quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Em teu ventre, de José Luís Peixoto #22


Tudo se passa entre maio e outubro de 1917, em Fátima. É neste período de tempo que o autor narra os acontecimentos relacionados com as aparições de Fátima, tendo por protagonista Lúcia, enquanto intermediária entreo profano e o sagrado. Com 10 anos, ela é apenas uma menina que gosta de brincar com os seus dois primos, Jacinta e Francisco. Maria, a mãe de Lúcia, é severa com a filha, mas preocupa-se com ela, como qualquer mãe. A dimensão humana está, por isso, presente, através da mãe de Lúcia e, ainda, da mãe do autor (achei curiosa a forma como se dirige ao filho e fiquei com a sensação que estaria noutro plano). Quanto à dimensão divina, só aparecem palavras quase bíblicas, presumo que vindas de Deus. Não são referidas as palavras de Nossa Senhora quando aparece às três crianças (os pastorinhos), o que, a meu, ver foi propositado. Se por um lado o autor não quis dar uma opinião direta sobre os factos, por outro introduz algumas farpas quanto à veracidade, designadamente quando Maria surpreende Lúcia a brincar, com o lenço na cabeça, a fazer o papel de Nossa Senhora perante outras crianças e quando a Lúcia conversa com objetos ou com as folhas da azinheira, entre outros pequenos detalhes.

Citação:”As palavras são imperfeitas quando tentam dizer aquilo que é maior do que elas. São imperfeitas também quando tentam dizer aquilo que parece ínfimo, dependendo da proporção. Nesse caso, as palavras são dedos que tentam apanhar uma migalha, fazem a forma de beliscá-la, mas deixam-na lá, como se fossem inúteis”.

Pensamento: Nesta altura, as pessoas eram, na esmagadora maioria, analfabetas; um povo pobre e cujos filhos estão na guerra. Será que este povo desesperado foi vítima de uma alucinação coletiva?

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Poema avariado

Algo se passa neste lugar
hilariante
Ah, quem disse que não gosto do riso
contagiante?
A frescura nas palavras
inquietante?
Ou que alcança um significado
hesitante?
Algo se passa neste lugar
O poema avariado revela num
instante:
Riso.


domingo, 28 de agosto de 2016

Mataram a Cotovia, de Harper Lee #21

A ação decorre em Maycomb nos anos 30, após a depressão, e é pelos olhos de uma criança de seis anos, Jean Louse Finch ou Scout, que a história é narrada. Ela é uma menina que aprendeu a ler sozinha e para ela a escola é um tédio. Ela é diferente; veste-se e brinca como uma “maria-rapaz”. É nas brincadeiras com o irmão, Jem, e com o amigo, Dill, que dá largas à imaginação e vive grandes aventuras, na esperança de encontrarem Boo Radley, o vizinho que ninguém vê e que comentam ser um fantasma. Já o seu pai, Atticus Finch, advogado, homem justo e bom, concorda defender Tom Robinson da acusação de violação de uma jovem branca.
A maneira como Scout vê os adultos vai mudando ao longo do livro, pois vai perdendo a inocência quando começa a compreender o que é o mundo dos adultos, bem como o que é o racismo, a intolerância, o preconceito e a verdadeira injustiça.
Citação:” A única coisa que não respeita a regra da maioria é a consciência de cada um”. 
Pensamento: Acho que assisti a demasiados filmes, porque não tive grandes surpresas neste livro. Gostei do mistério em torno de Boo Radley e das brincadeiras das crianças. Simpatizei, também, com a cozinheira negra (Calpurniana).

sábado, 27 de agosto de 2016

Sem o ar, o que respiro?

O que pesa em mim?
Serão as esmagadoras toneladas opressoras
e agressivas incertezas sobre o peito?
Sem o ar, o que respiro?
Numa amálgama de preces conjuntas
Com o tempo no altar
Ouso, na tempestade das emoções,
Pedir um sacrifício:
O sossego de livremente
respirar com calma.
Quando não desejo
Viver na turbulência
da alma
Sem o ar, o que respiro?
Embotado ensejo
Com falta de oxigenação
Questiono as singulares
circunstâncias
Em que o calor queimou
A possibilidade de qualquer meditação
Circunspecta providência
Teimosia aleivosia
Desígnio absoluto
Sempre em contradição.
Só que não posso viver sem ar
Nem alimentar a fogueira
Que queima a possibilidade
De obter alguma serenidade.



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Um livro bem misterioso (2)

Ao quetudo indica, prevê-se a primeira edição de 898 exemplares (porque não 900 ou1000?) do manuscrito Voynich. Bem, a história não acaba aqui. Olivro em causa intriga toda a comunidade de especialistas e amadores em criptografia porque é: misterioso (não se sabe ao certo de onde veio ealvitram que foi escrito por extraterrestres); ninguém o consegue ler (já setentaram vários métodos). 

O que me causa enorme espanto é que o manuscrito estádisponível na internet mas (pasmem-se) vai custar a módica quantia de sete mileuros, cada um (???). Então, está mais do que assente, este mistério não é para mim. Julgo que escrevo algumas coisas que ninguém, que me conhece, entende, mas isso não faz de mimuma perita em caracteres alienígenas. Ora espreitem:

 


 


 

 

 

 

Para veres mais aqui.

 

O manuscritoVoynich, foi descoberto em 1912 em Itália e recebeu o nome de um comerciante de livrosde segunda-mão polaco, Wilfrid Voynich. De acordo com a datação porcarbono, o manuscrito terá sido criado por volta do século XV. Será uma falsificação feita por um mago daquela época? Terá sido escritoem Itália? O que serão as plantas misteriosas? E os diagramas? 

 


Têm alguma teoria sobre a forma como pode ser decifrado? 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Esta espécie de loucura


Esta espécie de loucura
Que é pouco chamar talento
E que brilha em mim, na escura
Confusão do pensamento,

não me traz felicidade;
Porque, enfim, sempre haverá
Sol ou sombra na cidade.
Mas em mim não sei o que há.

Fernando Pessoa, em "Cancioneiro".



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Voa bem alto!

Tudo o que te ensinaram, acreditas,
Não duvidas e aceitas.
O dogma..
Não ousas contrariar e desesperas.
Nas palavras escritas pelo homem
Desesperas e aceitas em contradição.
Lutar com todas as forças
Desde o berço a ouvir a palavra não
Implica desesperar e chorar de frustação.
O espírito é energia sem limites
É alma e sangue
É tudo o que precisas.
Transcende o corpo e voa bem alto!
Nem a sabedoria milenar chinesa
Acata outra solução.


domingo, 21 de agosto de 2016

Manifesto de como ser interessante, de Holly Bourne # 20

Em primeiro lugar, agradeço à A., de 17anos, por me ter sugerido e emprestado este livro fora do comum (tanto a história como a apresentação).Foi uma experiência bem diferente da que estava habituada, pois, enquanto lia olivro, sentia-me divertida, enternecida, irritada e furiosa, tudo ao mesmotempo. Por diversas vezes, estive tentada em dizer: Bree não faças isso, Breetem cuidado, Bree sê tu própria e que se lixem as populares e os outros. De facto, Breetem 17 anos, está só, tem baixa auto-estima e não conversa com os pais nem como seu melhor amigo, Holdo, a partir de determinada altura. Ela quer serescritora e depois do segundo romance recusado está disposta a tudo. Resolve,então, mais uma vez desabafar com o professor de inglês que tece um comentárioacerca de fazer coisas interessantes que permitam crescer na escrita. É comessa ideia em mente que Bree irá esforçar-se, fazer compras com a mãe, fazercoisas que não têm nada a ver com ela e, também, arranjar sérios problemas.
Citação: “Tu Já mencionaste a escola… aescola é mesmo um inferno para algumas pessoas. Não duvido disso. Nunca. Mas oque não compreendem é que a morte é permanente. Enquanto que qualquer outroproblema das suas vidas normalmente não é. E se estão a provar um ponto devista, não vão estar presentes para ver esse ponto de vista ser provado".
Pensamento: A experiência decrescer pode ser dolorosa. Faz parte da vida e todos temos de passar por isso(incluindo os pais, ouviram?).Há quem disfarce muito bem e há quem não chegue acrescer. Conselho: comuniquem. Deixem o computador ou o tablet ou o telemóvel efalem com os vossos pais ou com um(a) amigo(a). A comunicação é importantíssimae é por isso que estou agora aqui a escrever os meus pensamentos.

Doenças literárias do século passado (1)

Antes que comecem a divagar sobre o título, informo que nasci no século passado e que não estou doente. As doenças literárias são apenas um desafio sobre livros, por sinal muito divertido. Eu diverti-me imenso com ele. Espero que também gostem e que comentem (muito!).

Para começar vou fazer aqui uma comparação. Acho que isto dos blogs é como quando se acaba de tirar a carta de condução: sabemos as regras, sabemos dirigir, porém temos de ter cuidado com o que fazemos e com o que outros fazem, de forma a seguir, alegremente, o nosso caminho. A propósito de viagem, resolvi embarcar numa e pedi boleia à Magda Pais (stoneartbooks.blogs.sapo). Ela é divertida, tem um sentido de humor apurado, gosta de caçar gambuzinos (pokémons) e sabe conduzir muito bem o seu blogue. Então, eu aproveitei para espreitar e responder à TAG literária aqui, com apenas uma adaptaçãozita. Esta TAG é sobre doenças literárias do século passado (atenção que não foi no tempo dos dinossauros, embora ainda andem por aí alguns).

 

Então, é assim:

 

1) Diabetes: Um livro muito doce. “Chocolate”, de Joanne Harris, pois enquanto o li não resisti a comer um (piu,foram vários) chocolate(s).


2) Varicela: Um livro que nunca mais vais pegar para ler de novo. Sem sombra de dúvida “Os Versículos Satânicos”, de Salman Rushdie. É daqueles livros que comecei a ler, não consegui acabar e não vou querer pensar nele nunca mais.


3) Ciclo Menstrual: Um livro que relês constantemente. Infelizmente, não costumo reler livros e sei que isso me faria bem. Ou por falta de tempo ou por falta de disposição, apenas há um que gosto de reler algumas partes: “A Viagem das Almas”, de Michael Newton”.


4) Gripe: Um livro que se espalhou como vírus. “Nós”, de Zamiatine, tal como um vírus esta distopia acabou por contagiar outros autores, como por exemplo George Orwell.


5) Asma: Um livro que te tirou o fôlego.“Os sete minutos”, de Irving Wallace. Fiquei sem fôlego enquanto não acabei de ler e com asma quando resolvi comprar on-line a edição do Círculo de Leitores e recebi o livro em português do Brasil (rsrsrs).


6) Insónia: Um livro que te tirou o sono. "Pássaros feridos", de Collen MacCullough. Tirou-me o sono, fez-me sonhar acordada e assisti, ainda, à série televisiva (Não que sonhasse com o padre, credo!).


7) Amnésia: Um livro que leste mas não te lembras bem. “O Deus das pequenas coisas”, de Arundhati Roy. É sobre a família e sobre mulheres, que são umas desgraçadas, mas não me lembro de mais nada.


8) Doenças de Viagem: Um livro que te leva para outra época/mundo/lugar. “Cisnes Selvagens”, de Jung Chang. Com este livro viajei à China do século passado e fiquei doente com as descrições do regime, dos pés amarrados das mulheres e do sofrimento.


É tudo, Se tiverem outros livros para indicar estejam à vontade.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

(Frágil) equilíbrio


Estrada abaixo
Sempre a descer
Equilibrando
O corpo
Sem saber.
O vento na cara
Na roupa um vendaval
Segue desabrida,
A bicicleta.
Segue perdida,
A rapariga.
Esquece a liberdade,
Esquece a vida
Ou que muitas mulheres
Sofrem
Em cárceres, 
Em chagas,
Em ferida,
Na alma e no corpo.
Já a rapariga leve, leviana e livre
Seguia perdida
Equilibrando a bicicleta 
E a doce ilusão.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O Verão e a razão

Num Verão já longínquo
Esperava o passar do tempo
Calmo e sereno
Cheio de suavidade.
Não pesavam os anos
Nem a idade.
Nessas tardes idílicas
Vivia aventuras cheias de ação
Mergulhada nos livros
Num bater lento
mas acelerado do coração.
Que saudades dos cheiros
Do calor no chão
Pois, na braseira intensa
Cheia de emoção
Mergulhava nos cheiros,
nos livros e no Verão.
Propositadamente (ou não)
Apenas volta o calor
Num bater acelerado
Da razão.
Não penses voltar
O tempo gira
Tu não!

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Álbum de Verão, de Emylia Hall # 19


 



O “Álbum de Verão” contem recortes e fotografias.Ao percorrer as suas folhas Beth irá relembrar os cheiros, o sol, os banhos, afruta, a comida, o primeiro beijo de Tamás, as marcas e as perdas. Após a separação dos pais, Erzébet ou Beth, filha de pai inglês, passa sete Verões com a mãe, Marika,na Hungria, na casa do pintor húngaro chamado Zoltán. Porém, aos dezasseis anostudo termina e catorze anos depois recebe o álbum que nunca tinha visto e que lhe trás de volta aquelas memórias.


Citação:”Era capaz de viajar entreum lugar e outro, sem nunca precisar de fechar os olhos. Tão pouco era umesforço recordar porque vivia os meus dias numa curiosa combinação de passado,presente e futuro. Como se de algum modo estivesse embuída de todas as coisasimportantes e as carregasse sempre comigo”


Pensamento: A magia do verãodurante a infância e a adolescência.


 


domingo, 14 de agosto de 2016

Estante do tempo

Na estante do tempo
Mil folhas empoeiradas
Compõem os livros
de vidas passadas.
Lentamente perfilham
A história e
O conhecimento e
A alma
Dos escritores.
No espaço tempo
Num lugar mágico.
Entre passado, presente e futuro
A estante do tempo
Abriga de forma única
O saber.


No país das maravilhas

Naquela tarde
Saboreei o vento
Disperso e quente.
Olhei em volta
Apenas um bule
A lembrar o país das maravilhas.
Eu, Alice, não consigo encontrar
A porta discreta
Desse olhar.
Cresci...
Mas quem dera voltar
A sentir a magia
do sonho
a vibrar.
No país das maravilhas
Há muitos buracos
Por achar.
Camuflados ou não.
Não são imaginação.
Ouço o vento.
Diz coisas inacreditáveis
Que não há país,
Nem maravilhas.
Que resta o pó e a cinza.
A poção de encolher
Não posso tomar
Se não há país
Nem maravilhas
Não vou voltar.
Cresci.
Que pena.
Era mais feliz
Quando a ignorância
habitava o meu olhar.



Miúda online, de Zoe Sugg #18


Bem, como começar? Este não é o meu género de leitura? Este livro não é para a minha idade? Bora lá, escalpelizar o livro da blogger Zoe/Zoella Sugg (aqui) e dar uma opinião? Nã!!! Quem tem visitado o meu blogue certamente já se apercebeu que os livros que vou postando têm sempre alguns ou vários aspectos positivos na medida em que suscitaram um determinado pensamento (isso não implica necessariamente ter de dar uma pontuação). É claro que não coloco os livros que não gosto por uma razão muito simples: não consegui acabar de ler (ou não). Para mim os livros são uma companhia à qual recorremos numa dada altura, mas isso não quer dizer que façamos sempre a escolha acertada.No caso da "miúda online" acertei/"I nailed it":). Gostei das "aselhices" da Penny, uma jovem insegura e com ataques de pânico,que aos 15 anos resolve criar um blog anónimo no qual desabafa os seus sentimentos e problemas. No quarto ao lado vive o seu melhor amigo Elliot, que é gay, que tem estilo e que está sempre pronto a ouvir e a dar conselhos. É com ele e com os seus pais que Penny irá viajar para Nova Iorque onde esta se irá apaixonar por Noah.

Tenho de admitir, o romance da Zoella é dirigido aos mais jovens. Porém, eu gosto de me actualizar e gosto de estar a par (em cima) dos gostos da minha filha! Portanto, li e reconheço que tem o mérito de abordar dois problemas atuais: os malefícios da internet e as amizades tóxicas.

Citação:”Portanto, da próxima vez queforem publicar um comentário ou uma actualização, ou quiserem partilhar um link, perguntem-se a vocês mesmas: isto vai contribuir de alguma forma para a felicidade no mundo?”.

 

Pensamento: A internet é como a coca-cola e  quando a agitas explode por todo o lado.

 

 

 

 

 

sábado, 13 de agosto de 2016

Blury forest


The forest out there
Is not the same.
All the blame
Of some of us.
Everywhere
Blury forest.
Everywhere
There´s fire,
Consumes everything
Around
Inside
All memories
All coletive past
Is gone.
Stays Blury
The future.



O Livro dos Baltimore, de Joël Dicker #17


Marcus Goldman vive o primeiro bloqueio do escritor em“A verdade sobre o caso de Harry Quebert”. Trata-se de uma história cativante,na qual somos envolvidos, até porque contem uma trama de crimee de mistério que se vai desenleando aos poucos, surgindo sempre novas informações que alteram qualquer dedução ou palpite do leitor.

Na minha opinião, a leitura do "O Livro dos Baltimore" não fluiu tão bem e a história em si pareceu ser um pouco "forçada" (mas se calhar é impressão minha!). Embora aborde a vida e a história dafamília do mesmo escritor, Marcus Goldman, dividida em os Goldman de Baltimore e os Goldman deMontclair, neste livro há salientar a existência de ciúmes, dramas, Bullying e competividade entre famílias àmistura. Marcus admira os tios, os Goldman de Baltimore; estes têm bons empregos, moram numa luxuosa mansão, têm férias nos Hamptons e carros de luxo. Porém, ele sente vergonha da sua família, os Goldman de Montclair, de classe média, que possuem empregos normais e uma casa e carros modestos.

A trama adensa-se em volta do Drama, num tempo situadooito anos após, até e depois do Drama, dia que viria a mudar para sempre ahistória dos Goldman de Baltimore e, sobretudo, do Gangue dos Goldman (Hillel,Marcus, Woody e Alexandra).

Qual será o Drama? É a resposta a essa pergunta que Marcus irá ao longo do livro tentar desvendar.  

Citação: ”Os Baltimore eram servidos, nós éramos osque os serviam”.

Pensamento: Em todas as famílias há sempre umahistória de ganância, de ciúmes, de Bullying, ou ainda de um Drama.

 

 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Submissão, de Michel Houellebecq #16






  


François é o personagem principal. Tem 44 anos, é ateu e professor de literatura, sendo que o alto da sua carreira académica foi a dissertação (de 800 e muitas páginas) sobre a vida e obra de Joris Karl-Huysmans. Citando J.K.Huysmans podemos descrever os pensamentos de François da seguinte forma: «tenho o coração ressequido e endurecido pela farra, não presto para nada». François gosta de jovens, mas, entre uma aluna e outra, não consegue manter um relacionamento muito tempo. Vive sem emoções, sem rumo e em função das ocasionais «aventuras sexuais» (obs: descritas de forma crua).


Nesteiter, acompanhamos as eleições presidenciais, os tumultos, a disputa entre a Frente Nacional e o partido da Fraternidade Muçulmana e a eleição de Mohammed Bem graças a uma aliança com o Partido Socialista.


François retira-se para o campo e quando volta irá submeter-se à nova ordemdo islamismo?


Citação:« Só a literatura nos pode dar aquela sensação de contacto com outro espírito humano, com a totalidade desse espírito, com as suas franquezas e grandezas, as suas limitações, mediocridades, ideias fixas, as suas crenças; com tudo aquilo que o emociona, lhe interessa, o excita ou repugna».



Pensamento: Se por um lado é um livro polémico e machista,por outro lado é uma crítica verosímil à sociedade francesa e europeia. 


 


Até parece


Alguém diz, ninguém faz. Tudo se escuda na placidez mordaz.Até parece que afelicidade é um sonho altivo. Até parece que passam por cima de tudo semmotivo.Até parece que a humanidade só vive da falácia e da calamidade alheia,sem julgar, sem pensar nos erros em que cai a sociedade e em que cai a modernidade.
Se alguém quiser apenas Ser, é impossível porque não sobrevive atal contradição.
Até parece ...
Abro o jornal:


Soluções procuram-se.



segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Colorful inspirations


It seems to be colored
All seasons conjugated
Window reflection
Thousand colors and
Inspiration.
But beauty is
In the eye of the beholder
The spirit prepares
The window of the soul
To receive, one day,
Perfection.

domingo, 7 de agosto de 2016

Sentimentos incautos

A esperança de uma certeza perdida.
O lugar de beleza escondida.
O amor outrora fruto de magia.
A tristeza ocupando a vã amargura de um dia.
Sempre, sempre, a mesma melancolia.
Subtilmente, como as águas calmas de um rio,
A tristeza,
O desespero,
O desamor,
Submergem mas voltam à superfície.


sábado, 6 de agosto de 2016

Geração mil euros, de Antonio Incorvaia e Alessandro Rimassa # 15

Em Portugal já ouvimos falar na «geração à rasca». Podemosidentificar-nos com a geração mil euros? Julgoque sim, embora os nossos licenciados, na esmagadora maioria, aspirem ainda aum ordenado com quatro dígitos, estamos perante uma realidade e umproblema comum. De facto, depois da licenciatura surge um mundo laboral desconhecido, no qual os estagiários vivem na ilusão de um futuro melhor, de um contrato e de uma promoção.
Adiante, neste livro, doisjovens italianos, Antonio Incorvaia e Alessandro Rimassa criaram um blogue e resolveramcontar as suas experiências através do personagem Cláudio. Ele é licenciado,tem 27 anos e trabalha a contrato a termo certo numa empresa de marketing,dividindo uma casa com três amigos (Alessio, Mateo e Rossella) e vivendo com umordenado de mil euros. Porém, o trabalho fixo é uma incógnita e o salário mal dápara viver. Cláudio irá conhecer Ana (semabrigo) e fica admirado como esta mantém inalteradas as capacidades que possuía antes, na vida dita normal.
Citação: «Não é o trabalho que é precário, a sociedade é que éprecária. Uma espada de Dâmocles que pende constantemente sobre a tua cabeça,as tuas ambições, os teus projectos».
Pensamento: A vida merece ser vivida.



Deu-me para isto, estou de férias e ando por ali

Proliferam por aí post´s  sobre as férias, sobre tudo e, resumindo, sobre nadica de nada. Não sou contra, nem a favor. É simplesmente indiferente, pela banalidade. Pensem um pouco comigo e sempre com o espírito da crítica em riste. Concordam comigo quando digo que para isso já temos o facebook? Acham que devemos alterar o panorama geral, no mundo dos blogs, ou não? 
Acham bem eu estar para aqui a dizer mal dos outros e a provocar?
Se calhar não acham, mas quem cala consente. Ora, isto dos ditados é uma receita poderosa para vários aspetos e situações, o que me lembra agora outro: muita parra e pouca uva.

E esta, hein?(com direitos do autor Fernando Pessa)


Deu-me para isto

Estou de Férias

Ando por ali


Óculos, outra vez?

Olhem com atenção. Não é que estão lá os óculos?  Isto é uma coincidência?
Alguém advinha o significado que os óculos têm para mim?

A recordar as «Férias Alentejanas»


I
O sono aperta
Está na hora de ir
As cinco na maior risota
Doidas por partir.

Às cinco da madrugada
As cinco unidas pela amizade
Estão prontas para a caminhada
Em direção à liberdade.

Hélia a mais tímida
Guida e Joana com espírito galopante
Ginita a mais convencida
Edite a mais hesitante.

A caminho se puseram
Na maior euforia
Quando foram era noite
Quando chegaram era dia

II
Sob o céu alentejano
A paisagem reflectia
Para além do meio mundano
Os risos da alegria.

Povo de tradição
Lealdade no pensar
Amor no coração
Ternura no olhar.

III
No meio de grande atividade
A paz vieram pertubar
Cinco moçoilas de tenra idade
Num carro a abarrotar.

Edite e Guida Oliveira, 27 de agosto de 1992.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Mini me


Como criança
Encantada,
Entrei, espreitei à janela
Entrei na infância
Espreitei a inocência
Há muito terminada.
Porém, nesses breves instantes
Vislumbrei o sonho, a cor, a imensidão
De um mundo por descobrir
Como se fosse a primeira vez.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Vou pela Sombra

O ar, o mar e o sol têm um preço? Sei lá!.. não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.
Falando do sol, conheço quem sofra com o envio da fatura que vem endereçada ao próprio e com custos elevados sobre a própria vida.Mas porquê mais esta cobrança? É alguma mania zombie, segundo a qual devemos viver próximo de cemitérios ou ETAR´s? Ou seja, vivermos à sombra de quem já não vem fazer mal ou junto a um pivete onde já não sentiremos o cheiro a estupidez?! 
Contei as janelas da casa (e tenho muitas!), pelo que julgo que vou ter de arcar com mais essa despesa, quer pela exposição indecente e luxuosa, quer porque o sol não é para todos.
Eu quero ir pela sombra... é que comecei a sentir alergia !!!


Atualização: Ao que parece o majorativo do sol já existia e que temos aqui um exemplo de mais um boato divulgado nas redes sociais (e não só).

Visão ostracizante

Sou pequena, muito pequena
Uma minúscula partícula
Uma parte isolada
Só que não
Só que não 
Sou nada.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O meu e o teu



Quisera saber
Se o meu é meu e o teu é teu..
Responderam: o meu é o teu.
Respondi: o teu é o meu?
Então, o meu é o teu e o teu é o meu?
Palavra de honra!
Na confusão decidi
O que é meu é meu
O que é teu, teu será!
Blogolivropensamento
E nas páginas soltas da escrita
Saio de um mundo que é o meu
Para outro, lá está!
Nas entrelinhas
Ocorre uma fusão
Entre o real e a imaginação.


A porta do destino

Batem à porta***
Ressoa o silêncio
Perante a tarde inacabada.
Simples bater
Calma e serenidade
Como quem aguarda
A música da eternidade.
Batem à porta***
Não ouso abrir
De tarde fecha
A promessa
e o devir.
Insistentes
Bateram à porta***
Do outro lado
O destino...
Aguardou a oportunidade
Agarrou o silêncio
Desatou os sonhos
Abafou a calma
e pensou em: Fugir!
Encontros imediatos
Não são do seu agrado!

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A loja dos suicídios, de Jean Teulé #14


Muitas vezes me questionei como seria ter um negócio familiar como uma agência funerária. Não é fácil para nós lidar com a morte - nem com os mortos-, mas acredito que alguém tem de o fazer.

Aloja dos Tuvache poderia perfeitamente ser uma agência funerária, mas a família prefere fornecer as «ferramentas» a ter de lidar com as consequências desse seu empreendimento lucrativo.

Na loja dos suicídios o lema é: A sua vida foi um fracasso? Connosco, a sua morte será um sucesso!

Numa época indeterminada onde reina a depressão e a infelicidade geral, os clientes procuram conselhos para uma morte rápida, indolor ou (pasme-se) até económica.

Mishimae Lucrécia gerem o negócio. Vincent e Marilyn, filhos do casal, são os funcionários e tal como os pais têm um aspeto deprimido e uma obsessão emengendrar mortes violentas e em vender a morte aos clientes. Já o filho, Alan, espantosamente,é o elemento mais novo e o único que consegue ver o lado mais otimista dascoisas. Ele ri, ele dança, ele canta e consegue horrorizar os pais (contagiando-oscom a sua «doença») e levá-los a questionar sobre o futuro do seu negóciopróspero (ironicamente os clientes nunca têm um futuro e recebem, após a suacompra, um Adeus!).

Estas personagens irreais e a sua preocupação em satisfazer os clientes (que vão e não voltam e nunca reclamam!) são de um humor corrosivo, caústico e de carácter [falsamente]leviano.

Nofinal, num volte face inesperado, num «golpe de mestre» (altura em que nos vemà cabeça «What the F*»), ficamos a tentar perceber o que aconteceu...

Citação:«Quando o fizer na sala, ponha-se de joelhos para que, mesmo que a lâmina não entre emprofundidade…porque mesmo assim deve fazer impressão….se estiver de joelhos,cairá de barriga para baixo e isso espetará o sabre até ao punho. E quando osseus amigos o encontrarem, ficarão espantados! Não tem amigos?...Ora, o médico-legistaficará espantado e dirá:”Este não tinha a mão morta!”».

Pensamento: A canção de Rezső Seress e László Jávor"Gloomy Sunday" (aqui)”, é chamada de “AMúsica Húngara do Suicídio” por causa de sua ligação a uma onda de suicídios no século 20. 

 

Vejam um excerto do filme «Le magazin des Suicides»(aqui), no qual assistimos ao primeiro sorriso/riso de Alan para completo horror da sua família...