quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O pianista de Hotel, de Rodrigo Guedes de Carvalho

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Sinopse: aqui.


Opinião: Quando chegou ao meu conhecimento que um leitor considerou este livro indigno e escandaloso, nada mais havia a fazer contra a minha enorme curiosidade.Tendo como ponto de partida este ponto de vista, procurei ler mais e mais, sempre à procura do tal pecadilho escondido que poderia ter suscitado tamanha mossa na honra e moral deste leitor desprevenido.


 


Na narrativa simples, clara e direta, nada há a apontar, exceto os diálogos de vernáculo ou palavrão. Depois, se tomarmos como exemplo a frase "Não passa de hoje vais dizer onde mora esse filho da puta", talvez isso fira a sensibilidade de algum leitor eclético habituado a outro género de literatura. Então e se lermos a frase "Os médicos não percebem um caralho de medicina", será que poderá ter causado tamanha comoção? Talvez. Creio eu. Talvez devido a um certo engulho. Parece-me mau assim à partida, porém, a frase está descontextualizada, até porque é proferida por um médico numa situação de stress. Caramba, estava num dia mau e todos temos os nossos dias. Faz sentido falar assim, não faz? Para o pessoal do Norte, então nem se fala (que me desculpem, apenas estou a tentar apresentar uma linha de argumentação).


 


Quanto ao romance em si, encontrei situações sobre a vida, sobre os problemas da solidão e da perda. Depois há ainda umas cenas de sexo, a homossexualidade, a violência e os problemas do foro médico-hospitalar (isto para simplificar). Nada que não se passe na vida real.



Os personagens são: Maria Luísa (empregada de mesa), Saúl Samuel (homossexual e amigo de Maria Luísa), Luís Gustavo (enfermeiro que gostaria de ter sido médico), Pedro Gouveia (médico desencantado com a profissão), Maria Manuela (mãe de Maria Luísa) e Maria Amélia (psiquiatra e lésbica). Todos eles tinham sonhos que não se concretizaram. No fundo, lendo esta história, percebemos o desencanto na vida, os sonhos desfeitos e a solidão. A música dá-lhes algum sentido à existência.


 


O que gostei menos foi o desencontro constante de Maria Luísa e Luís Gustavo e da mãe de Maria Luísa, que nem depois de morta deixa de "assombrar" a filha.


Já a alusão constante à música, como uma espécie de linha invisível da história, poderia, na minha opinião, ter "alinhavado" um final merecido para alguns personagens, pelo que, ao contrário do leitor desprevenido, fiquei à espera de algo mais.


 


Posto isto, considero que é uma história que cativa e que merece ser lida por qualquer leitor de mente aberta.


Que tipo de leitores são vocês? Alguém já leu? (estou curiosa).


 


Classificação: 4/5


 


 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A outra metade de mim, de Affinity Konar | Livro secreto # 7

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Sinopse:aqui.


 


Opinião: Vou começar este post de uma forma pouco habitual, ou seja, por falar na capa: simples, bonita e em tons de vermelho sangue, uma alusão à pintura de papoilas que é referida na própria história. 


"A outra metade de mim" é  o título em português. Mischling, no original, provavelmente seria um título com um maior impacto se o mesmo pudesse ser traduzido para a nossa língua, uma vez que a palavra "Mischling" era o termo usado para caraterizar aqueles que possuíam sangue ariano e judeu. 


 


A escritora americana, Affinity Konar, tem 40 anos e não possui familiares que lhe tivessem relatado a experiência durante o Holocausto, mas ao que tudo indica ela inspirou-se em testemunhos reais relatados nos livros.


 


A história é contada por duas crianças: Pearl e Stasha. Pearl, sonhadora,  e Stasha, adora música,  são gémeas idênticas. Quando são enviadas para Auschwitz vão parar às mãos do "Anjo da Morte",  o médico Josef Mengele. Ele realiza experiências no seu "Zoo". São experiências estranhas, sem objetivos e com total desprezo pelo ser humano. As crianças são meros objetos. 


 


Como podemos ler na sinopse: "É um livro que desafia todas as expectativas, atravessando um dos momentos mais negros da história da humanidade para nos mostrar o caminho para a beleza, a ética e a esperança". 


 


Este livro é uma surpresa. Além de a história ser contada por duas crianças inocentes que ainda não compreendem o que lhes está a acontecer, a utilização de palavras poéticas faz com que a escrita quase que se distancie da cruel realidade.


No final, entendemos a mensagem de perdão e de esperança na sobrevivência da raça humana.  



O meu perdão foi uma repetição constante, o reconhecimento de que continuava viva, a prova de que as experiências deles, os seus números, as suas amostras, tudo isso falhou – eu continuei a viver, um tributo aos seus erros de cálculo, pois subestimaram o que uma rapariga consegue suportar. O meu perdão deixou claro o seu fracasso em aniquilar-me.



 


 


Classificação: 4/5


 


Para quem quiser conhecer mais sobre a escritora e sobre a obra: 


https://www.youtube.com/watch?time_continue=451&v=TAiryXRYNUw


 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Dom Casmurro, de Machado de Assis

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Sinopse: aqui.


Opinião: A minha estreia com Machado de Assis. Este clássico da literatura brasileira foi publicado em 1899 e é uma das suas grandes obras. Existem vários estudos e análises ao livro "Dom Casmurro", mas isso não me vai impedir de partilhar a minha experiência enquanto leitora. Nessa qualidade, e nessa apenas, confesso que comecei a ler o início do livro com pouco entusiasmo. Cada folha corresponde a um capítulo, num total de 148, e temos de dar um passinho de cada vez para conhecer todo o enredo. Uma técnica de escrita para a qual não estava preparada.


 


A história começa pela revelação do porquê do nome Dom Casmurro e dos motivos para escrever um livro na velhice.



Enfim, agora, como outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.


 


Deste modo, viverei o que vivi, e assentarei a mão para alguma obra de maior tomo.


 



Bento Santiago (Bentinho), Dom Casmurro, é apaixonado pela vizinha Capitolina (Capitu), a primeira amada do seu coração. Com ela desabafa muitas das suas angústias, incluindo a que se refere à promessa de D. Glória, mãe de Bentinho, de tornar o filho padre. Depois de abandonar o seminário, ele casa com Capitu e a sua felicidade aumenta com o nascimento do filho. Porém, um evento irá mudar o rumo dos dois.


 


Todas as noites li um capítulo desta história, que parecia não ter fim à vista, até que acordei de repente e li compulsivamente até ao final. Voltei atrás, li novamente alguns capítulos, e percebi que o que não foi um amor à primeira vista tornou-se em enorme admiração. Adorei. No final,  compreendi que as pistas estão todas lá, e vão sendo dadas aos poucos de uma forma velada, como quem não quer a coisa, para depois se dar a apoteose com a revelação de uma verdade dolorosa - ou mentira, consoante a opinião.


 


Se querem ler este clássico, o que recomendo vivamente, comecem por reservar um tempinho nas férias ou num fim-de-semana de forma a poderem sentir cada palavra e a extraiar o seu pleno significado. Não considero que a escrita de Machado de Assis seja difícil, mas a sua aparente simplicidade tem artifícios de um verdadeiro mestre. 


Preparem-se.


 


Classificação: 4/5


 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Novo layout da Gaffe.

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É por detrás do computador que me encontro a escrever, geralmente, num torvelinho de ideias que me atormentam. Presa às palavras? Não, porque as palavras podem libertar. Acredito piamente nisso e na ideia de libertar/escrever tudo o que nos vem à mente até num simples agradecimento.


 


Num local destinado às ideias, palavras e livros, que adquire significado quando encontra o reconhecimento e o carinho dos leitores, expresso, desde já, uma enorme admiração pelas pessoas que vou encontrando e que me levam a acreditar que vale mesmo a pena andar por aqui.


 


Hoje o meu enorme OBRIGADA é dirigido à A Gaffe e as Avenidas pelo seu trabalho e paciência na alteração do layout do meu blogue. Está lindo, lindooo! 


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Eis como o blogue surge vestido de novas vestes, suaves e diáfanas, contendo referências aos livros, aos pensamentos e ao equilíbrio, sob o qual devem ambos coexistir, usando ainda da criatividade, sofisticação e minimalismo.


Palavras para quê. MARAVILHOSO


E vocês o que acharam?


 


 


 


 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Quando pensar faz mal.

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Ao ler esta frase pensei, cá para com os meus botões, que o racicíonio lógico é simples e que nós é que complicamos tudo. Sem dúvida que existe uma tendência natural de procurar ler o que está nas entrelinhas, uma tendência que criou raízes nas aulas de filosofia.


 


Assim de repente, ao olhar para esta frase e para esta imagem, veio-me à cabeça o seguinte:os livros pequenos e os pequenos mundos foram abduzidos pelos grandes livros e pelos grandes mundos? Isto será discriminação, rapto ou alienação? 


 


Creio que pensar faz mal quando estamos a tentar escrever algo de jeito para colocar no blogue...e ainda vou presa por descobrir uma nova teoria da conspiração editorial:).