terça-feira, 9 de maio de 2017

Línguas-de-gato | Pesadelo na cozinha # 30

Olá. Disponho de pouco tempo para vos miar qualquer coisa, pelo que me lembrei dos últimos acontecimentos. Não é o que estão a pensar, pois o pesadelo na cozinha é um programa sobre uma realidade na qual ainda não ponho a minha patinha direita. Parece-me demasiado estranho os humanos sujeitarem-se e exporem-se a comentários ou até ao encerramento do seu estabelecimento pela ASAE. Os humanos deveriam ter um pouco de noção e pensar que o dinheiro não é tudo. A remodelação de um estabelecimento não é um milagre ou o euromilhões. Todos têm de se esforçar e os meus olhos felinos arregalam-se quando isso não acontece. E mais mio quando verifico que cá em casa o pesadelo na cozinha está a ser tolerado de forma inaudita. Eu conto. A Pipoca só pensa em passear e não quer nada estar fechada, vai dai arranha as cadeiras e sobe para cima da mesa. Ontem, até comeu o resto do bolo do dia da mãe que ficou em cima da mesa! O chefe diria: não tenham cuidado que ainda fecham a casa. Não adianta os humanos vêem e ficam aborrecidos com as traquinices da gata, mas depois passa e continua tudo na mesma. Já dizia o outro: falam, falam mas não fazem nada!!! 


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quarta-feira, 3 de maio de 2017

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado

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Se têm um clube de leitura e se o tema sorteado é animais, podem optar por este livro, bem pequenino, que se lê num ápice. Foi o que fiz, em janeiro deste ano, para o Clube das Conversas Livrásticas e espero, sinceramente, que não enjoem com mais uma conversa estória sobre gataria, até porque li no início do ano e começo a ficar assoberbada com a quantidade de livros, lidos, sem a minha modesta apreciação.


Bom, retomando o que disse no início quanto à gataria, não estamos perante uma estória fantasiosa qualquer. Tudo tem um significado. Aliás, se pensarmos bem, a metáfora prende-se com o que pensamos sobre o que é viver em sociedade.


Os animais são apresentados com caraterísticas humanas e receiam que o gato mate a andorinha.O gato é velho e mau, e a andorinha é jovem e inocente  (nessa parte, os animais do Parque têm uma certa razão).Será preconceituoso dizer que a tendência natural é a de desejarmos o melhor para os mais novos, bem longe dos inimigos ou de perigos? Afinal, será que o amor tem idade e raça?!


Considero que a escrita não é dirigida a uma criança pequena (isto se atendermos a que foi escrito para o próprio filho) e que as ilustrações, famosas, não deixam de ser algo estranhas. Questionei-me sobre o sentido para o final triste e após alguma reflexão, julgo que o escritor pretendeu transmitir uma moral, ou seja, o mundo só poderá avançar se as pessoas aceitarem as diferenças, sejam elas sociais, raciais, culturais ou até de idade.


 


«O mundo só vai prestar 


Para nele se viver
No dia em que a gente ver
Um gato maltês casar
Com uma alegre andorinha
Saindo os dois a voar
O noivo e sua noivinha
Dom Gato e Dona Andorinha».


 


Neste pequeno, grande, livro, que se estranha e depois se entranha, ficaram muitas perguntas, mas a que mais me intriga e que gostaria de descobrir é se acham que a serpente comeu o gato?


 


  


Sinopse: Jorge Amado escreveu O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá em 1948, para o seu filho João Jorge, quando este completou um ano de idade. O texto andou perdido, e só em 1978 conheceu a sua primeira edição, depoi de ter sido recuperado pelo filho e levado a Carybé para ilustrar. Com ilustrações belíssimas, para um belíssimo texto, a história de amor do Gato Malhado e da Andorinha Sinhá continua a correr mundo fazendo as delícias de leitores de todas as idades.


 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Línguas-de-gato | Despacito pouquito humanos?! # 29

Olá. Despacito anda no ar. O que significa, perguntam? Significa que passa devagar, mas devagar se vai ao longe. Um exemplo, à laia de enquadramento e como quem não está a puxar a pata à sua comida, é o da  nova legislação que reconhece os animais como "seres vivos dotados de sensibilidade e objeto de proteção jurídica". Vem despacito, suavizito, delicadeza, e vamos "pegando pouquito, pouquito". E que o Papa nos abençoe a todos. Pruuu pruuu...


Ora, que sou um gato já toda a gente sabe (ou não?). E sou uma coisa, certo ou errado?  Então, [Despacito] esta legislação estabelece que os animais de companhia devem ser "confiados a um ou a ambos os cônjuges, considerando, nomeadamente, os interesses de cada um dos cônjuges e dos filhos do casal e também o bem-estar do animal". Humpff, como gato não sei bem o que os humanos pretendem, em especial se numa altura destas ninguém quiser o animal. Eu reinvidico os meus direitos de se tratado como humano e pronto! 


 


 



 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Os sonhos que tecemos, de Kate Alcott

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Hoje, dia 1 de maio, é dia do trabalhador, mas, sem me armar em feminista (só que sim!), acrescento "e da trabalhadora" (é só um preciosismo, eheheh). A propósito deste dia, quero falar do livro "Os sonhos que tecemos", de Kate Alcott (pseudónimo da jornalista Patricia O`Brien). Apesar de ter sido uma leitura leve e de entretenimento (quase " literatura fast food", como lhe costumo chamar), não deixa de ter um interessante background histórico, em concreto, a Revolução Industrial e o papel das mulheres nessa época. 


A história passa-se em 1832 em Lowell, Massachusetts (local onde nasceu a Revolução Industrial nos E.U.A.) e baseia-se em factos verídicos. Nessa altura, as operárias fabris trabalhavam 13 horas por dia em teares e em condições degradantes.
Kate Alcott descreve muito bem as operárias e os acidentes que ocorriam. Temos a personagem principal, Alice Barrow, que representa as mulheres que fugiam do meio rural em busca melhores condições de vida na cidade. Ela conhece Loveley Conell (personagem que devia ter, a meu ver, o maior destaque)que, na realidade, se chamava Sarah Conell, grande defensora dos direitos dos trabalhadores e que aparece assassinada ( não é spoiler, é verídico).
Para além da vida dentro da fábrica e dormitórios, fala ainda do julgamento no tribunal, bem como na distinção que faziam entre homens e mulheres. As mulheres eram pecaminosas e os homens tentados por elas. Relembro que nesta época um crime contra uma mulher não era tratado da mesma forma e geralmente os homens escapavam impunes.
Enfim, um romance que se leu facilmente e que me fez recordar o acidente no qual 140 mulheres morreram queimadas numa fábrica com condições de trabalho precárias.



  

Sinopse: Alice Barrow desafia todas as convenções ao abandonar o mundo rural e tacanho onde nasceu. Numa época em que as mulheres são cidadãs de segunda categoria, o seu emprego na fiação da família Fiske é um passo importante rumo à emancipação. As “meninas da fiação” trabalham longas horas em condições precárias mas a alegria que as une é completamente nova para ela. Um dia, até dá por si a cometer a “extravagância” de celebrar o seu primeiro salário com a compra de um chapéu. É apenas um objeto mas vai ganhar a força de um talismã. Inadvertidamente, Alice capta a atenção de Samuel Fiske, filho do dono da fábrica. Samuel é um enigma. Frio e impenetrável, tem o condão de contrariar frequentemente a própria família. O seu fascínio por Alice é a derradeira afronta aos pais e à ordem social. Será amor ou mero capricho? O teste aos seus sentimentos será abrupto. Quando uma jovem muito especial aparece morta, toda a hierarquia de poder é posta em causa. O que se segue é um eco da luta ancestral entre ricos e pobres, poderosos e oprimidos. Apenas os mais determinados conseguirão vingar. Apenas um amor verdadeiro poderá sobreviver.