segunda-feira, 16 de julho de 2018

O alienista, de Machado de Assis

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Opinião: Este livro foi mencionado pela Maria do Rosário no Clube de Leitura Conversas Livrásticas. O tema, se a memória não me falha, era saúde mental. Achei o máximo a descrição da história e fiquei muito curiosa quando a certa altura ouvi que os loucos estavam todos no manicómio. A este propósito, lembro-me da minha professora de filosofia quando lançava a pergunta: Quem são os loucos? Serão todos os outros, aqueles que vivem no manicómio, ou os que ficam de fora?


 


Entretanto, numa ida à biblioteca, trouxe este livrinho que me fez recordar essas aulas de filosofia e uma constante necessidade de questionar o mundo em redor. Por vezes esqueço-me de o fazer. Outras, ouso  refletir bem sobre o que estou a ver ou a ler. Acho que é preciso usar os olhos da alma e não os nossos sentidos, uma vez que estes não conseguem apreender essa dimensão reflexiva.



Resumindo um pouco a história, o Dr. Simão Bacamarte, médico psiquiatra ou alienista, depois de andar pela Europa vai para a cidade de Itaguí, no Brasil, onde acaba por se casar com uma viúva, que não era bonita, mas que lhe poderia vir a dar os filhos que desejava. Algum tempo depois, constroi um manicómio ou asilo na cidade. Chamou-lhe Casa Verde. A obsessão pelo trabalho é tão grande que aos seus olhos todos evidenciam sinais perante os quais o médico resolve internar um a um. Todos os  que se vão cruzando o caminho são objeto de um teste para comprovar a sua teoria (completamente aleatória).


 


"A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente". 


 


Este conto é uma forma muito "lúdica" de abordar um tema sensível: a forma como os médicos analisam os distúrbios psicológicos através das atitudes e comportamentos das pessoas.


 


"Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e disse:
- Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e insânia".


 


 


Por outro lado, é utilizada uma dose de ironia na crítica a pessoas oportunistas, com o botânico Crispim Soares, bem como aos próprios políticos, com o barbeiro Porfírio. Numa sociedade de loucos, os poucos que se governam são os que têm interesses próprios (e nem esses serão poupados).


 


O primeiro contato que tive com o escritor foi com o livro D. Casmurro, uma leitura que partilhei convosco aqui. Tive uma boa impressão do autor e firmei a convição de que os seus livros não devem ser lidos "aos bocadinhos".Acho que desta feita aprendi bem a lição, pois li O alienista de uma assentada.


 


Um livro para ler e pensar. Uma alegoria ao ser humano e, sobretudo, ao que ele acredita ser a realidade.


 


CLASSIFICAÇÃO:


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10 comentários:

A rapariga do autocarro disse...

Este livro mostra-nos que o ser Humano está sempre pronto a aproveitar-se do próximo! A vaidade e o oportunismo...

Existe um Olhar disse...

Um livro que parece  ser bem interessante e muito o meu género.
Gosto de analisar e de temas que me façam pensar.


Beijinhos Edite

HD disse...

Esta obra parece ser daquelas de mudar muitos pensamentos... :-)

Bárbara Ferreira disse...

Adorei este livro, como adorei tudo o que já tive oportunidade de ler do autor. Recomendo a "trilogia realista"!

editepf disse...

ALi este e o Dom Casmurro, mas também quero ler mais deste escritor.
Bjs

editepf disse...

Eu gostei muito de ler o livro, porque nos faz pensar. Uma história simples com tanto para dizer.
Bjs

editepf disse...

Ou mudar a forma como pensamos sobre certos assuntos. Hoje em dia, as pessoas não leem e não refletem sobre aquilo que lhes é transmitido.

editepf disse...

Então vais gostar de certeza.
Bjs

HD disse...

Triste verdade... -.-

Existe um Olhar disse...

Por vezes também me questiono se vivo num mundo de loucos, ou a louca sou eu?
Um livro que deve ser bem interessante e que nos deixa a pensar.


Beijinhos Edite