segunda-feira, 13 de março de 2017

Línguas-de-gato| A caverna # 23

Desapareci durante uns tempos, pois devem estar a ficar fartos de mim. Hoje, acordei cheio de esperança em como a graça me irá acompanhar neste discurso improvisado. É que sempre ouvi os humanos dizer: "mais vale cair em graça do que ser engraçado". E graça é coisa que não falta, pelo menos este ano, aqui, em Portugal. Fala-se de esperança e de paz, e eu, com a música, até mio um bocado.  



Sabemos que junto a uma azinheira apareceu Maria (ou Fátima) e eu, um pobre gato, espero sempre ouvir o lado B da cantoria. Sem dúvida que verdade há só uma. Aí, eu penso em algo nada habitual. Vejamos. Maria foi ao sepulcro ver Jesus Cristo, pois, nessa altura, sepultavam os mortos em cavernas. Atualmente, temos a Christiana  que viveu numa caverna e, felizmente, tornou-se na escritora de um best-seller.


Então, a moral da história é a de que há a morte e a vida. Já a realidade, essa estará para além do mundo sensível, pois, tal como na caverna de Platão, é uma sombra e o vulto do dinheiro uma ilusão.


Eu quero uma caverna só minha, sem gatinhas intrometidas, e ser um solitário feliz. Miados à parte, espero que tenham gostado desta conversa filosófica de Platão embuída no espírito e na graça de Maria, e se não gostaram comentem na mesma.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A vida em modo livro|e| com a Vanessa

A minha convidada de hoje é a Vanessa Santos, advogada estagiária e autora do blog Livros de Vidro. Neste blog encontramos opiniões sobre livros e entrevistas com vários escritores.


Tive o prazer de conhecer a Vanessa no Clube de Leitura as Conversas Livrástica e fiquei muito satisfeita quando aceitou o convite. Além do mais, é escritora do livro "Mors Tua, Vita Mea", que espero ler muito em breve (prometo ler e não falhar ). 


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Fotografias do lançamento do livro "Mors Tua, Vita Mea"


 


Qual o livro que foi publicado na tua data de nascimento?


V:A história do cerco de Lisboa de Saramago. Confesso, ainda não li.


 


O nosso corpo é formado por células. Qual é a tua célula adormecida?


V: Acho que a célula do “não fazer nada” adormeceu. Há muito tempo que não sei o que é ficar sem fazer 100% nada. Já não consigo como quando era mais nova.


 


Indica e explica a peça de vestuário que consideraste mais marcante na tua vida (comunhão, baile de finalistas, casamento, etc.).


V:Era um vestido com saia rodada. Gostava de andar à roda como se fosse um pião a vê-la rodar à minha volta.


 


Se pudesses indicar uma “dieta equilibrada de livros”, quais os livros que indicarias?


V: Acho que não seria uma grande dieta. A minha dieta literária é muito desequilibrada. Gosto de tudo o que seja acção, terror, thriller e por aí a fora. Não me parece que acabe por ser equilibrada e indicada para muitas pessoas (eheh). Mas se tivesse de indicar, diria que se deverá ler um livro de cada género literário, ou pelo menos algo diferente do habitual, para limpar a mente e abrir horizontes. Tento fazer isso, na verdade, é uma forma de tentar “treinar” emoções que não são despertadas com aqueles géneros. Por exemplo, tento ler romances, para ver se fico mais “mole de coração”, fantasia para sair da zona de conforto e tentar acreditar em algo mágico. Acho que se deverá fazer algo assim.


  


Supondo que te pediam para enviar uma fotografia a(o) um(a) escritor(a). A quem é que enviavas e porquê?


V: Enviava a Stephen King, porque é o meu autor preferido, ou dos preferidos.


 


Qual é a música popular portuguesa que mais odiaste até hoje?


V:“Maria Albertina” de António Variações. 


 


Qual é a situação mais absurda que te aconteceu a ti ou a alguém num local público.


V:Não sei se é absurda, mas estranha-me que os detectores de coisos da roupa e acessórios, aqueles para evitar os furtos, apitem quando entro nas lojas e não quando saio. Já disse várias vezes às meninas das lojas “ainda não tive tempo de roubar nada, ainda estou a entrar”. Elas riem-se, hoje em dia não sei onde enfiam esses alarmes, porque compramos coisas e eles magnetizam e desmagnetizam e podem fazer apitar os aparelhos em qualquer altura. Mas acho que já é banal. Nas lojas já nem ligam. É algo absurdo.


 


Comenta esta frase retirada do Público: “O autor morre quando põe um ponto final. O leitor nasce a seguir”.


V:Não concordo. O autor não morre, encerra aquela fase da vida. Faz uma pausa. Mas sim, um leitor nasce ou pelo menos renasce a cada leitura. Pelo menos isso acontece-me.


 ***


Muito obrigada, Vanessa. Quanto à preferência pela saia rodada, trouxe-me à memória uma que eu também adorava. Era linda de morrer ou pelo menos eu achava que sim.Encontrei uma parecida (a do meio) e pergunto: vocês não tiveram uma igual ou parecida?


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quinta-feira, 2 de março de 2017

Chic´Ana, acredita em mim.

Estou completamente inocente e não sei como é que isto foi acontecer, nem percebo porque é que já se arrasta há mais de um mês. Sei, isso sim, que algo está errado e pretendo descobrir tudo. Mistérios é comigo e já mandei email a reportar o assunto (é que de informática eu não percebo nada).


Chic´Ana és tão boa rapariga, tão simpática, e o teu blogue é tão divertido, mas, como sabes, as Línguas-de-gato não costumam ter fotografias ou ilustrações. Acontece que estão a dar nas minhas vistas nas seguintes redes sociais:


1.º No facebook, porque surge a imagem do livro que ando a ler.Ultimamente aparece o livro "Homens Imprudentemente Poéticos", de Valter Hugo Mãe.


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 2.º No Blogs Portugal, uma vez que a imagem da Chic´Ana surge sempre onde há Línguas-de-gato. 


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Não entendo nada disto, mas não é que faz jus ao título do post: "My way, your Way, aqui há Gato!!!".


Alguém que consiga esclarecer isto?

quarta-feira, 1 de março de 2017

Adoro desafios e mistérios # 3

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 O Livro Secreto do blogue da MJ é um desafio interessante, no qual cada um dos participantes envia um livro, através do correio, e depois o livro vai rodando por todos.


Em fevereiro de 2017, iniciou-se a 2.ª edição desta inciativa e, durante 2 anos, vamos trocar livros. Acreditem em mim: isto promete ser um desafio e tanto! O mistério é o de saber se conseguimos manter-nos nesta roda viva durante tanto tempo 


Com este post, pretendo explicar o porquê de escolher o livro, Em teu ventre, de José Luís Peixoto. Ora este livro marcou-me especialmente ao nível das palavras (e não só). A temática é difícil mas o escritor não desilude, sendo exímio na escrita e demonstrando-o bem ao não se comprometer com nada. É que estamos a falar, nada mais nada menos, das aparições de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos e esse assunto é difícil, bastante explorado e muito controverso. Na altura, li com alguma apreensão, uma vez que desde pequena que conheço a história e com o passar dos anos passei de crente rendida a cética assumida. Na minha cabeça existem muitas questões e dúvidas por resolver, e um certo desencanto associado à "beatice" presente na minha aldeia (como em tantas outras pelo país fora). Assumo que a catequese marcou-me muito, bem como as pessoas, o ambiente e as perguntas respondidas, apenas, com respostas categóricas absolutas, por quem não admite que possamos pensar  e ou questionar nada. Já o livro, senti uma abordagem diferente, sem estigmatizar o assunto, sem meter medo com o inferno, o que vale por dizer que não há Padres Nossos nem Avés Maria, há sim palavras, muitas, que nos levam a refletir.


Espero que gostem do livro e que o leiam com muita atenção, pois as suas bonitas palavras conseguem transformar uma história pesada e enfadonha numa estória de simplicidade e simpatia para com aquelas crianças.


Boas leituras a todos!