado muito desta personagem também não ajudou, claro).

As partes que me suscitaram mais a atenção foram a cena de flagelação com um toque hediondo, do qual não posso falar, e as folhas do diário do professor Catalão, escrito aos oito anos. Pena é que não tenham existido mais páginas do diário, é  que achei simplesmente deliciosas as palavras que estava a aprender e a preocupação em escrever corretamente.


 


Mas refletindo um pouco sobre o final desta história, interrogo-mo se Leonardo da Vinci não terá razão:



Existem três tipos de pessoas: aquelas que veem, aquelas que veem quando lhes é mostrado e aquelas que não veem.



 


Creio que me enquadro no primeiro e segundo tipo de pessoas, porque quando acabo de ler um livro que me intriga volto sempre atrás à procura daquilo que me passou despercebido numa primeira leitura. E foi isso que aconteceu com A Última Ceia, uma vez que fiquei a pensar na divisão da história em: Livro 1 (esboço), Livro 2 (cor) e Livro 3 (Acabamento). Isso intrigou-me porque são as etapas necessárias numa pintura. Porém, só após a leitura é que dei conta de que a maior parte da história se encontra no Livro 2 (cor).  Cor, em sentido figurado, significa disfarce, pretexto, e tenho para mim que foi propositadamente que o autor tratou aí a maior parte da ação e evolução da  história,  a qual serviu para delinear uma personagem que surpreenderá, e muito, no final. Acho que esteve bem disfarçada!


 


De outra forma, se calhar numa interpretação mais verosímil, entendo que o Leonardo Da Vinci se estava a referir à existência de pinturas por baixo dos quadros e que só sabemos atualmente através do recurso a técnicas avançadas. Ou então, se pensarmos que só vemos o que nos é mostrado, estava a chamar à atenção para a existência de objetos bem visíveis nas suas pinturas, como o do nó na toalha da mesa n´A última Ceia, existindo teorias sobre o seu verdadeiro significado. 


 


Considero que este livro proporciona bons momentos e pergunto:


Do que estão à espera para o ler?


 


CLASSIFICAÇÃO:


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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Nãooooooo, é segunda novamente...

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O fim de semana passou a correr. Li muito pouco. Ler pouco, para mim, é mau - é não preencher o pensamento. Ler pouco deixa-me sempre uma sensação esquisita de aperto no peito e, às vezes, ainda um vazio. Não deveria ser assim, oiço-vos dizer daí.


 


[Não,  Edite, tens de mudar isso, e podes sempre escrever]


 


Ora, isso leva-me a achar que o tempo devia estar acessível em séries, como as da televisão, e nós compravamos mais um ou dois episódios de forma a conseguirmos ter mais tempo para fazer ver tudo o que gostamos.


Era uma boa ideia, não era? 


 


[Era sim, mas tens de ir trabalhar para ganhar dinheiro]


 


Agora, fico com um dilema para resolver:


1- Acredito nas minhas ideias e leio para esquecer tudo;


2 - Acordo para a vida e escrevo o que me vem à mente;


3- Lá vou eu triunfante...


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domingo, 17 de fevereiro de 2019

Inspirada no meu estado de espírito

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Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,
Mas, quando despertei da confusão,
Vi que esta vida aqui e este universo
Não são mais claros do que os sonhos são (...)



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Pensamentos - 3

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- Já passa das 9?!- A voz dela transborda pânico, e ela de imediato dá meia volta e corre na direção das escadas. Sobe-as de dois em dois degraus; não a sabia capaz de incorporar tanta pressa.



 


Confesso - Collen Hoover


 


Esta frase suscitou-me a atenção, não sei bem porquê.


A escolha aleatória é apenas a forma que arranjei de vos mostar algumas frases: filosóficas, criativas ou que suscitem algum tipo de debate.


Leio novamente. Julgo que foi a última parte.


Andamos nesta vida a "incorporar tanta pressa" para chegar ao trabalho que acabamos por esquecer o que é mais importante. 


Esquecemos a lancheira, o estojo dos lápis, um caderno, um livro....e o pior é que, quando náo sou eu, são os meus filhos!


E vocês?


 


 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Dura lição

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A dura lição, pintura de William-Adolphe Bouguereau.

 



Ler é uma forma de nos ajudar a pensar melhor. A vida, a agitação, a rotina, e a necessidade de obter coisas mais rapidamente, torna-nos dependentes das novas tecnologias, especialmente no que às redes sociais diz respeito. Acho mesmo que o meu vício das redes sociais está para o das batatas fritas, porque ambos satisfazem uma necessidade num determinado momento e só prejudicam: um porque engorda, o outro porque deixa-me sem tempo para nada.Optei, então, por não comer batatas fritas e colocar um alterta no facebook. Escolhi mudar. Escolhi ter consciência do que quero.


Depois de refletir sobre este assunto, algo comezinho, acordei .Se algo me preocupa, verdadeiramente, não é a minha dieta, nem o tempo que passo nas redes sociais, mas a mudança de paradigma no estilo de vida que poderá ditar o fim dos livros. As pessoas querem a informação rapidamente e já não perdem tempo a ler. 


Fecham livrarias. As editoras entram em falência. Acabam os livros. As tecnologias evoluem. O Homem é substituído por máquinas. E elas pensam por nós.Continuamos a ignorar os sinais e a vida continua no seu ritmo acelerado.


Ler é uma forma de nos ajudar a pensar melhor e os livros são os nossos professores. 


A dura lição será quando as tecnologias vencerem.


Por favor, leiam!