terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O que dizem os teus livros? | A última entrevista

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Hoje, vamos terminar a rubrica "O que dizem os teus livros" com o Rui Sousa. Convicto de que os seus sonhos se irão realizar, ele é escritor, nas horas vagas, e no facebook, na página Onemanbook, vende o que escreve. É, leram bem. Os livros são escritos, colados, cortados, cozidos e vendidos pelo próprio.A paixão pela escrita, aliada ao gosto pela leitura, é a sua forma de estar e demonstrar uma certa rebeldia perante as regras impostas pela sociedade. Sem amarras, e de livre e espontânea vontade, aceitou responder às perguntas, que se seguem: 


 


Desde que idade tens uma paixão por livros? 


R:Desde muito novo. Apaixonei-me por eles quando descobri que eles eram capazes de me entender, o que na altura era coisa rara pois nem eu me entendia a mim próprio.


 


Qual o tipo de livro que costumas ler?


R: Gosto de livros que me empurrem, que me provoquem e me obriguem a lutar ou a dançar ou a amar com eles. Preciso de me sentir desafiado. 


 


O que gostas mais durante  a leitura? 


R:Quando o livro me transporta para bem longe da banalidade e dos lugares comuns do meu dia-a-dia.


 


Quais os fatores que influenciam a escolha de um livro? 


R: Normalmente escolho um livro baseado no livro anterior que li. Procuro um autor com referências semelhantes ao anterior. Não ligo a capas nem a top's nem a toda essa teia de enganos que apenas serve para manter o sistema a funcionar.


 


Descreve sentimentos que só um leitor entende. 


 R: Para mim um bom livro é um espelho. Não me refiro ao espelho no sentido narcisista, refiro-me ao facto de nós nunca sermos capazes de nos olharmos a nós próprios nos olhos. É algo que me obriga a encarar a minha realidade através das palavras e a ver para além dos muros da minha ignorância. Ler é viajar e perder-se no nosso labirinto de emoções.


 


As histórias, por vezes, têm uma enorme carga emocional. Já alguma vez choraste ou riste? Se sim, quais foram os livros em que isso aconteceu? 


R: Se isso não acontece durante a leitura então não vale a pena ler nada.A primeira vez que chorei foi a ler o Fernando Pessoa, na minha adolescência, e isso, para o bem e para o mal, fez de mim aquilo   que hoje sou.


 


O que dizem os teus livros? 


R:Os meus livros, aqueles que mexem mesmo comigo, tal como as pessoas que realmente admiro, dizem sempre aquilo que lhes apetece.


 



 


 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Línguas-de-gato | Surpresas e enganos # 17

Olá, sou nova por aqui. Isto é giro!!! Olá!!! Hãaaa, Olá!!! Está aí alguém? Miau?! Talvez se clicar deste lado. Tac Tac Tac...Olá!!! Aiiii, depressa. Tenho de desligar. Onde é que é? Vem aí o gato mal disposto e não posso falar mais. Adeus, gostei de falar um pouco (desliga).


Rsrsrsrsfufufufufufufufuuuuu. Desanda daqui, Pororoca! Já não há respeito nenhum! Quem te disse que podias usar este computador? Mau, miau!!! Chispa daqui!!! Esta gata está louca. Não se pode dar confiança. A mexer nas coisas da minha dona?! Bem, vamos ao que interessa verdadeiramente. Esta semana, passou muito rapidamente. Os humanos têm andado com muito trabalho e não tem parado nem para acender a lareira. Gosto tanto de estar deitadinho no sofá e olhar para o fogo. E só com a sua companhia sinto aquela paz caseira e leve. Por outro lado, eu não quero partilhar um momento desses com a intrometida da gaiata... Acho até que as línguas-de-gato não serão as mesmas! Há sempre uma presença (lá está ela, rsrsrsrsfufu) e fico nervoso e mal disposto! Não consigo dormir, sem ser com um olho aberto e outro fechado. Mas a minha cama, o meu prato e o cantinho no sofá são o meu território! Sem dúvida que tenho de ensinar as regras da casa e é uma pena eu não poder fazer um chichizito (já tentei mas a dona ficou muito aborrecida). É que não estou para ter surpresas tipo ovos kinder que aparecem não se sabe de onde e, embora com brindes, não arrisco a que me saia a fava. Oh, não!  Para cair em erro, como aquela senhora que rezava à estátua do senhor dos aneis julgando tratar-se de Santo António, teria que ser um santo gato. É, não gosto nada nem surpresas nem enganos, mau miau!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O que dizem os teus livros ? (10)

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A citação  "Nada é por acaso", que a Roberta do blogue Flames utiliza numa das redes sociais, é a prova real de que a distância só não é curta para quem não está destinado a cruzar-se. E, neste caso, o destino assim o quis e decidiu apresentá-la ao Mundo como: metade italiana e metade portuguesa. Por esse motivo (ou porque os seus olhos estão treinados para uma análise psicológica), não me atrevo a descrevê-la através de palavras comuns. Teria de a caraterizar como a pessoa mais próxima de um ser etéreo e delicado, dotado de um encantamento qualquer, o que, pela razão atrás invocada, poderá vir a ser mal interpretado... Adiante, "entremos na espessura", ou melhor na conversa:


 


Desde que idade tens uma paixão por livros? 


R:Não sei. Desde cedo. Os meus pais liam-me histórias quando era pequena, depois a minha tia começou a ler-me os livros de “Uma Aventura”. Sempre li, mas é uma paixão que aumenta de ano para ano.


 


Qual o tipo de livro que costumas ler?


R: É mais fácil dizer o que não gosto de ler. Confesso que os meus géneros preferidos são os policiais, os romances históricos e os clássicos da literatura inglesa, mas por causa do blogue e do canal cada vez leio mais coisas diversificadas.


 


O que gostas mais durante  a leitura? 


R:A leitura é a única coisa que me faz fugir da realidade e esquecer os problemas. Essa é a coisa de que mais gosto: o facto de entrarmos num outro “mundo”. Consigo embrenhar-me e esquecer tudo à minha volta. Recentemente descobri que o desporto tem o mesmo efeito em mim, mas a leitura continua a ser a minha maior paixão.


 


Quais os fatores que influenciam a escolha de um livro? 


R: Hoje é mais difícil porque felizmente, graças ao FLAMES e ao canal, acabo por ler imensos livros e conhecer autores que se calhar nunca me chamariam a atenção. Por isso mesmo, neste momento, o que me influencia mais na escolha de um livro é o autor. Tento ir “atrás” de autores que já conheço e que sei que não me irão desiludir.


 


Descreve sentimentos que só um leitor entende. 


R: Não sei… talvez aquela sensação de querer muito chegar ao fim de um bom livro para saber o final, mas ao mesmo tempo não querer continuar porque senão acaba... acho que é daquelas sensações que a maioria dos leitores sente…


 


As histórias, por vezes, têm uma enorme carga emocional. Já alguma vez choraste ou riste? Se sim, quais foram os livros em que isso aconteceu? 


R:Sim já. Estranhamente é mais fácil eu rir do que chorar com um livro. Lembro-me que chorei imenso com o livro “A Monster Calls”. Ri bastante sempre que apareceria o Fermin no livro “A sombra do vento” e também ri em algumas partes de “A amiga genial”. Não tem nada de extraordinário, mas houve uma parte em que desatei às gargalhadas.


 


O que dizem os teus livros? 


R: Dizem que sou uma pessoa que gosta de explorar vários géneros, mas que tem claramente os seus autores preferidos que se repetem e que gosto de manter. E dizem também que devia gastar menos dinheiro a comprar livros


 


 



 


 


 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Desafio ou problema?! | A minha vida é um livro!!!

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Acho que descobri o início da história e como esta surgiu n´ As crónicas de um café mal tirado. Tudo começou(nevoeiro)... num dia frio de Inverno, o primeiro dia do ano de 2017. Os donos do café estavam sentados à lareira e resolveram celebrar o segundo aniversário do seu estaminé. No entanto, tiveram de pedir opinião à mula, porque esta tinha sempre ideias muito originais e divertidas! E ela aceitou, toda feliz, mas, quando pensou melhor, sentiu um frio que a impediu de continuar. Teve, portanto, de pedir ajuda à Magda e, com pena dela, disse-lhe: "Coragem m´lher"; e, ao mesmo tempo, entregou um papel cheio de rabiscos, no qual se lia:


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Estas eram as regras para ganhar um café grátis, o que, com o frio, iria cair mesmo bem, pensou a Magda. Mas, 81 livros depois, como tinha tido muito trabalho durante o ano todo, visitou a nova vizinha no bairro, a Edite, e entregou-lhe o papel, como se de uma missão se tratasse, e esboçou o seu melhor sorriso maquiavélico: ahahahah!!!


Mas a história continua....


 


A pobre da Edite, que escrevia muito sobre um gato, andava preocupada com os ciúmes evidenciados pelo bichano, pelo que disse mal da sua vida. Nada corria bem! Não podia desvendar o plano meticuloso que traçara para  a viagem de Théo. E, embora considerasse que os gatos são muito bons para afastar energias negativas, lembrou-se que já não podia fazer férias, em Setembro, na quinta da avó por esta estar amaldiçoada. Era amaldiçoada porque nesse local, onde  as luzes de setembro pairavam, brilhava toda a luz que não podemos ver. Bem, a avó Maria nunca se importou com essa situação. Fosse o que fosse, para ela era tudo muito bonito! Era admirável esta sua capacidade de ver tudo de uma forma positiva, tal qual a Pollyanna ! E era ainda mais impressionante as palavras que utilizava. Dizia que a luz tingia de verde a quinta e que a Anne dos cabelos ruivos pedia à cerejeira, chamada princesa da neve, que na primavera explodisse em flor.


A avó Maria era ainda louca por compras e estava sempre pronta a regatear um bom desconto. Uma vez até dissera: "ai, os filhos da mãe , usurários, mesquinhos e somíticos!",  quando se zangara por não descontarem nem um cêntimo.Nunca a tinha ouvido praguejar. Ela era doce e simpática e costumava repetir a felicidade é um chá contigo. E  era!!! Com saudades a cair no rosto, a neta lembrava-se de todos os detalhes e de todos os verões em que, na quinta da avó Maria, foi furiosamente feliz. Ali respirava-se o ar puro e a agitação dos aldeãos, cujos rostos enrugados mantinham estampada a expressão de como é bom trabalhar! Era, no entanto, uma vida demasiado dura, tão dura que o centenário que fugiu pela janela e desapareceu nunca mais apareceu! Deve ter imaginado que somos todos idiotas! Mas não a avó Maria, porque na sua sabedoria, algo pontiguada, dissera que o sino da islândia estaria escondido no campanário da igreja! Era mais um dos mitos urbanos e boatos! Que triste cena, e pensar que a avó Maria sabia mais do que dizia e que o centenário possuía mesmo esse sino, porém, era apenas uma cópia do simbolo tradicional da Islândia! Oh, meu Deus, onde será que ele estará? Era tão velhinho e deveria ter cem anos ou mesmo mais.Toda a gente sabia que a avó Maria não correspondia à sua paixão assolapada e, se a tivessem obrigado a casar, era mulher para entrar n´a loja dos suicídios. Não que ela se fosse matar, credo! Era o nome que dava à farmácia do bisavó, dado que, segundo ela, os remédios criavam mais doenças do que as que curavam.


A avó Maria tinha destas singularidades e um sentido crítico apurado. Costumava, ainda, criticar os jovens estudantes que passeavam os livros, só porque tinham juventude e esperança  de vir a ter um emprego bem remunerado. Referindo-se a eles como a geração mil euros da preguiça, nunca aceitou o destino da neta, nem a submissão às letras por causa de um gato. Ainda se escrevesses o livro dos baltimore!, dizia ela já perto do fim, agora só pensas em ser a miúda online como se isso pusesse pão na mesa! 


Logo, logo, não se lembrava do que tinha dito. A sua memória estava já a falhar e a neta folheava o álbum de verão para avivar as memórias da avó, um autêntico manifesto de como ser interessante. Numa das fotos, viam-se homens, em trajes de caça, todos contentes porque mataram a cotovia. Nessa época soou como mau presságio, mas estavam enganados, porque a minha mãe já estava em teu ventre


A desumanização só ocorreu depois, quando as pessoas de idade ficaram sozinhas. Os mais novos emigraram ou foram para as cidades. 


Nesse álbum, existiam, ainda, fotografias do bisavô, farmacêutico de profissão, e a avó Maria contava que ele gostava de criar remédios especiais e que acreditava na fórmula eu sou deus; e nem o projeto rosie o convenceu que procedia como um autêntico louco! Toda a sua vida procurou curar a avó Maria da sua doença de pele, em forma de rosácea, e fazia-a experimentar tudo e mais alguma coisa.


Estou para aqui a narrar tudo sobre a avó Maria mas o diário de edith tem o relato de tudo o que a avó lhe contou sobre o bisavó. Esse diário foi-lhe dado pela amiga genial e ela considerou essa dádiva como o melhor presente de todos. Nele escreveu a história de três gerações, com letra miúdinha, e na adolescência escreveu sobre o amor em tempos de cólera. Sentiu muita raiva da maestra por esta a impedir de namorar com o pianista mais lindo à face da terra, porém, encarou esse maldito karma como se fosse a avó Maria e acredita que ela agora sorri algures, superando qualquer sorriso maléfico da Magda...


Quem é que vinga quem?! Buahahahahahah...


 


Bem, agora é a minha vez de passar o papel à: 


Sara, se bem que, em jeito de desabafo, poderá não aceitar;


Patrícia, que irá dedicar toda a sua atenção aos melhores livros;


Ana, pelo sorriso que consegue arrancar;


Sandra dado que gosta de desafios;


Maria cujas memórias são baseadas na vida.


 


A todas muito obrigada, e espero que aceitem o repto !


 


 

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O que dizem os teus livros? (9)

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 Hoje, vamos conhecer a Patrícia do blogue Ler por aí. É um blogue que acompanho e fiquei surpreendida, porque não é fácil descobrir muito mais sobre a Patrícia.Enigmática e com um sentido crítico apurado diz não querer parcerias, uma vez que gosta de dar opinião apenas sobre aquilo que gosta.No último post deixa "votos de fantásticas leituras em 2017 e um pedido especial: Leiam escritores portugueses, desafiem-se, leiam livros diferentes dos que fazem parte da vossa estante, arrisquem. Ou então não. Mas leiam. Leiam sempre".


 


Desde que idade tens uma paixão por livros? 


P:Desde sempre. Não me conheço sem esta paixão, e a verdade é que aprendi a ler pela pura vontade de mergulhar nos livros. Os meus pais sempre estimularam este vício bom e relembro com alguma saudade os Natais da minha infância e a pilha de livros que, no final do dia 25, prometia muitos dias de felicidade. 


 


Qual o tipo de livro que costumas ler?


P:Leio (quase) tudo. Tenho um fraquinho pela fantasia, para dizer a verdade, mas cada vez mais gosto de variar o tipo de livro que leio. Gosto de livros que me desafiem de alguma forma, seja pela imaginação ou pela crueza da realidade. Gosto de livros que obriguem a pensar, que me façam questionar o que me rodeia.


 


O que gostas mais durante  a leitura? 


P:Da promessa que cada livro não lido contém. Da fuga que proporcionam e de que tanto necessito às vezes. Da sabedoria. Das possibilidades. Durante as horas que mergulho num livro posso ser tudo. Acima de tudo isso, ser diferente.


 


Quais os fatores que influenciam a escolha de um livro? 


P:Já escolhi livros pelo título, pela capa, pela sinopse, porque me recomendaram, porque é de um autor que já li, porque é de um autor que nunca li.  Enfim, não sou muito leal às razões que me levam a escolher um livro.


Mas nos últimos anos o facto de ser um livro de escritor Português é decisivo.  Comecei a descobrir o quão bem se escreve por cá muito tarde e sinto que tenho que ganhar terreno ao tempo que não tenho. Para mim é importante ler os nossos escritores, conhecer a nossa literatura. E tenho-me divertido imenso à conta desta decisão.


 


Descreve sentimentos que só um leitor entende. 


P:O Natal está a aproximar-se e já estou a preparar-me para a desilusão de abrir um presente e não ser um livro. Todas as pessoas que dizem que não nos oferecem livros porque “já tens muitos” ou “Não sei qual te hei-de dar, tens tudo” não têm a noção, pois não? Nunca teremos demasiados livros (se há conceito que não existe é este “demasiados livros”), não temos nem perto de todos os livros que gostávamos de ter e há algo maravilhosos chamado “talão de troca”. E oferecer um livro (pode ser de bolso ou em segunda mão, ficam ao mesmo preço da caixa de chocolates) a um leitor é uma prova de amor. 


 


As histórias, por vezes, têm uma enorme carga emocional. Já alguma vez choraste ou riste? Se sim, quais foram os livros em que isso aconteceu? 


P:Sou um bocado pedra, confesso. Mas já chorei e já me ri no mesmo livro até. Aconteceu, por exemplo no “A máquina de fazer espanhóis” do Valter Hugo Mãe. E ri imenso no “As viúvas de dom Rufia” ou no “Os demónios de Álvaro Cobra” ambos do Carlos Campaniço.


 


O que dizem os teus livros? 


P:Alguns perguntam porque estão esquecidos na estante J, outros porque estão tão riscados, com as páginas dobradas (a esses digo-lhes que isso são provas de amor) e outros reclamam pelos vizinhos que têm. Mas no fim de contas, a minha estante é uma festa, com toda a gente misturada