sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A parte divertida nas conjugações improváveis

Acredito totalmente no poder da terapia dos livros pelos bons momentos que eles nos proporcionam. 


Acredito que chegaremos ao Natal sem comprar todas as prendas.


Acredito que o calor, que se faz sentir em outubro, se manterá durante mais algum tempo.


Acredito que os portugueses continuem a casar na confusão do mês de agosto.


Mas, acreditem se quiserem, na vida, a parte divertida reside na conjugações improváveis, quer sejam num casamento no Natal, numa dança de casamento divertida ou numa leitura de um romance de um conhecido escritor de policiais, como James Patterson.


 


Acredito mesmo nas conjugações improváveis, até porque a seguir à sexta-feira nos espera um


 


Bom fim-de-semana!


 



 


 

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Uma abelha na chuva, de Carlos Oliveira

uma abelha na chuva.jpg


Sinopse: aqui.


Opinião: Este livro é daqueles em que "primeiro estranha-se, depois entranha-se" . Acho que não estava à espera que uma história, que decorre no Portugal provinciano, pudesse revelar particularidades divertidas versus uma história estranhamente cruel. Eu explico. Achei divertidas algumas expressões, como "Se as orações dos cães chegassem aos céus choviam ossos", "noiva serôdia, nem miolo nem côdea" ou, ainda, "burro morto, cevada ao rabo". Mas também achei a história cruel, porém,não posso divulgar mais pormenores, sob pena de conter spoilers, estragar a surpresa, ou contar a história toda, Whatever!


O primeiro capítulo começa por descrever o ambiente escuro, que ameaça chuva, e um homem que vai ao café e pede um brandy e bebe tudo de uma só vez. Não sabemos mais nada. É o mês de outubro, o tempo é invernoso e o homem aparece, entra no café, bebe três copos a penalty e sai. Tudo pausadamente. Percebi no capítulo a seguir que era para descrever Álvaro Silvestre e que este estava a tomar coragem para entrar no Jornal da terra (Montouro, em Cantanhede). O que Silvestre prentende é ver a sua confissão de culpa publicada no jornal da terra para que todos saibam que tem uma mulher que o obriga a desviar dinheiro ou a roubar.


No capítulo seguinte, surge a D. Maria dos Prazeres que veio à procura do marido. Entretanto, na charrete, ela reflete sobre o seu casamento infeliz  (ela, fidalga, foi obrigada a casar com Álvaro Silvestre, um lavrador "boçal" e "rico"). Permeando os seus pensamentos de "sangue por dinheiro", Maria dos Prazeres (uma ironia?) observa o cocheiro, Jacinto.


A leitura das 132 páginas deste livro foi demasiado rápida, pelo que tive de voltar a ler segunda vez. O significado das palavras que nos preparam para as cenas seguintes não é apreendido de imediato. Álvaro, que gera simpatia, torna-se odioso e Maria dos Prazeres, altiva e fidalga, não é o que parece. Já Jacinto e Clara, que se amam, que simbolizam o amor verdadeiro, são a antítese, um casal que se atreve a sonhar, neste ambiente de infelicidade, pautado pelos interesses económicos, e de onde nada pode surgir de bom.


A acção decorre em três dias durante o mês de outubro. Chove imenso e o tempo é "invernoso".  Fiquei triste como o tempo. Pensei. Pesquisei. No fundo, não queria acreditar que um livro tão pequeno podesse dizer tanto.


Deixo-vos o link do excerto do filme de Fernando Lopes (1968-1971), o qual demonstra o casamento infeliz de D. Maria dos Prazeres Pessoa de Alva Sancho Silvestre:https://www.youtube.com/watch?v=pqsxxusO-ms.


 


 Classificação: 5/5 - Adorei

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Comer e amar em Paris, de Elisabeth Bard

Comer-e-Amar-em-Paris.jpg


Sinopse: aqui.


Opinião: A escolha de tema para leitura durante o mês de agosto, para o Clube de Leitura Conversas Livrásticas, recaiu sobre "um livro com cheiro". Houve quem dissesse: pode cheirar a bolor? É um cheiro, não é?  Por acaso, achei graça ao comentário, mas, na verdade, o papel sorteado foi escrito por mim e lembro-me que quando escrevi esse tema pensei logo em "Julie & Júlia". Adorei o filme e a interpretação da Meryl Streep (Alguém já viu o filme?).


Essa era a ideia inicial, mas acabei por ler "Comer e amar em Paris", uma história de amor com receitas. O que é que me atraiu neste livro? Um dois em um: uma história de amor real e as receitas de culinária. Ainda por cima tudo se passa em Paris!


De facto, tem todos os "ingredientes para ser uma boa história" e dá para sentir uma certa inveja da Elisabeth a passear pelos mercados de Paris. Senti na imaginação os sabores e cheiros das ervas aromáticas, da canela e, oh-la-la, da comida!


O conceito é interessante e apreciei ler as receitas e a história de Elisabeth e Gwendal, ela americana e ele francês, e como se conheceram, o que comeram e, depois, quando casaram. 


"Tudo regado com molho de vieiras e champanhe, muito gengibre, e, claro, no final, uma sobremesa de soufflé de chocolate",  é como quem diz, o livro tem muito mais para mal dos leitores que pretendem manter a dieta. Portanto, se é o vosso caso, é melhor fazerem como eu, serem fortes e manterem o pensamento focado (só que não!).


Dito isto, as inevitáveis comparações com o "Julie & Júlia", com as suas 365 receitas (uma por dia durante um ano), fizeram-me pensar num concurso de talentos culinários, em que "Comer e amar em Paris" receberia uma nota menos favorável.


Classificação: 3/5.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Um acórdão e um desabafo mal amanhado


Raios, Sapo! Agora que descobri que cometo erros de principiante fica difícil de colocar um título sem pensar que pode estar errado! Acredita que sei que para aprender é preciso cometer erros. Sejam grandes, pequenos, graves ou menos graves, os meus erros não me preocupam tanto como o retrocesso ao nível inteletual. É que aprender é admitir o erro, seguir em frente e não o voltar a cometer. É avançar sem olhar para trás. É perdoar-se e saber perdoar os outros. 


Raios, Sapo! Eu estou a referir-me a outra coisa e usei-te como pretexto. Espero que me perdoes por mais este erro de principiante. 


Posto isto, tenho debaixo da língua muitas palavras, tantas que davam para escrever um tratado de má língua, com direito a palavras curtas e grossas, por causa dos erros crassos dos outros.


Pensar, pensar demasiado é contra a terapia prescrita pela minha entidade patronal biblioterapeuta, portanto, se não posso pensar muito nem dizer tudo, o que posso dizer sobre cercear a calibragem das palavras que certos juízes empregam em acórdãos ? 


Meus senhores e minhas senhoras, isto são só palavras, nada mais. Sigam em frente do acórdão. Acordem e não se espantem quando começarem a esbarrar e a cair nos buracos da lei e da jurisprudência. Eles existem. E as injustiças...nem se fala! É para todos e não é só para A, B ou C. 


Raios, Sapo! Agora que descobri que cometo erros de principiante fica difícil falar do que todos os outros falam.


 


 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Verão, Edith Wharton

Verão-edith Warton.png


Sinopse: aqui.


Opinião: Comprei este livro na última Feira do Livro de Lisboa e li-o, rapidamente, no Verão. Já conhecia a escritora de "A Idade da Inocência", mas este livro prometia ser diferente.


Como nota introdutória, Edith Wharton foi a primeira mulher a ganhar o Prémio Pulitzer com "A Idade da Inocência" em 1921. Nos anos seguintes, em 1927, 1928 e 1930, a romancista americana foi nomeada para o Prémio Nobel da Literatura e não ganhou em nenhum dos anos em que esteve nomeada (mas já falamos das reveses deste prémio anteriormente).


A personagem principal é Charity Royall, que foi trazida das Montanhas, por caridade, e acolhida por  Mr. Royall, e é na aldeia de North Dormer, "uma aldeia dos montes, queimada pelo sol e batida pelas intempéries, abandonada pelos homens, deixada de lado pelos caminhos de ferro, transportes, telégrafos e por todas as forças que unem a vida à vida das comunidades modernas", que Charity trabalha, a meio tempo, na biblioteca. 


Charity tem 18 anos, odeia a aldeia de North Dormer, onde se sente isolada, e só pensa em ganhar dinheiro suficiente para sair dali. Mas Charity, ao contrário do nome, não é caridosa, não é amável nem uma personagem com que se crie uma empatia. Tudo a aborrece (creio que isso terá a haver com o facto de Charity ser jovem e não pensar nem refletir nas consequências dos seus atos). Perante este cenário, ela apaixona-se por um jovem arquiteto citadino chamado Lucius Harney, deposita nele todas as suas fantasias quanto ao futuro e manda às urtigas quaisquer pensamentos de decência da época, envolvendo-se com ele sexualmente.


Um livro que não se compara ao "A Idade da Inocência", mas em que podemos apreciar a história e a escrita desta grande escritora, cujo tom crítico habitual da sociedade, da política e da moral, surge através dos personagens Charity, Mr. Royall e Harney. 


Será que ela se inspirou nela própria?


 


Classificação: 4/5 - Gostei,