sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Emigrantes, de Ferreira de Castro | livro secreto # 5

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Opinião: Começo por avisar: nunca se deve julgar um livro pela capa porque o que conta é o conteúdo. Este livro é um livro secreto e veio parar a minha casa há uns meses atrás. Abri muito rapidamente o embrulho que continha o livro, porém, a ilustração na capa desiludiu-me logo e, naquele instante, pensei: é um livro da escola! Esta foi a primeira impressão. Quando comecei a ler o primeiro capítulo,com a descrição de uma aldeia pobre algures no interior de Portugal, ela voltou. Na minha perspetiva, estava a ler para a disciplina de português. Mas fui resistente e avancei. À medida que fui lendo comecei a apreciar a escrita de Ferreira de Castro. Aliás, acho que as descrições são necessárias e muito realistas. Embrenhei-me então na história do Manuel da Bouça, na pobreza da sua aldeia e no seu sonho. Emigrar representaria uma forma fácil de ganhar dinheiro. Ingenuamente Manuel da Bouça pede dinheiro emprestado e compra a viagem, deixando a mulher e a filha. Com isso lucraram e enriqueceram os "vendedores de sonhos" lá da aldeia. Já o pobre desgraçado do Manuel da Bouça, cheio de receio de viajar de barco, embarcou numa ilusão. 


No geral, uma história para pensar e refletir pela atualidade do tema da experiência emigração. Em particular, uma menção especial para escrita que nos emociona (o próprio Ferreira de Castro emigrou e passou por dificuldades) levando-nos a "sentir" todas as sensações, pensamentos e emoções de Manuel da Bouça. Coitado do homem, só lido. 








 

 


Em todas as aldeias próximas, em todas as freguesias das redondezas, havia o mesmo anseio de emigrar, de ir em busca de riqueza a continentes longínquos. Era um sonho denso, uma ambição profunda que cavava nas almas, desde a infância à velhice. O oiro do Brasil fazia parte da tradição e tinha o prestígio duma lenda entre os espíritos rudes e simples. Viam-no reflorir nas igrejas, nos palacetes, nas escolas, nas pontes e nas estradas novas que os homens enriquecidos na outra margem do Atlântico mandavam executar.
 


 

Classificação: 5/5 - Gostei bastante.

 

 


 



 


 








quinta-feira, 5 de outubro de 2017

1001 livros para ler antes de morrer, de Peter Boxall - Parte # 5 - depois de 2000

 


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Meu Deus, estou perdida nos livros ! Pior, a lista não bate certo! KKKKK? Sim, isto não tem um happy end. Portanto, eu acrescentei os últimos livros em itálico de outra lista (daqui) e estes não aparecem nesta edição do livro. Assim sendo,  ou foi erro meu (e peço desculpa) ou esta edição não tem a lista completa.Rsrsrsrs.


 


Parte 1 - antes de 1800 | Parte 2 - século XIX | Parte 3 - século XX | Parte 4 - século XX


 


 


0949.  House of Leaves - Mark Z. Danielewaki


0950.  Blonde - Joyce Carol Oates
0951.  Batleby & Companhia - Enrique Vila -Matas
0952.  Ignorância - Milan Kundera
0953.  Pastoralia -Georgia Saunders
0954.  Harmonias Celestiais- Esterházy
0955.  Mancha Humana- Philip Roth
0956.  Dentes Brancos - Zadie Smith
0957.  Debaixo da Pele - Michel Faber
0958.  The Heart of Redness - Jakes Mda
0959.  As Frias Flores de Abril - Ismail Kadare
0960.  As Espantosas Aventuras de Kavalier & Clay - Michale Chabon
0961. Um Pai Obediente - Akhil Sharma
0962.  A Festa do Chibo - Mario Vargas Llosa
0963.  Asfixia - Chuck Palahniuk
0964.  Soldados de Salamina - Javier Cercas
0965.  O corpo Enquanto Arte - Don DeLillo
0966.  Não Te Movas - Margaret Mazzantini
0967.  Expiação - Ian MacEwan
0968.  Austerliz - W. G Sebald
0969.  Welcome ro Our Hilbrow - Phaswane Mpe
0970.  A Vida de Pi - Yann Martel
0971.  Correcções- Jonathan Franzen
0972.  Plataforma - Michel Houellebecq
0973.  A Questão do Bruno - Aleksander Hemon
0974.  Middlesex - Jeffry Eugenides
0975.  Shroud - John Banville
0976.  Está Tudo Iluminado - Jonathan Safran Foer
0977. Kafka à Beira Mar - Haruki Murakami
0978.  A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafón
0979.  Um Brilhante Defeito - Arthur Japin
0980.  Uma Casa na Escuridão - José Luís Peixoto
0981.  Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra - Mia Couto
0982. O Bom Nome - Jhumpa Lahiri
0983. O Estranho Caso do Cão Morto - Mark Haddon
0984. Budapeste- Chico Buarque
0985. La Dama número trece - José Carlos Somoza
0986. Aquilo que Eu Amava - Siri Hustvedt
0987. Branco Sobre Negro - Ruben Gallego
0988. O Teu Rosto Amanhã - Javier Marias
0989. Drop City - T. Coraghessan Boyle
0990. Cloud Atla - David Mitchell
0991. O Mestre - Colm Tóibin 
0992. A Conspiração Contra a América - Philip Roth
0993. O Mar - John Banville 
0994. Jerusalém - Gonçalo M. Tavares
0995. Sábado - Ian McEwan
0996. Die Vermessung der Welt - Daniel Kehlmann
0997. O tigre branco – Aravind Adiga
0998. Cost – Roxana Robinson
0999.American Rust – Philipp Meyer
1000. Invisível – Paul Auster
1001. The Children’s Book – A. S. Byatt


 


 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A recordar o tempo

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Ontem foi dia de comemorar mais um aniversário de casamento. Xiiiii, como o tempo voa e os anos passam! Vocês já sentiram a sensação de que cada dia que passa é como um fio de ar volúvel que escorre entre os dedos? Algo me escapou, certo? Será que existe uma linha ténue entre um tempo psicológico e um tempo agitado pela fúria da rotina? Não sei, sei sim que é necessário parar o tempo. Estou aqui a pensar nisso e nas vantagens que me traria. Mas temos de ser realistas e isso não vai acontecer senão na nossa mente. Resta recordar. Aliás, dizem que recordar é viver e eu então recuei um ano ( dia 3 de outubro 2016). Talvez as recordações permitam parar o tempo...


 


Este tempo (in)certo
pode provocar (in)certezas.
É que não podemos perder tempo
ou ter tempo para surpresas.

É que não podemos
ganhar tempo ou perder .
É que não há tempo,
sem tempo para viver.

Algum tempo,
é viver um pouco.
Não aproveitar o tempo,
é ser louco.

Mas o meu
tempo é teu,
Como o teu,
É meu também...

Não, não é de mais ninguém.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Línguas-de-gato | O desabafar de uma promessa # 39

Já dizia Martin Luther King "O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons". Concordo inteiramente porque é deveras preocupante e secante (só para rimar e miar) os "gritos" que se ouvem. Tanto sofrimento! O que é que se passa com os humanos?!


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Esta imagem é um exemplo do que referi e eu identifico-me com o gatinho preto perdido no meio desta confusão toda e embora miar nada resolva sei que o silêncio apenas prejudica e aproveita quem tem interesse em que não sejam levantadas grandes ondas de opinião. Cada um com a sua? Purrrr? Um gato mia e há que desabafar, ora essa. A propósito ouvi qualquer coisa sobre uma certa gata que perdeu as eleições e que levou uma pêra. Isso não se faz!!! Ela só prometeu fazer o que todos fazem e enquanto gato sou bem capaz de me candidatar junto dos humanos fazendo esta promessa:


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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A rapariga de antes, de JP Delaney

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Sinopse: aqui.


Opinião: O título e a sinopse já revelam um pouco a história, mas assim que abri o livro percebi que não estava preparada para me "enervar", especialmente quando comecei a ler um capítulo em que a narrativa é feita sob o ponto de vista de Emma (no passado) e a seguir outro sob o de Jane (no presente). Esta alternância entre as duas habitantes do 1.º Folgate Street permite-nos ir conhecendo alguns aspetos da vida das duas mulheres, ao mesmo tempo, sobretudo quando se envolvem com Edward Monkfort, arquitecto e cridador do apartamento onde vivem (e repito, isso deu-me uns nervos). Elas só queriam ter um novo começo e uma nova vida. Morar no 1.º Folgate Street pode ser aliciante, um "fresh start",  mas não é para todos (ou melhor para todas).  É necessário preencher um formulário com perguntas estranhas e pessoais e, se forem contatadas, ir a uma entrevista. O objetivo de Monkfort é verificar se preenchem os requisitos exigidos e se conseguem cumprir as regras da "casa". A CASA parece ser dotada de personalidade própria, e possui um design minimalista e uma tecnologia futurista. É uma espécie de big brother em que a casa "vigia e controla" quem lá vive.


Eis um livro que li num ápice e em que os meus "nervos" levaram a melhor (ou não fosse um thriller psicológico interessante), contudo, o suspense inicial foi esmorecendo e no final não houve surpresas. 


 


Classificação: 3/5 –  Gostei