domingo, 31 de dezembro de 2017

2017, uma história com os livros lidos - Parte 1

images.jpg


Mais um ano. mais um desafio e mais uma história (*uma brincadeira da Patrícia) para contar. Lembram-se da Avó Maria do ano passado? Se calhar não, mas não faz mal. O que interessa é que leiam a nova história com os livros lidos durante o ano 2017 


Na Altura, as Flores eram muito raras. A Primavera andava um pouco tímida e os rebentos ainda não tinham despontado.No entanto, no ar pairava um perfume, e respiravam-se as cores da alegria, o calor do contentamento, e os animais, claro, chilreavam em consonância. A expetativa aumentava, afinal, quem espera, desespera, quando alguém rompeu a ordem natural e surgiu uma conversa pouco habitual:


- O meu nome é Lucy Barton. - disse a rapariga de saia rodada e colete vermelho.


- Ai, é? E o meu nome é Um estranho lugar para morrer e a seguir vais comer!!! - disse o João, conhecido por ser o grande fanfarrão, mal educado, obtuso e complicado da escola.


- É Lucy, sim senhora. Ou melhor sabes que é Lúcia com Y que é mais elegante - pediu a rapariga.


- Então eu sou o Jonhny porque é finório e a condizer. Ahahahah - riu-se o João.


- Não sei se sabes, mas estou a ler O crime do padre amaro e embora seja o grande pecado, mudar o nome não! - disse a Lúcia.


- Ah, pois, um padre a comer uma gaja é normal. Só faltou o padre ir de Lua-de-mel e tudo! - atirou o João a ver se a conversa pegava.


- O Eça era muito corajoso para a época e falou de coisas que se passaram. Só é pena que tivesse superstições e que pensasse n´O gato preto como dando azar- disse Lúcia tentando mudar de assunto.


- Falando em Lua-de-Mel, que tal irmos os dois a Paris. Paris é uma festa


-Estás sempre a bater na mesma tecla, João. Assim não dá para conversar contigo. Ouve com atenção: vou dar-te uma última oportunidade - disse Lúcia - porque precisamos de fazer um trabalho para a escola sobre A história de uma gaivota e do gato que ensinou a voar.


- Raios, exclamou o João, julgava que era O convidador de pirilampos!


- Eu é que tenho a cabeça no ar e afinal está-se mesmo a ver - disse Lúcia sem confessar que tinha espreitado O diário oculto de Nora Rute em vez de começar a fazer o trabalho.


- Até parece que vai existir Crime e castigo por não fazermos esse trabalho! Estou a começar a ficar farto de tanto papel e de tanta escrita. Estou farto da escola!  Podiamos realizar os dois Os sonhos que tecemos, hum, não achas? - disse o João piscando o olho.


- Olha O gato malhado e a andorinha sinhá eram muito apaixonados e não ficaram juntos, portanto, tira lá o cavalinho da chuva!!! - respondeu Lúcia que corou de repente.


- Pensas que atrás dos livros ninguém vai namorar?! Ai, Lúcia, estou cada vez mais entusiasmado e a pensar no casamento! - disse o João. 


O João era fanfarrão mas, pensou no que O vendedor de passados lhe fez ver. O seu passado não o impediria de se tornar numa pessoa melhor. Agora, restava-lhe convencer Lúcia de que tinha mudado, embora fosse um bocadinho difícil de encerrar o passado e expressar o quanto estava apanhadinho por ela. Mors tua, vita mea, uma expressão em latim que aprendeu e que esperava que ela entendesse quando fosse a altura. 


- Gostavas de casar comigo n´A praia das pétalas de rosa, algures na Palestina? - perguntou o João sem pensar.


-Temos apenas 15 anos, João. Por favor, acaba com isso. O meu pai havia de gostar de fazer o trabalho d´O leitor de cadáveres  sobre o teu corpo morto! 


- Oh, Lúcia não sabes nada d´A saga de um pensador. Eu penso no futuro. Vida após vida, estamos destinados a ficar juntos. Quando for famoso vou cobrir-te de joias e serás  a minha Boneca de Luxo! - disse o João entusiasmado.


- João, credo! Esse livro não. Acho que viveria uma vida de Felicidade Roubada. Podemos pensar no futuro e n´A livraria dos finais felizes. Podemos pensar na altura em que Vamos comprar um poeta. Depois de ler O velho e o mar, que foi Escrito na água, A casa de bonecas ficará totalmente esquecida. 


-  O homem mais inteligente do mundo, o meu pai, não sei se sabes Ele está de volta, e não vai gostar, João. Os meus pais foram Emigrantes e desde que o meu pai é O leitor do comboio a vida até corre bem. No outro dia, falamos no livro do Eça e ele não ficou nada chocado. Disse que pior, pior era o padre d´O vermelho e o Negro. Não entendi, mas espero arranjar o livro...


- No  Verão,...- interrompeu o João- e daí não passa. Já não consigo viver sem A outra metade de mim, continuou. Quando o cuco chama, como ontem, podes crer no que digo. No Verão, vamos Comer e amar em Paris. És a Lucy, A rapariga de antes, mas depois não te lembrarás de mais nada. Ainda não sei se o feitiço das Bruxas fará com que digas Obrigada pelas recordações. Já planeei tudo. Vamos morar na casa do lago do meu pai. Existe O mistério do lago e podemos tentar descobri-lo juntos. O teu pai nunca mais vai perturbar a nossa vida, quando muito escreverá cartas À minha filha em França.


- João, estás a ser verdadeiramente irritante. Sinto como A noiva Bórgia que serve os interesses, neste caso os de um rapaz mimado. Sinto como Uma abelha na chuva a tentar viver a minha vida quando ainda não tive tempo para voar. Eu sei que Os livros que devoraram o meu pai e que ele é quase o Dom Casmurro  preocupado com Os olhos de Ana Marta, mas acho que não tens futuro para mim, nem que fosses O Pianista de Hotel ou um professor interessante de Às terças com Morrie!


Lúcia virou as costas e seguiu para casa. Estava cansada. O seu coração simples não acompanhava os sonhos do João. Sentia-se no abismo e a ser empurrada pel'O assassino do Aqueduto. Em queda livre, nos seus pensamentos, deu-se conta que os Bichos se calaram. O silêncio enorme pesava. E a Primavera não chegava... naquele entardecer, a Lei e corrupção* tecia teias dignas de O bicho-da-seda*. Incrédula, ela pensava no pai e n´Os últimos dias dos nossos pais*...


Na Imaginação, e em Altura, respiravam-se as cores da alegria e o calor do contentamento...


 


* Livros (ainda) sem opinião escrita aqui no blogue.


 


 


Para o ano há mais. Boas Festas!

4 comentários:

Corvo disse...

Esperemos que sim, que para o ano haja mais, muito mais.
Boas leituras, boas e congratuladoras horas e, sobretudo, boas companhias.
Um Novo Ano repleto de coisas boas, as melhores que possa desejar.

editepf disse...

Obrigada. Feliz Ano Novo

Fátima Bento disse...

Tuso de bom. Muitos b'jinhos!

Fátima Bento disse...

*hey, era todo. TuDo.