segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A rapariga de antes, de JP Delaney

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Sinopse: aqui.


Opinião: O título e a sinopse já revelam um pouco a história, mas assim que abri o livro percebi que não estava preparada para me "enervar", especialmente quando comecei a ler um capítulo em que a narrativa é feita sob o ponto de vista de Emma (no passado) e a seguir outro sob o de Jane (no presente). Esta alternância entre as duas habitantes do 1.º Folgate Street permite-nos ir conhecendo alguns aspetos da vida das duas mulheres, ao mesmo tempo, sobretudo quando se envolvem com Edward Monkfort, arquitecto e cridador do apartamento onde vivem (e repito, isso deu-me uns nervos). Elas só queriam ter um novo começo e uma nova vida. Morar no 1.º Folgate Street pode ser aliciante, um "fresh start",  mas não é para todos (ou melhor para todas).  É necessário preencher um formulário com perguntas estranhas e pessoais e, se forem contatadas, ir a uma entrevista. O objetivo de Monkfort é verificar se preenchem os requisitos exigidos e se conseguem cumprir as regras da "casa". A CASA parece ser dotada de personalidade própria, e possui um design minimalista e uma tecnologia futurista. É uma espécie de big brother em que a casa "vigia e controla" quem lá vive.


Eis um livro que li num ápice e em que os meus "nervos" levaram a melhor (ou não fosse um thriller psicológico interessante), contudo, o suspense inicial foi esmorecendo e no final não houve surpresas. 


 


Classificação: 3/5 –  Gostei


  



 


terça-feira, 12 de setembro de 2017

O vermelho e o negro, de Stendhal

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Opinião: Stendhal tinha 47 anos quando escreveu "O Vermelho e o Negro". Este romance histórico-psicológico foi publicado em 1830. Hoje em dia, seria descrito como uma história de amor "baseado em factos verídicos", uma vez que Stendhal ter-se-á inspirado no caso de Antoine Berthet. Tal como Julien, Berthet era um jovem que ingressou num seminário e, depois, foi perceptor e amante de madame Michoud. Mais tarde vinga-se nesta e atira durante a missa. O seu julgamento ocorreu em dezembro de 1827  e em 1828 foi executado com vinte cinco anos de idade (para mais detalhes ler aqui)


 


No que diz respeito ao romance "O Vermelho e o Negro", tudo gira em torno de Julien Sorel. Trata-se de uma personagem egocêntrica que odeia o pai e não se dá com a família. A sua ambição leva-o a querer estar longe do pai e dos irmãos e afirmar o seu valor. Assim, com 18 anos, ele aspira ir para o seminário se bem que idolatra não Deus mas Napoleão. Aliás, apesar de saber a bíblia de cor, Julien não demonstra interesse nenhum na bíblia ou nos seus ensinamentos. 


 


Julien é protegido do cura Chélan e é convidado pelo senhor Rênal para perceptor dos seus filhos. Julien aceita essa oportunidade como forma de ascender socialmente e de ganhar dinheiro, porém, não corre tudo de acordo com os seus desejos. É caso para dizer que "nem tudo o que luz é ouro" e Julien facilmente se aborrece das pessoas e da sua amante, a madame Rênal.


 


O romance é composto por duas partes: a primeira decorre na província como perceptor dos filhos dos Rênal e depois no seminário em Besançon, a segunda em Paris como secretário do Marquês de La Mole.


A meu ver, a forma de pensar de Julien torna-o detestável tanto na primeira como na segunda parte do romance e a leitura não decorreu de uma forma aprazível, sobretudo a partir do momento em que ele vai para Paris. Acho que é muita hipocrisia, quer da parte de Julien e quer dos La Mole, e todo o enredo "estranho" conduz à desgraça de quem tem o azar de conviver com Julien.


 



Só um idiota - dizia consigo mesmo - se encoleriza contra os outros; uma pedra cai porque tem peso. Hei-de ser sempre uma criança? Quando é que adquirirei o bom costume de só entregar a minha alma a esta gente por motivos de dinheiro? Se quero ser estimado por eles e por mim próprio, torna-se necessário demonstrar-lhes que a minha pobreza mercadeja com a sua riqueza, mas que o meu coração está a mil léguas da sua insolência e colocado numa esfera demasiado elevada para ser tocada pelos seus pequenos sinais de desdém ou de favor.


 



Sinopse:«Apesar das numerosas semelhanças entre "O Vermelho e o Negro" e "A Cartuxa de Parma", os dois romances são subtilmente diferentes na sua perspectiva erótica e na representação dos protagonistas de Stendhal. A nostalgia de glória napoleónica não abandona Julien quase até ao fim, mas extingue-se em Fabrizio depois da derrota de Waterloo. O autêntico amor não se apodera de Julien a não ser nos seus últimos dias e, ainda que não existam motivos para duvidar da sua sinceridade, tanto ele como Madame de Rênal sabem que não têm futuro, o que constitui um nada negligenciável motivo para intensificar a paixão.» «Julien Sorel nada sabe de si próprio; só é capaz de sentir as paixões depois de as simular e tem um inegável talento para a hipocrisia. E, no entanto, Julien mantém o nosso interesse e, mais do que isso, fascina-nos, não somos capazes de sentir antipatia por ele.» Harold Bloom, "Futuro da Imaginação" «Stendhal faz com que o leitor se sinta orgulhoso de ser seu leitor.»